A Luz da Ilusão
  • AVALIAÇÃO DO AUTOR

Após 19 segundos de uma OST lenta e mais melancólica, com a cena remontando ao fim do episódio anterior, onde Eugeo e Kirito se depararam com duas garotinhas ao pé da escada, finalmente, a garota que exibe uma expressão mais sorridente (a loira de cabelos curtos) suspira e se pronuncia. Ela se apresenta e diz ser Fizel, uma noviça da Igreja do Axioma, enquanto sua companheira, mais tímida, também se pronuncia aos poucos. Sue nome é Linel. Fizel desce lentamente as escadas, com uma expressão mais despreocupada que a amiga, perguntando se eles seriam os dois intrusos advindos do “Território Negro” de quem as pessoas estavam falando. Nesse momento, Kirito exibe uma expressão levemente desconfiada, fala com Eugeo que não leva muito jeito com crianças e “deixaria isso com ele”. Ele se posta atrás do companheiro, enquanto ele, tímido, responde às meninas que eles, na realidade, são do domínio humano, mas, de certa forma, são intrusos na catedral.

Ao ouvirem isso, as duas garotas se agacham e começa a sussurrar, questionando o que havia sido dito a elas de que eles fossem do território negro. Elas constatam que não há a presença de chifres, rabos ou outros elementos característicos dos habitantes daquele local, a exemplo dos Goblins que vimos nos episódios 03 e 04. A forma com que elas fazem isso é bem “bonitinha”, típica de lolis, e, ao mesmo tempo, a discussão delas cumpre, indiretamente, um papel interessante: Quinella mente para seus subordinados que não são os cavaleiros, notificando-os como se Kirito e Eugeo fossem originários do Território Negro e, portanto, propícios à Maldade ou atrocidades. É bem típico, quando se tem a vantagem da defesa ou ser quer conquistar aliados, se vitimizar a fim de obter reforços. No entanto, aqui, Quinella usa isso como forma de legitimar o uso da força contra Kirito e Eugeo e esconder seus verdadeiros propósitos para invadir a Catedral, isto é, a verdade.

Linel conta que havia apenas descrito como os habitantes do território Negro haviam sido desenhados nos livros. Então, Eugeo, observando as duas garotas, pergunta se não haveria algum problema em que elas estivessem ali falando com eles. Fizel se levanta e responde que, naquele dia de manhã (isso indica que já estamos no dia 26 ou mais… não que faça tanta diferença assim), todos os monges, freiras e noviças haviam sido ordenados a trancarem-se em seus devidos quartos, logo, não haveria risco em elas serem pegas caso dêem uma olhada nos intrusos. Ela se aproxima, fazendo uma espécie de “pose de aviãozinho”, característica de uma criança inocente, e questiona, novamente, se eles eram humanos. Linel diz o que já sabíamos: eles haviam escapado de suas celas, quebrando as correntes espirituais, e derrotado dois Cavaleiros da Integridade. Ela também conta, enquanto Fizel anda alegremente em torno, que elas esperavam que eles fossem Cavaleiros Negros ou então habitantes do Dark Territory.

Linel, mais tímida, se aproxima de Eugeo (isso vai dar um ruim que já estou até vendo, pelo Spoiler que a opening deu) e pergunta a eles seus nomes. Eugeo, então, diz seu nome e o de Kirito (Kirito ainda olha desconfiado para as duas, o que me leva a crer que não está tão crente dessa história). Ela também pergunta se eles não possuiriam nome de família, obtendo a resposta de que não, afinal eles eram filhos de colonos. Eugeo pergunta se elas também não possuiriam nomes e, nesse momento, seu rosto aparece envolto em uma sombra, claramente a demonstração de maldade, enquanto ela responde que, sim, elas possuem nomes, e faz o movimento. Apunhalando Eugeo com a faca que pendia, antes, à tiracolo, ela sorri e diz que seu nome, completo, é Linel Synthesis Twenty-Eight (a 28º  cavaleira da Integridade) e, assim, começa a abertura.

