Por uma Haste
  • AVALIAÇÃO DO AUTOR

Trazendo o comentário do episódio 17 de Sword Art Online: Alicization então peço o de sempre, compartilhe e deixe seu comentário sobre o que achou do episódio.

[25 DE MAIO, ANO 380 DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE]

O episódio se inicia já apresentando o que ocorreu após a explosão da catedral. Kirito se encontra pendurado por sua espada, fincada em uma fresta na parede da Catedral (provavelmente oriunda da junção dos blocos na construção) e Alice, por um fio, é impedida de cair apenas porque Kirito segura sua mão. A primeira fala que temos é a Cavaleira se queixando da atitude de Kirito e pedindo para que ele solte a mão dela, uma vez que não pretendia viver com a vergonha de ser salva por um pecador como ele (reaproveitando a questão da quebra do Index Taboo e já direcionando qual será o gancho para a conversa deles). Decidida por cair ao invés de ser salva por Kirito, ela começa a se debater, fazendo-o desequilibrar um pouco. Nosso herói, irritado com a situação, pede para que Alice entenda que sua morte não levará a nada, a nenhuma forma de resolução.

Kirito fala isso acompanhado de um “Baka” (a grande maioria das falas do episódio são acompanhadas de “baka”, uma tentativa de tornar o diálogo mais informal, acentuando a comédia… talvez não funcione tanto com nós, ocidentais, que assistimos legendado, mas provavelmente surte grandes efeitos no Japão), o que provoca uma reação ainda mais engraçada em Alice, que se sente ofendida e pede para que ele retire isso. Nesse tipo de diálogo, o clima se torna mais propício à comédia, uma vez que eles começam a discutir, pendurados à beira da morte, e a se insultar. Essa “briga” infantil é justamente uma tentativa de alívio cômico dentro do enredo, provocando efeito humorístico ao relacionar o diálogo à situação absurda (se o humor funcionou com a pessoa, é algo subjetivo… pessoalmente, comigo funcionou).

Na tentativa de dissuadir Alice da idéia de soltar a mão de Kirito e convencê-la a sair da situação, Kirito lembra a cavaleira de que Eugeo, que ficara sozinho dentro da torre, iria para onde a pontífice Administrator estava e a enfrentaria. Ele a lembra de que seu trabalho era impedir ele e Eugeo, como intrusos, de chegarem até Quinella, sendo seu dever sobreviver a qualquer custo. Concluindo a tentativa de convencê-la, ele a insulta novamente (“baka”) por não entender esse tipo de lógica simples (o insulto, aqui, provavelmente não é apenas pela comédia, mas também para chamar uma maior atenção de Alice). Ainda pendurada, Alice compreende que o que ele fala faz sentido. No entanto, ela pergunta para Kirito o motivo (ao menos um) que ele possuía para não soltar a mão dela, já que, ali, caso ele se livrasse dela, teria mais chances de sobreviver e se livraria de um Cavaleiro, um obstáculo em seu caminho. Ela fala isso com a seguinte frase: “Você consegue me provar que não acharei alguma razão pior do que a morte para isso?” E, assim, ficamos com a Opening.

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Após apresentar o título do episódio (bem óbvio, por sinal), “Trégua”, voltamos à cena, onde Kirito explica para Alice que ele e Eugeo não invadiram a Catedral Central para que destruíssem a Igreja do Axioma, e sim que eles também desejavam proteger o Império Humano da invasão do Dark Territory. Essa menção é acompanhada de rápidas imagens de flashback de Cardinal e do Teste Final de Carga, ótima forma de ilustração para situar o público menos atento ou que se esqueceu da densidade de coisas reveladas no episódio 13. Utilizando dessa razão e expondo seu objetivo, Kirito faz da defesa do Império Humano seu projeto e explica que Alice, sendo uma das Cavaleiras da Integridade mais fortes, não poderia morrer ali. Como Cavaleira, ela era, afinal, um dos recursos mais valiosos para resistir à invasão. Alice, confusa com relação à ideologia de Kirito em contraste com a da Igreja, questiona nosso protagonista, sobre por que ele teria levantados sua espada contra outra pessoa e derramado sangue, uma das maiores violações do Index Taboo.

Como ela se referia à afronta feita à Raios e Humbert, Kirito explica que a Igreja e o Index Taboo estão errados e, por esse motivo ele teria feito isso. Enquanto um flashback do episódio 10 (as cenas perturbadoras da tentativa de estupro), Kirito explica que, mesmo que algo não seja proibido pelo Index Taboo, isso não dá o direito de que pessoas façam coisas como fizeram com Ronie e Tiese. Em resumo, Kirito aplica novamente sua filosofia, sua forma de compreensão das leis daquele mundo, a mesma que teria exposto no episódio 09 e 10 e que havia influenciado Eugeo a se tornar um A.L.I.C.E. Vale destacar que Alice havia se tornado esse tipo de IA ao transgredir o Index Taboo, mas fora “consertada” pela Igreja do Axioma, como Kikuoka menciona no episódio 06. Assim, abre-se uma nova possibilidade para que ela se torne, novamente, um A.L.I.C.E., caso ela seja, também, influenciada pela perspectiva de Kirito. Essa justificativa, esse confronto de ideiais e a forma com que Kirito explica, em conjunto com ele questionando Alice em seguida e soltando certas lágrimas ao falar, conferiu uma grande espontaneidade ao personagem. Vemos nitidamente que Kirito é convicto desses ideais, além de eles serem, com certeza, certos, dado tudo que nos foi apresentado acerca daquele mundo. E, principalmente, o importante dessa cena é centrado em como ele se preocupa mais em dialogar com os Cavaleiros da Integridade.

Kirito convence cada um dos Cavaleiros justamente por se preocupar com o legado deles, por se importar com simples Fluctlights Artificiais e com os sentimentos deles. Alice, adicionalmente, é a pessoa com quem Eugeo se importa e o objetivo pelo qual ele havia vindo até Centoria, inicialmente. Kirito não age preservando a vida de Alice e tenta trazê-la para seu lado não apenas por esse motivo da preservação do mundo, mas também, de forma subentendida, porque ela é alguém importante para Eugeo, seu melhor amigo, e possui memórias importantes. Ela é como uma pessoa, e essa forma como Kirito vê as demais IAs, deixando claro como ele se importa com todas as relações que construiu (vemos diversos exeplos, como Liena, Cardinal, Selka e, obviamente, Eugeo) é simplesmente sensacional e que agrega humanidade ao personagem. Contudo, ao contrário do que você possa pensar, mudar Alice não será tão fácil assim, como podemos ver quando ela responde, em seguida: “lei é lei”.

A Cavaleira questiona como a ordem seria mantida sem a existência das leis, que definiriam os crimes e aplicariam punições. E, chamo atenção que esse diálogo aqui possui um conteúdo filosófico embutido. Se a filosofia de Kirito carrega um debate sobre ética, essa forma de pensar introduz um viés de análise da política, do funcionamento de uma sociedade. É como se Alice estivesse nos dando uma leve aula de “por que existem normas na sociedade?”, algo tão dominante em diversos filósofos como Foucalt. Mas, retornando à fala, Alice diz que, se as pessoas pudessem simplesmente julgar arbitrariamente as ações, não haveria ordem (e, claro, é algo plausível), obtendo a resposta ainda mais incisiva de Kirito, que questiona quem julgaria se as leis de Quinella estariam corretas ou não. A criatividade de Kirito ainda vai além, quando ele destrói a possibilidade de um argumento divino ao questionar se os Deuses do paraíso faziam isso. Afinal, se fossem eles quem julgassem, então por que eles não estariam acertando Kirito com Raios ali e agora?

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Essa forma de retórica mostrada pelo personagem foi simplesmente digna de aplausos ao meu ver. Devemos lembrar que Kirito, desde o episódio 13, tem consciência de que os “deuses” daquele mundo, ou seja, os funcionários da Rath, não logavam mais, haja vista o que Cardinal falara. Ao mesmo tempo, ele também sabe, de acordo com o episódio 12, que Quinella havia crescido e ascendido ao poder sob a falsa imagem de “ligação com o divino” ou “Messias”. Sabendo desses dois fatos, é nítido que Kirito desconstrói, com seu discurso, dois fatores muito determinantes para o ponto de vista de Alice aqui: primeiramente, ele quebra a idéia de que os Deuses de UWO compactuem com o Index Taboo, já que eles não punem Kirito, e, em segundo lugar, ele já introduz um questionamento sobre a divindade de Quinella. Enquanto a divindade de Quinella é questionada, a autoridade dela de propor leis e julgar as pessoas também é questionada e, principalmente, a ligação divina e origem dos Cavaleiros é questionada também. Em resumo, Kawahara foi extremamente feliz aqui, ao propor uma retórica em seus textos que abrange todos os pontos chave da ideologia de Alice. Dessa forma, é extremamente plausível que ela seja convencida ao final da convivência com Kirito.

Alice até tenta replicar que a vontade de Stacia e do restante dos deuses é revelada conforme as ações dos Cavaleiros, seus servos. No entanto, ela parece vacilar ao dizer isso (hesita um pouco antes de responder), além do que Kirito diz que ele e Eugeo haviam subido a torre justamente para deixar isso tudo claro (a imagem de Eugeo subindo as escadas em paralelo aos dois ajuda a ilustrar que ele já está seguindo o caminho). Claro, não espere que Kirito vá convencer Alice de imediato com seu discurso. Esse tipo de coisa leva tempo e não pode ser feito de forma rápida. O que estou querendo dizer é que a forma com que ele questionou as coisas já fora bastante incisiva e abrange todos os aspectos que são necessários de uma só vez, algo que é próprio de um texto bem colocado. Tal trecho do episódio, ao meu ver, se revelou a melhor parte dele, sendo um choque de idéias importante e construído de forma sólida.

No entanto, Kirito e Alice estavam pendurados apenas pela espada de Kirito e, obviamente, com o peso dos dois, ela começa a se soltar da fissura da Catedral. Vendo essa situação, Kirito faz uma grande força para erguer Alice com seu braço e pede que ela finque sua Espada de Osmanthus ali, para que se sustente, já que a dele estava prestes a ceder. Ela crava a lâmina e, nessa hora, a espada negra se solta. Kirito chega a ensaiar uma queda, com uma expressão bem de desespero (óbvio), mas Alice acaba por devolver o favor que ele havia feito e o segura pela camisa. Ela o levanta (com as mãos um pouco trêmulas, é verdade, para simbolizar que ela também possui uma pouca dificuldade) e ele finca sua espada, agora ambos os personagens pendurados por suas armas. Alice começa a ensaiar uma personalidade relativamente Tsundere, dizendo que não o salvou por vontade própria, mas porque devia o favor. E, assim, eles ficam quites.

Kirito, agora analisando a situação, propõe que eles façam uma trégua para que possam escalar a Catedral, trabalhando juntos para que pudessem aumentar as chances de sobrevivência. Alice analisa a proposta e decide aceitá-la, sendo, como Kirito havia dito, apenas para que eles impedissem um ao outro de cair. No entanto, ela volta a dizer que iria cortá-lo com a espada assim que eles conseguissem voltar à torre. Kirito, a fim de facilitar a trégua deles, diz que o objetivo de impedir um ao outro que caia seria bem realizado com uma corda ou algo parecido. Nessa perspectiva, Alice brande sua luva de ouro e invoca um “System Call: Form Object – Change Shape”, transformando a peça de sua armadura em uma corrente, a qual funciona de forma similar à corda. Devo dizer que esse tipo de mecânica me agradou bastante, na medida em que Alice precisa abrir mão e uma parte de sua armadura para tal. Não são coisas feitas de graça e, além disso, é um reaproveitamento de um comando de sistema já usado por Quinella (vimos isso no episódio 13, na batalha contra Cardinal).