Com essa revelação, logo no começo já ficamos extremamente curiosos. Como poderia uma criança, sem armadura, ser uma cavaleira da Integridade? Afinal, Quinella não apagava as memórias dos cavaleiros e as trocava por lealdade à igreja? O conceito fora introduzido e deixou o público com dúvidas. Porém, logo logo saberemos da história (já antecipando, sim… trata-se de mais um dos abundantes hiatos curtos entre conceitos e explicações de SAO). É preciso destacar que a Opening mudou algumas cenas em relação ao episódio anterior, agora contando com uma cena de luta entre Eugeo e o cavaleiro Bercouli, o mesmo que fora representado na lenda e havia derrotado o Dragão Branco nas Montanhas do Fim. Embora isso não signifique que ele vá lutar contra Eugeo, já que, na mesma Opening, aparece Deusolberth lutando com Kirito e, no final das contas, vimos que ele havia perdido para Eugeo, acredito que, sim, isso seja um “spoiler”, já que o anime desfrutaria de muito mais simbolismo caso a luta seja entre Eugeo, o atual, e Bercouli, o teórico portador da Blue Rose Sword. A animação dessas novas cenas inseridas é ainda mais impecável que as antigas e devo parabenizar a A-1 pelo trabalho.

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Findada a Opening, somos levados ao título do episódio: “O Cavaleiro Implacável”, enquanto retornamos à derradeira cena. Eugeo, apunhalado e ainda incrédulo, olha para a garotinha, enquanto Kirito, ao esboçar uma reação, é apunhalado em suas costas por Fizel. Ela, nesse momento, diz seu nome: Fizel Synthesis Twenty-nine (ambas, logo, são Cavaleiras da Integridade, e não noviças da igreja). Elas retiram as adagas dos dois amigos e observam eles caírem estirados no chão, enquanto Eugeo olha para Linel, sua visão tremendo e embaçando (excelente perspectiva para ser autoexplicativo). Logo depois, vemos as garotas subindo as escadas, ao mesmo tempo em que arrastam os corpos dos nossos heróis. Linel diz que é apenas um veneno paralisante, o que explica o fato de eles estarem imóveis. Elas contam estar arrastando os dois heróis para o quinquagésimo andar, o mesmo no qual Cavaleiros da Integridade estariam esperando Kirito e Eugeo para exterminá-los. No entanto, o diálogo que ela utiliza para contar é um pouco macabro, ponderando que a única diferença seria se eles iriam morrer ali ou no quinquagésimo andar.

Assim, enquanto arrastam os dois, Linel começa a explicar para eles como as duas, apenas crianças, se tornaram Cavaleiras da Integridade. E, de fato, esse era o mistério principal do episódio até agora. Nessa perspectivas, somos levados a um flashback, no qual vemos a catedral e uma espécie de Coliseu. Linel conta que elas foram criadas pelos monges e freiras da Igreja, a mando da Administrator-sama, para que fossem utilizadas em uma espécie de experimento. Esse experimento consistia em testar uma arte sagrada de ressurreição para restaurar uma vida perdida. Dessa forma, as duas garotas receberam seus propósitos aos cinco anos de idade (sim, míseros CINCO ANOS DE IDADE… o que essa Quinella fez?). Vemos, na imagem, as duas segurando suas facas, já com essa idade, e adentrando a carnificina. O trabalho, afinal, era assassinar uns aos outros, para que Quinella, a pontífice, pudesse utilizar artes sagradas nos mortos e revivê-los, experimentando a magia. A animação do flashback é bem representativa e contribui muito para a explicação, além de bem feita. No entanto, diferentemente das duas, que reviviam completamente, nem todas as crianças desfrutavam da mesma sorte.