Kirito chega a se confundir com a técnica, pensando ser uma técnica de Mudança de material. Porém, logo ao ouvir isso, Alice esclarece que se trata de uma técnica de mudança de forma e revela que apenas a pontífice poderia utilizar a mudança de material. Não fica claro se isso é devido ao nível dela (o que seria plausível, já que apenas ela até aqui, além de Cardinal, é capaz de parar o decaimento natural e outras magias, como Alice já menciona no episódio 01) ou se faz parte de algum regulamento de que Quinella proibiria os demais de usarem esse tipo de magia. Particularmente, acredito que a primeira opção seja a mais viável.

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Agora presos pelas correntes, Kirito inspeciona o local e até exibe um leve choque ao ver a altura abaixo de seus pés. Ele ainda pergunta se Alice não seria capaz de invocar seu dragão naquele local, o que ela responde ser impossível, na medida em que dragões só poderiam se aproximar da plataforma de pouso localizada no 13° piso. Ela faz uma pequena observação, logo em seguida, de que nem mesmo o “TIO” (o Comandante) poderia chegar tão alto em um dragão. Como já tratamos nos episódios anteriores, Bercouli se provou ser o comandante dos Cavaleiros da Integridade através das mais diversas pistas que foram dadas. Sendo assim, com esse pronome de tratamento, agora temos certeza de mais uma informação acerca dele: a relação dele com Alice provavelmente é boa e próxima (além, claro, da relação aparentemente amorosa com Fanatio). Isso ainda confirma que ele é o “homem capaz de suportar os golpes dela por tanto tempo” que ela menciona no episódio 16. Alice também complementa que nem mesmo aves conseguiriam chegar em níveis mais altos, já que, provavelmente, haveria uma magia especial de comando feita pela pontífice restringindo a área.

Ao ouvir isso tudo, Kirito analisa e apresenta três opções para que ambos escolhessem. Afinal, eles poderiam tentar descer, subir ou quebrar a parede novamente. Alice diz que a terceira seria inviável, haja vista que a parede de fora da Catedral, além de dotada de vida quase que infinita, também possuía habilidades regenerativas. Isso finalmente explica o porquê de ela ter se regenerado no episódio anterior, deixando Eugeo preso lá dentro (o hiato entre o conceito e a explicação é relativamente curto… claro, sem considerar a semana que se passa entre episódios). Sendo essa possibilidade difícil e descer bem fora de questão, Kirito pergunta se não haveria algum local na torre, mais acima, por onde eles poderiam entrar. Alice pensa e responde que, de fato, existia um local denominado Observatório Estrela da Manhã, abertos dos quatro cantos e composto apenas por pilares. Ele fica localizado no 95° andar e Alice deixa claro que, caso ambos cheguem lá, ela teria que acabar com Kirito ali mesmo.

Assim que isso é apresentado, finalmente vemos a solução que será usada para escalar. Kirito invoca um “System Call: Generate Metallic Element – Wedge Shape” para summonar um bastão metálico com gancho, o qual ele finca na mesma fresta que a Espada. A trilha sonora empregada aqui é excelente e ele, embainhando sua espada, se pendura no bastão, utilizando seu peso e realizando uma acrobacia para conseguir subir. Antes de mais nada, sim, isso é completamente plausível, na medida em que, além de dotado de grande agilidade, Kirito possui uma notável habilidade em se tratando de controle em mundos de VR MMO. Devemos sempre relembrar que UWO é um mundo do mesmo gênero que os de A Semente (claro, com sistemas de Full-Dive diferentes, mas servidores e mecânicas levemente semelhantes no sentido de controle). Assim, com experiência em se movimentar por um mundo virtual, como Kikuoka menciona no episódio 06, Kirito facilmente poderia utilizar esse tipo de movimento sem nenhuma dificuldade. Algumas das coreografias que ele utiliza em batalha são muito mais difíceis, por exemplo.

No mesmo ritmo, ele repete o comando e movimento, fixando outro bastão na fresta seguinte e subindo nele. O plano estaria, afinal, desenhado, mas Alice continua presa à espada e, quando Kirito a pede para subir, ela solta um “Impossível” que gerou grande surpresa em mim. A princípio, Kirito entende errado e diz que Alice facilmente poderia se içar para cima com sua força. No entanto, ela explica que, na verdade, nunca havia passada por uma situação daquela, justamente não possuindo habilidade para realizar as mesmas acrobacias que Kirito (inclusive, não foi mencionado mas a armadura poderia dificultar isso também). Sabendo disso, Kirito então muda seu discurso e passa a puxar a cavaleira pela corrente, fazendo-a ficar completamente envergonhada (mais uma forma de alimentar a personalidade Tsundere e, sobretudo, a comédia do episódio, mais leve em termos de filosofia e profundidade e possuindo um tom mais cômico nos diálogos… claro, sem fugir do complexo mundo de UWO).

Nosso herói consegue, com bastante dificuldade, puxar Alice devagar e se equilibrar na haste metálica, até o ponto em que ela se encontra pendurada ali e completamente trêmula e insegura, antes de por o pé sob uma das hastes. Esse tipo de característica agrega valor aos personagens, não apenas pela questão da comédia, mas também (e, principalmente) para reforçar uma das principais mensagens que Kawahara passa no anime: não importa o quão forte a pessoa seja, sempre existe uma fraqueza, uma brecha. Kirito, por exemplo, é completamente fraco no mundo real, ao contrário do virtual. Alice aqui segue a mesma linha. Ela é a representação completa de uma Cavaleira da Integridade, orgulhosa, empoderada e bem sucedida, com personalidade autoafirmada e importância simbólica de portar a encarnação da árvore do Ponto do Princípio. No entanto, por nunca ter lidado com situações como aquela ou necessitado improvisar, ela demonstra fraqueza. Ela pede para que Kirito tenha cuidado, ao passo em que, orientada por ele, finalmente consegue se estabelecer na haste. A cena se encerra com Kirito olhando para cima e não vendo qualquer perturbação, indicando que seria um longo caminho a percorrer. Sobre o fato de ele conseguir puxar Alice para cima da haste, não acredito que também haja problema. Novamente, isso é um tipo de cena possível, dado que Kirito se trata de alguém com excelente controle em mundos de VR MMO, com bastante experiência. Algumas das coreografias de luta dele exigem mais agilidade do que isso e, mesmo em um mundo real, ainda que com grande dificuldade, é possível fazer essa ação. Chamo atenção, também, para o fato de o anime deixar claro que Kirito possuiu grande dificuldade em Içar e sustentar Alice, devido, claro, à necessidade de equilíbrio e ao peso da Cavaleira. Em nenhum momento ele consegue puxá-la facilmente, muito pelo contrário.

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[SEGUNDA FEIRA, 6 DE JULHO DE 2026]

Poucos dias após a última aparição de Asuna, estamos de volta ao Underworld, no qual vemos Kojiro Rokko e Asuna sentadas à mesa, tomando café da manhã (aparentemente) e visualizando, da janela da Ocean Turtle, o mar. Assim como nas outras aparições, Asuna parece completamente distraída e imersa em seus pensamentos, olhando pela janela (provavelmente, isso é uma forma de deixar ainda mais claro o quanto ela se preocupa com Kirito e como ela dedica seus pensamentos à situação de seu amor). Rokko sorri e chama pela sua atenção, perguntando sobre algo despretensioso sobre a pesca nos arredores. No entanto, Asuna inspeciona o horizonte e nota a presença de um navio ao longe, o qual começa a se virar. A cientista, observando, conclui que ele não parece ser um navio pesqueiro, uma vez que este possuía diversas antenas, algo atípico para esse modelo de navio. Asuna pensa na hipótese de que seja um navio de guerra e, logo após essa dedução, o tenente Nakanishi aparece junto a elas para confirmar que se tratava de um navio japonês.

O tenente complementa sua aparição cumprimentando ambas as mulheres e explicando que não existiam exércitos no Japão. Rokko, analisando a situação, arrisca que seria um navio de autodefesa, o que Nakanishi responde que, na realidade, seria um modelo de escolta, praticamente um sinônimo. Ele chega a transferir algumas informações adicionais do navio, dizendo que seu modelo é o “DD119 Asahi”, um navio multiuso de escolta da arqueação 5, e que ele lidera a segunda geração do modelo Asahi, sendo o segundo de seu tipo, o chamado Shiranui. Enquanto Nakanishi continua a falar (essas informações, apesar de não serem tão relevantes para a história, aparecem com um objetivo simples de provocar comédia, já que Asuna e Rokko começam a “ignorar” o tenente enquanto ele fala diversas especificidades, e, ao mesmo tempo, confirmar o conhecimento de Nakanishi acerca de navios, como tenente), Asuna e Rokko observam novamente a janela, notando que o navio estava, afinal, mudando seu curso.

Ao ouvir isso e perceber que o navio estava de fato mudando de rota, Nakanishi pede licença e se afasta, comunicando-se com Kikuoka e reportando o acontecimento. Ele pergunta (e o diálogo nos dá uma nova informação) se o navio não deveria escoltar eles (a Ocean Turtle) até o meio dia do dia seguinte, obtendo uma resposta não revelada ao espectador pelo telefone. A cena do mundo real se encerra com Nakanishi tendo que se retirar, à mando de Kikuoka, em resposta àquela situação. Ele pede desculpas e se retira, enquanto Asuna e Rokko, não cientes do que estaria envolvido naquele navio, entram em um clima de maior dúvida, olhando novamente a janela do Ocean Turtle. A transição de cenas, especialmente, é muito bem colocada aqui (no caso, a cena do “tomate” para Kirito colocando mais uma haste de metal).

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Novamente curta, a passagem pelo mundo real, aqui, fora importante para situar o enredo e continuar o excelente compasso feito entre UWO e o Mundo real. Até agora, essa função de intercalar os dois mundos, respeitando o intervalo de tempo entre eles para manter consolidada a correspondência entre o Fluctlight Accelerator e o Tempo real tem sido uma excelente ferramenta na narrativa. Além de manter a progressão da história muito bem, atualizando o que ocorre dos dois lados, ela ainda pode alimentar mistérios dos dois lados. Aqui, no caso, os diálogos não foram tão produtivos quanto das últimas vezes em que fomos deslocados para o mundo real. No entanto, essa passagem conseguiu criar um clima de mistério, na medida em que já começa a ambientar a questão dos navios. Sem dúvida, embora os diálogos não sejam extremamente relevantes, a situação já alimenta um possível gancho para Plot Twist e, por isso, tem sua importância dentro do enredo.

[25 DE MAIO, ANO 380 DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE]

De volta à UWO, vemos Kirito fincando mais uma de suas hastes metálicas na Catedral e subindo com a mesma “acrobacia”. Alice, logo abaixo, inspeciona o horizonte e observa que já é pôr do sol em Underworld (essa cena, claramente, serve para nos mostrar como eles estão correspondendo bem o tempo). No entanto, as coisas não parecem estar em bom clima, uma vez que Kirito, pronto para invocar mais um “System Call: Generate Metallic Element – Wedge Shape”, não consegue gerar a haste necessária, além de parecer esgotado, como podemos ver ao suspirar. Em resumo, não se tratava de algo tão fácil como parecia. Alice diz logo em seguida: gerar objetos é algo que esgota os recursos espaciais de uma forma significativa. Ela estima que, assim que “Solus” se por, eles teriam sorte se conseguissem gerar um por hora, confirmando que, afinal, a saída que eles encontraram não é sem resistência. Na verdade, não só se encontram pendurados sob uma altura absurda, como também não são mais capazes de gerar hastes para subir, estando sem alternativas.