No começo, sobretudo, a magia de Quinella era um”desastre”, como conta Fizel. Houveram várias crianças, produtos de falhas da ressurreição, que simplesmente explodiam em pedacinhos, enquanto outras se transformavam em pedaços de carne. As cenas de vultos e imagens empregadas no flashback, também, são auto-explicativas e contribuem muito para isso. Elas chegam a mencionar que, até mesmo, alguns conseguiram recuperar a vida, porém foram transformados em outra pessoa (alteração do Fluctlight). Observando e vivenciados todos esses horrores, Fizel e Linel desejavam evitar o máximo possível de dor enquanto morriam (elas mencionam como “dor desnecessária”), ao mesmo tempo em que almejavam escapar desses destinos desastrosos durante o experimento. Assim, pesquisando (provavelmente na biblioteca, bem como aliando o conhecimento à prática), elas foram capazes de descobrir que, ao matar em um golpe só, a dor seria mínima (isso é comum de ser abordado, mas não desse jeito… geralmente, essa abordagem de “evitar a dor durante a morte” é mais associada aos “tiros de misericórdia, um contexto diferente daqui e, logo, esse tipo de questão não se torna clichê), assim como a chance de que elas fossem ressucitadas seria maior. Elas não mencionam outras pessoas que pesquisaram junto com elas, o que nos leva a crer que nenhuma das outras crianças possuía essa vantagem.

Linel ainda conta que isso passava muito pela forma e pelo local como davam o golpe. Dessa maneira, elas aprenderam a focar em cortar a cabeça ou perfurar, profundamente, o coração, para que maximizassem a chance de sucesso e reduzissem a dor. No entanto, o experimento se revelou, com o passar do tempo, um verdadeiro fracasso. No final das contas, era complicado mexer com ressurreição, o que fez com que Quinella abandonasse o projeto na época em que elas possuíam apenas 8 anos. Sim, elas passaram 3 anos naquele inferno, no pesadelo, forçadas por um propósito para coletar o conhecimento necessário que ajudasse a manter Quinella no poder. Chega a ser impressionante como Alicization consegue construir uma história tão encadeada: Quinella é a própria representação das ambições, do tirano. Chega até a pensar que ela possui alguma vaga inspiração em “O Príncipe”, de Maquiavel, já que é justamente um projeto filosófico de um governante temido e que faz aquilo que lhe convém, transcendendo qualquer tipo de convenção ética ou moral, para se manter no poder.

E é impressionante como essas transgressões da moral são aproveitadas na obra, escapando ao limite antes visto de um VR MMO sem dor. Alicization não é apenas um mundo mais realista e povoado por personagens muito mais humanos e dotados de emoções, como também cria situações em que isso pode ser mostrado de uma forma incrível. O mundo não possui apenas a existência da dor, mas também sabe retratar a existência dela de uma forma muito realística. A dor da perda, da tortura, do medo, da punição, sofrida, sobretudo, pelos Fluctlights, escravos de um propósito dado como convém à governanta, manipuladora. Fico no aguardo de como uma possível guerra ou a luta pelas memórias possa ser retratada, esperando uma grande retratação de perdas e um drama de excelente qualidade, caso o anime continue por esse caminho.

A cena de todas as crianças desaparecendo, sobrando, por fim, apenas Fizel e Linel, me lembra muito o elemento de Drama da ending final de Angel Beats!, algo sutil que contribui de forma explicativa e dramatizante para o simbolismo das perdas. As duas garotinhas, sobreviventes de um cruel experimento com 30 pessoas, foram tornadas Cavaleiras da Integridade honorárias pela pontífice. Nesse momento, Eugeo, escutando as palavras delas (perceba que Kirito mal é mostrado aqui… entenderemos o porquê logo depois), arregala seus olhos (provavelmente é um recurso para demonstrar que o efeito da paralisia estaria passando). Claro, por serem apenas crianças com potencial, elas não haviam aprendido o suficiente para ficarem de guarda como os outros Cavaleiros, logo passaram os dois anos seguintes (elas possuem 10 anos agora) estudando as artes sagradas e as leis. Linel diz estar farta disso, e que elas já estavam trabalhando em descobrir uma maneira de conseguirem seus dragões e Objetos Divinos mais rapidamente.