Alice, nesse momento, pergunta o quão alto eles conseguiram subir, obtendo a resposta de que estariam por volta do 85° andar. Isso seria um problema, visto que o Observatório Estrela da Manhã é localizado apenas no 95° andar, como Alice conta aqui, ainda faltando 2/³ do caminho de escalada. Kirito, então, nota a presença de uma mini-plataforma ou marquise logo acima, na qual estão localizadas estátuas de gárgulas. Não, isso não pode ser considerado uma conveniência de roteiro, na medida em que é algo completamente plausível se considerarmos as mais diversas construções, incluindo uma majestosa como a Catedral Central. Alice inspeciona as estátuas de longe e demonstra uma certa dúvida do porquê elas estariam ali, ao mesmo tempo em que Kirito, tendo em mente um “checkpoint”, teoriza que eles poderiam descansar ao subir até ali durante a noite, quando ficaria escuro e perigoso. Contudo, como já vimos, ele não era capaz de gerar mais hastes àquela altura do campeonato e, como ele mesmo estipula, seriam precisas mais duas para que ele pudesse alcançar a plataforma.

Alice, ao ouvir isso, revela que poderia auxiliar Kirito com as hastes e, assim, mostra um “recurso de emergência” que estaria guardando: sua luva de ouro restante também poderia ser alterada com um “System Call: Change Form Object – Wedge Shape”. Assim, ela muda a forma da luva e consegue formar duas hastes de ouro, as quais poderiam ser utilizadas. Vale lembrar que, novamente, foi preciso que ela abrisse mão de suas duas luvas, peças de sua armadura de cavaleiro. É possível que elas retornem à forma original depois. No entanto, não deixa de ser uma excelente alternativa encontrada, que lança mão de diversos recursos já explicados e ambientados no anime (comandos de sistema) e não fornece recursos gratuitamente para o usuário (Alice tem de abrir mão de sua armadura, enquanto Kirito só pode gerar um número limitado de objetos).

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Agora usufruindo das hastes de ouro, Kirito finca mais uma na Catderal e é capaz de subir (falta apenas uma haste), além de puxar novamente Alice torre acima. Nesse ponto, ambos olham para cima e se depara com uma vista mais próxima da estátua, a qual deixa Alice, como podemos perceber pela sua expressão, alarmada. Kirito apenas comenta acerca do design, haja vista sua falta de conhecimento. Porém, para alguns de nós e para os dois, vem a surpresa: a gárgula toma vida, assumindo uma cor cinza escura, enquanto Alice completa sua frase, dizendo que a criatura era do Dark Territory. E, aqui, tem início a cena de ação correspondente a esse episódio.

A gárgula do Dark Territory deixa a plataforma e alça vôo, com Alice a observando, exibindo uma expressão surpresa e ao mesmo tempo que parece amedrontada. Sendo uma Cavaleira da Integridade extremamente forte, é difícil acreditar que Alice tenha medo dessas criaturas, o que, como iremos ver mais a frente no episódio, resulta, na verdade, da situação em que ela se encontra, presa sobre uma haste e sem condições de enfrentá-los. Em resumo, a expressão de Alice aqui não deve ser entendida como medo das criaturas, mas sim de cair. E, para piorar ainda mais a situação, é revelado que existem outras duas criaturas do Dark Territory, as quais também criam vida e sobrevoam os dois espadachins. A gárgula ataca Kirito, que consegue se desviar dos ataques, embora também não acerte um golpe com espada. Ele faz a “gárgula” recuar e então arremessa uma das hastes de ouro no peito dela, atingindo-a. Todavia, esse tiro não é o bastante para derrubá-la, fazendo-a se afastar enquanto as outras duas avançam para cima de Alice.

Vendo a situação em que se encontram, Kirito pede para que Alice saque sua espada. Porém, encurralada em cima da haste e sem confiança, nada ela pode fazer diante de suas inseguranças (aqui somos definitivamente apresentados ao fato de que o medo de Alice se deve a ela estar pendurada, e não às criaturas em si). Kirito, no beco sem saída em que está, conclui que seria terrível caso eles resolvessem atacá-los simultaneamente, enquanto as três criaturas sobrevoam e rodeiam. Chama a atenção que, em meio aos traços muito bonitos e à animação bem feita que Sword Art Online apresenta, encontrei um leve defeito em apenas uma cena (a das criaturas sobrevoando), no qual a A-1 deixou de animar a plataforma acima deles e as hastes abaixo. Provavelmente, se trata de uma forma de economizar tempo na animação, mas ainda sim não pode ser ignorado como um detalhe. Não que seja algo grave ou um defeito de enredo, apenas algo técnico quase que insignificante, mas que está ali.

Tomando a calma, Kirito embainha sua espada e decide por uma solução mirabolante. Ele chama Alice (assume o comando da situação), diz que, caso eles sobrevivam ele pediria desculpas o quanto ela quisesse e faz a única coisa que poderia ser feita ali, embora arriscada: dá um incrível puxão nela, que é jogada para a plataforma acima, gritando (uma Cavaleira da Integridade, forte, empoderada e extremamente orgulhosa, gritando, não tem preço… a comédia dessa cena foi excelente) e, assim, cai. No entanto, como Alice havia chegado à plataforma, ela é capaz de puxar Kirito de Volta, que voa em direção à parede e bate com toda a força. A comédia da cena, volto a dizer, é muito bem colocada, principalmente se considerarmos a raiva de Alice após ser puxada e a leve caricatura no puxão dado em Kirito. Entretanto, ao meu ver, essa cena em específico apresenta um problema. Alice, como Cavaleira da Integridade, provavelmente possui um corpo cheio de músculos e que esbanja preparo físico, logo é capaz de levantar Kirito facilmente. Kirito, embora não seja exatamente forte, também deveria ser capaz de levantar Alice. Porém, nessa situação, ela utiliza uma armadura, e esta é feita de Ouro, a qual deveria ser bem pesada. Kirito ser capaz de puxar Alice sobre a Haste não é forçado, muito pelo contrário. No entanto, ele ser capaz de içá-la em grande velocidade, quase que atirando-a, sim, não faz muito sentido com a física. O peso da armadura, acredito eu, deveria fazer uma diferença (me corrijam caso eu esteja errado). Já no caso de Alice, faz total sentido que ela consiga puxar Kirito daquela forma. O problema que encontrei, no entanto, não é algo que prejudica o enredo completamente, apenas um detalhe em meio ao episódio, sem qualquer prejuízo em progressão, filosofia e outras esferas da história.

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Para completar a comédia da cena, ainda desfrutamos de mais insultos entre Kirito e Alice, sendo que ele se desculpa por ser a única alternativa. E, voltando ao combate, ele pede atenção e ambos se voltam às “gárgulas”, que agora se dirigiam para atacar. Kirito e Alice tiram as correntes de ouro e brandem as espadas, enquanto Kirito olha para o lado e observa mais uma das estátuas, agora ao longe. Alice, ao seu lado e esperando o golpe, ensaia um resmungo de que seria verdade que “eles estão aqui”. Kirito, sem nenhuma experiência com monstros do Território Negro, pergunta se Alice conheceria eles e, de fato, ela demonstra ter conhecimento, dizendo que eles são “familiares do mal e sem alma”, controlados por habitantes do Dark Territory. A cavaleira também acrescenta que eles são criados a partir de massas de terra, daí a forma com que são chamados: minions. Kirito, ao ouvir tais palavras, questiona o porquê de eles estarem enfileirados e escondidos na Catedral Central, território dos humanos. O diálogo, até aqui, constitui uma explicação ao espectador e ao próprio protagonista acerca dos Minions. Afinal, o enredo começa a detalhar melhor, pouco a pouco os habitantes do Dark Territory, assunto que esteve tão em voga nos últimos episódios, com a questão do Teste Final de Carga e do boato de que Kirito e Eugeo fossem invasores do Dark Territory, como disseram Fizel, Linel e Fanatio.

Ao ser questionada, Alice não esconde sua reação (ela é bem estampada em seu rosto), demonstrando que também desejava saber o que monstros como minions estariam fazendo naquele local. Afinal de contas, o objetivo “fachada” dos Cavaleiros da Integridade, como devemos sempre recordar, é proteger o império da Humanidade das forças do Dark Territory. Como Alice observa, era praticamente impossível que aquelas criaturas passassem da vigília dos Cavaleiros da Integridade. Ao mesmo tempo, Kirito conclui que alguém do alto escalão da Igreja teria de ter posicionado as criaturas naquele local, o que sugere que, na verdade, eles poderiam estar ali apenas com o consentimento de alguém. No final das contas, esse ponto é extremamente importante para a narrativa, na medida em que é, em junção ao discurso de Kirito logo no começo do episódio, a razão que inicia a dúvida de Alice dos ideais propagados por Quinella e pela Igreja do Axioma. É um paradoxo, afinal, que o objetivo dos Cavaleiros seja defender o território humano mas que, ao mesmo tempo, eles posicionem seus inimigos em sua base principal, no próprio território. E isso foi, sem dúvidas, feito por alguém do alto escalão, o que sugere um traidor ou, provavelmente, uma ação feita por Quinella, cujos motivos ainda não foram revelados (os motivos e o “traidor” permanecem ocultos, constituindo mais um novo mistério na narrativa). A cada pergunta respondida, surgem novas, o que mantém o clima do mistério em um nível acessível.

Kirito, ainda sobre o posicionamento dos minions, diz que aquilo seria impossível, uma outra possível hipótese. Concluindo a teoria, temos diversas possibilidades: há um traidor na igreja; Quinella posicionou as criaturas; as criaturas passaram pela vigília; ou, dentre outras situações, os inimigos encontraram alguma forma de posicioná-las ali e se infiltrarem. Nesse momento, voltamos à ação, com os minions mergulhando em ataque aos dois espadachins. Kirito avisa Alice, mas ela, com todo o seu orgulho de cavaleira, responde brandido a espada e cortando furtivamente as duas criaturas que avançaram sobre ela com um único golpe. É irônico que uma cavaleira possa ser tão poderosa e, ao mesmo tempo, possa parecer tão impotente em situações que não consiga lidar, como é o caso de estar pendurada.  Tendo finalizado com um único golpe e mantendo sua personalidade orgulhosa, ela embainha a espada e observa Kirito que duela com o terceiro minion (o mesmo em quem havia atirado a haste de ouro) com um ar de superioridade, perguntando-o se precisaria de ajuda.

Provocado, nosso herói diz não precisar e ergue a cabeça contra o montro que vinha em dua direção. Ele o afasta com três golpes de espada e recua para preparar sua Sword Skill, mantendo a espada em posição para desferir um corte. Com o ataque carregado, ele acerta o monstro em cheio em quatro golpes, cortando seus membros e, finalmente, o derrotando, enquanto o sangue negro do inimigo escorre de sua espada e chega a pingar uma gota em seu rosto. Ao notar o olhar suspreso de Alice (a expressão que ela faz quando vê Kirito em ação é de uma leve surpresa), ele pergunta o que seria, obtendo a resposta de que ela havia achado seus movimentos desajeitados para uma performance de esgrimista. Ela ainda comenta que, caso ele subisse no palco em um festival de solstício, chamaria grande atenção. Esse mini-diálogo exige um pouco mais de observação da trama para ser entendido: como já sabemos, as performances de esgrima em UWO, sobretudo na Academia da Espada e nos torneios das cidades (como em Zakkaria), são coordenadas como performances mais estilíscias e baseadas na técnica do espadachim. Não devem ser interpretadas, portanto, apenas como meras lutas, mas sim como formas de tradução do estilo, da confiança e dos ideais hereditários (o estilo, como Volo Levantheim e Sortiliena nos explicaram anteriormente, é passado por dinastias, também representando a questão do orgulho e da ideologia de uma família).

Sword Art Online: Alicization #17 - Por uma Haste - Comentários Semanais 20
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Sword Art Online: Alicization #17 - Por uma Haste - Comentários Semanais 23

Sob essa ótica, Alice faz um comentário parecido (mas em um tom diferente do deboche) ao de Raios e Humbert no episódio 09, a respeito do estilo de Eugeo. Eugeo e Kirito seguem o estilo Aincrad, algo alternativo e inventado por Kirito, que não pertencia àquele mundo. Os movimentos, portanto, são diferentes dos usuais e chamam a atenção dos outros esgrimistas, como algo que não se encaixa no padrão. É dessa forma que podemos compreender o que Alice havia dito e, também por isso, que é preciso aplaudir Kawahara por ter reaproveitado esse detalhe aqui, de uma forma completamente sutil mas que revisita a história, explorando seus mais ricos detalhes e nos relembrando cada vez mais dos episódios.

Ao notar o que Alice havia comentado, Kirito estranha o fato de ela conhecer o festival de solstício de Centoria, uma vez que, como ele explica, se tratava de um festival de plebeus e, mesmo na Academia da Espada, os filhos de nobres, em maioria não compareciam. Como também devemos lembrar, a Academia era composta em boa parte por nobres, alguns de alta classe (como Humbert e Raios) e outros de baixa classe (como Tiese). Alice acaba por responder que não estaria “no mesmo saco que esses nobres arrogantes”, o que é bem irônico vindo dela, já que se trata de uma Cavaleira da Integridade e, como todos os que vimos anteriormente, possui um ar de superioridade quase que característico. Ela começa a responder que havia visto quando, de repente, leva as mãos à cabeça e parece não lembrar do restante. Quando Kirito pergunta se ela estaria bem, Alice responde que havia ouvido sobre o festival de um dos monges da igreja, uma vez que os Cavaleiros da Integridade são proibidos de interagir com a população caso estejam em uma missão.

Na verdade, essa proibição é mais um excelente ponto do enredo que evidencia o paradoxo das regras da Igreja do Axioma, desde o início evidentes para nós. Chama a atenção como Cavaleiros que protegem o território humano, sendo, portanto, os protetores e heróis segundo seus deveres, são impossibilitados de interagir com a meta que tanto protegem. No final das contas, as contradições das leis da Igreja são bem evidentes e agregam ainda mais interesse no enredo, nos mostrando cada vez mais o ponto de vista contrário a Quinella. O enredo em si, além de deixar claro que a Igreja serve apenas à tentativa de manter o governo de Quinella, também deixa várias pistas evidentes de como o Index Taboo e as regras são contraditórias com o propósito “fachada”. O desenvolvimento da Aministrator é a forma do enredo nos explicar a origem e como a Igreja está errada. Já as filosofias de Kirito e as diversas contradições, questionamentos e ações erradas são a forma do enredo mostrar os personagens sendo convencidos, pouco a pouco, do ponto de vista de Kirito.

Após dizer isso, Alice aponta para o rosto de Kirito e adverte que o sangue de minions carrega doenças, sendo melhor que ele limpasse a mancha em seu rosto. Nosso protagonista ensaia limpar com a manga de sua camisa, o que gera um “asco” em Alice, que o repreende de imediato. Nesse sentido, ela leva a mão à cabeça e resmunga que “todos os homens são assim”, perguntando se ele não possuía um lenço. Obviamente sem lenço, Kirito responde que não, o que provoca uma inusitada reação em Alice, que tira um de sua armadura e o empresta. Ele agradece, mas ela diz para que ele a “devolva lavado”, estampando claramente uma personalidade Tsundere, ainda mais do que no início e meio do episódio. Alice, ao meu ver, claramente segue esse padrão de comportamento, e isso contribui de uma excelente forma para a comédia da cena (novamente, essa cena é mais despretensiosa quanto ao enred, sendo mais focada na comédia, com diálogos mais descontraídos e naturais). Kirito sorri e a cena entre eles se encerra por esse episódio.

Sword Art Online: Alicization #17 - Por uma Haste - Comentários Semanais 24
Sword Art Online: Alicization #17 - Por uma Haste - Comentários Semanais 25

Acerca da cena que acabou de discorrer, preciso novamente destacar como Alice possui uma personalidade muito bem definida. Além do comportamento Tsundere e da forma orgulhosa com que age (até bem parecida com Asuna em SAO I), ela também possui fraquezas e medos evidentes, apesar de toda a força como cavaleira (no caso, o medo de altura), e também mantém um certo vestígio de delicadeza, apesar de ser completamente “durona” como guerreira. Todas essas características, sem exceção, também foram vistas em Asuna (sobretudo em Aincrad), o que talvez seja o motivo pelo qual elas, pessoalmente me agradaram. Sobre elas serem boas ou ruins, não acredito que seja possível julgar objetivamente, afinal, são apenas características. Porém, indiscutivelmente, a personalidade dela é até bem delimitada para nós, o que não havia sido mostrado ainda. Mas o que mais me chama atenção é o fato de ela ser um projeto de personagem representativo de uma dualidade. Sim, Alice, assim como fanatio, Asuna e outras garotas, possuem um lado muito orgulhoso e mais empoderado, independente. No entanto, como vemos aqui, ela não deixa de apresentar, também, uma certa delicadeza em si, podendo ter um lado mais amável apesar de tudo (nesse episódio, as cenas que me provam isso são, obviamente, a questão do medo de altura e o próprio lenço).

Esse tipo de personagem que Kawahara cria ilustra arquétipos muito interessantes de uma transição da imagem da mulher no cenário atual. Elas são, afinal, uma mistura da mulher atual, mais empoderada e capaz de correr atrás de seus objetivos por si só, e do modelo de mulher característico de sociedades mais antigas, baseadas no cavalheirismo e que transferem à mulher um papel mais delicado. Em resumo, é um contraponto aos que dizem que as personagens são tratadas apenas com esse lado. Na verdade, a mensagem que acredito que Kawahara quer passar, é que, sendo influenciadas plea concepção das duas gerações, as mulheres podem sim possuir ambos os lados em suas personalidades. Ele não atribui papéis às personagens femininas, e sim felxibiliza esse limite. Isso, em última instancia, é algo que, ao meu ver, é digno de aplausos e um ponto interessantíssimo nesse enredo. Embora esse seja um ponto extremamente positivo na obra, também não posso deixar de destacar que a forma escolhida de interação entre Kirito e Alice revela um leve clichê. Dois inimigos que são obrigados a cooperar para que possam sobreviver e, ao final, se tornam amigos, é algo já utilizado em uma boa quantidade de obras (Percy Jackson, A Nova Onda do Imperador e outros exemplos). Isso é um problema no enredo, mas que deve ser devidamente pesado e, logo, não resulta em grande queda de nota, visto que, apesar de clichê, não haveria o que fazer após a quebra da parede. Em outras palavras, pelo fato de Eugeo ter de se separar de Kirito e Alice, o que Kawahara optou por fazer ao quebrar a parede da Catedral, não havia outra escolha senão esse caminho. Alice e Kirito, no caso, não poderiam se matar escalando a torre, eles teriam que realizar uma trégua. Assim, embora seja um clichê, não é algo que resulta de mau planejamento, mas sim de um fechamento que só dá espaço a uma única opção.

Com o fim da cena, entramos de volta na Catedral Central e vemos Eugeo nas escadas. Ele sobe as escadas sozinho, enquanto (estava faltando ele) o bom e velho monólogo explicativo (imersão: checked) de Sword Art Online resolve aparecer. Eugeo pensa que, depois de 2 anos estando junto de Kirito, essa é a primeira vez em que está sozinho. Kirito, afinal, sempre esteve ao lado dele. Desse modo, ele começa a refletir sobre o que Kirito estaria fazendo e, assim, teoriza que ele já estaria escalando a torre pelo lado de fora, assim como Alice. Isso foi, ao meu ver, bem interessante, na medida em que, particularmente, eu esperava que Eugeo estivesse aflito e daria Kirito e Alice por mortos. O sentimento escolhido por Kawahara só é mais uma prova de como Kirito e Eugeo já possuem um laço muito bem construído, ao ponto em que ambos confiam um no outro e acreditam no potencial um do outro, Isso não se vê apenas pelos diálogos e pela coordenação nas batalhas, mas também pela forma com que Eugeo não acredita na morte de seu amigo. Kirito, provavelmente, também espera encontrar Eugeo no 95° andar.

Eugeo chega à uma grande porta, a qual delimita a entrada para o 90° andar, aparentemente, e cerra os punhos. Observando que deveria haver um Cavaleiro da Integridade dentro, a tensão dele é visível, mas ele adentra o andar. Ao abrir a porta, ele se depara com uma terma, composta por fontes de tigres (a arte da sala é especialmente bonita, incluindo a animação da água) e paredes de vidro grandes. Ele caminha pela sala e percebe que se trata de uma fonte termal, quando nota, ao fundo, uma presença. Ele se vira e percebe um homem de cabelos azuis, nu, usufruindo da fonte, o qual, ao perceber que ele havia se preparado para puxar a espada, pede para que ele espere mais um pouco. Ele se levanta, pelado e cheio de músculos (e várias cicatrizes no corpo) e explica que haveria chegado recentemente na capital, precisando relaxar por estar tanto tempo montado em um dragão. Eugeo observa a presença imponente do cavaleiro, o que fica bem estampado em sua expressão, ao mesmo tempo em que o homem se vira e sorri. Um sorriso carismático e a revelação de que o homem, em si, se trata finalmente de Bercouli, o comandante dos Cavaleiros da Integridade, o primeiro e, provavelmente, o mais forte deles. E, ao som da ending, o episódio se encerra aqui.

Sword Art Online: Alicization #17 - Por uma Haste - Comentários Semanais 26
Sword Art Online: Alicization #17 - Por uma Haste - Comentários Semanais 27
Sword Art Online: Alicization #17 - Por uma Haste - Comentários Semanais 28

A priori, a personalidade de Bercouli já me agradou. Embora ele provavelmente (não afirmo isso, apenas teorizo) seja orgulhoso, tal como os demais cavaleiros, a forma despreocupada dele, contrastando com os demais, já atrai a curiosidade. Fanatio, Alice, Deusolberth e Eldrie já se encontravam preparados quando Kirito e Eugeo chegaram na Catedral. Ele, no entanto, se encontra relaxando na terma, sem qualquer preocupação (isso também pode ser uma amostra do orgulho). A personalidade dele, ao que tudo indica, deverá ser ainda mais evidente que o restante dos cavaleiros, além de a história dele se conectar à de Alice e de Fanatio, o que já vimos anteriormente. O gancho de finalização, quase um Cliffhanger, é novamente excelente e atrai a curiosidade do espectador para o episódio seguinte.

NOTA FINAL: Apesar de manter um alto nível com respeito às passagens de crítica social, construção de mundo e personagens e filosofias, esse episódio apresentou uma menor incidência disso. Isso se deve, principalmente, pelo foco dele ser mais voltado para a comédia da interação Alice-Kirito. Somando isso às ressalvas do leve clichê visto, do defeito rápido de animação (quase insignificante) e da cena da corrente, inverossímil com o peso da armadura, a nota final do episódio é 8,8. Embora ainda seja relativamente alta, é a menor das notas dentre todos os episódios da temporada, justamente porque foi o único que apresentou mais de um defeito que incomodou, na minha análise. Alguns outros possuíram até cenas que puderam ser consideradas problemas, porém, elas foram leves. As cenas desse, embora leves, foram mais numerosas, motivo pelo qual a nota caiu de um possível 9,5 para a atual. Ainda sim, a qualidade do anime é ótima, mantendo monólogos importantes e que contribuem para a imersão, choques de filosofia, personagens com construções que evidenciam boas mensagens e uma construção de mundo fenomenal, com ótimos encadeamentos de informações, uma das melhores características que vivo destacando na obra. Ainda há, nesse episódio, o adicional das cenas de comédia e alívio cômico, menos presentes na série por tratar de uma construção de mundo mais séria. O restante dos comentários está diluído pela review.

CONFIRA TAMBÉM | SWORD ART ONLINE: ALICIZATION #16 – ESCRAVOS DE UM PROPÓSITO – COMENTÁRIOS SEMANAIS