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De repente, elas ouviram que a Catedral havia sido infiltrada por habitantes do Território Negro (como constatamos no início do episódio) e decidiram esperar pela chegada deles. Dessa forma, caso elas fossem capazes de capturá-los, elas poderiam ser promovidas, como recompensa, imediatamente para Cavaleiras da Integridade. Linel ainda acrescenta que elas haviam utilizado veneno para que eles fossem levados vivos para o 50° andar, onde elas os executariam. Desse modo, é esperado que elas estejam fazendo isso para que os cavaleiros ali presentes, ainda desconhecidos, sejam testemunhas. Novamente, Linel apresenta um diálogo bem sádico, do tipo “não se preocupem, nós somos excelentes executoras… não vai nem doer”. Vale lembrar que Eugeo ainda se encontra imóvel, mas com uma expressão encrencada, enquanto Kirito ainda não foi mostrado (em breve entenderemos o porquê).

Adentrando o quinto andar, as garotas atiram os corpos imóveis de Kirito e Eugeo no salão. Eugeo olha para frente e percebe a existência de cinco Cavaleiros da Integridade. Quatro deles utilizam uma armadura branca, todos iguais, enquanto o central ostenta uma roxa e branca, como se fosse o líder deles. Com um hiato curto entre o conceito e a explicação, eles logo são apresentados: tratam-se dos quatro “Espadas Rotativas”, além do vice-comandante, Fanatio Synthesis Two. Por ser o número dois e vice-comandante, imediatamente eu passo a esperar que Bercouli Synthesis One, o mesmo que aparecera no episódio 13, o mesmo que aparecera na abertura e ao qual fora atribuída a lenda de Bercouli, seja o lendário líder dos Cavaleiros da Integridade da Igreja do Axioma. Passo a me perguntar, inclusive, se ele seria o mais forte dentre todos, se superaria os níveis de poder de Alice ou algo assim (provavelmente, Fanatio não é mais forte que Alice, já que ela ainda não havia sido enviada e se trata de alguém especialmente talentosa).

No entanto, não devemos subestimar Fanatio, uma vez que, além de seu cargo, Fizel menciona: “Se até Fanatio, da Espada Perfuradora do Firmamento, aparecera por aqui, o senado deve estar mais em pânico do que imaginamos”. O Cavaleiro pergunta (a voz é suspeita) o que elas, aprendizes, estariam fazendo ali, no meio de um campo de cavaleiros honrados. Ridicularizando a vice-comandante, Fizel solta uma risadinha e a provoca, explicando que os Cavaleiros da Integridade, por trazerem honra e tradição para as batalhas, já haviam perdido duas vezes. Desse modo, ela conta que os invasores haviam sido capturados, enquanto Linel diz que elas iriam decapitar Kirito e Eugeo ali mesmo. Elas também se aproveitam do estado de “honrados” dos cavaleiros para chantageá-los a notificarem a pontífice com testemunhas, e não roubarem o crédito delas. Com as duas encarando o grupo de cavaleiros e os invasores paralisados, ambos os grupos se entreolham, quando, de repente, nos deparamos com a cena mais espetacular (na minha opinião) desse episódio.

Kirito, o qual não havia sido mostrado na trajetória até o andar 50, levanta como um raio e rouba as duas adagas das crianças, cortando-as superficialmente no braço. Porém, o suficiente para que elas também sofram efeitos da paralisia. As duas caem, enquanto nosso protagonista se levanta, triunfal. E, apesar de não ter sido mostrado ou de ter ficado desconfiado no início, esses indícios da surpresa foram perceptíveis apenas ao assistir pela segunda vez, isto é, somos capazes de percebê-los facilmente por sabermos do plano de Kirito e do que aconteceria (ao menos, essa foi a minha experiência). Perceba como a própria animação constrói detalhes extremamente sutis que dão leves pistas, no entanto, a proporção é excelente, impedindo que o mistério fique completamente óbvio. A desconfiança e o plano de Kirito sempre estiveram ali, o que decorreu foi construído já pensando na reação posterior do espadachim.

Ele se abaixa e rouba um pequeno frasco de poção laranja do bolso de Linel, andando em direção a Eugeo e fornecendo a ele o conteúdo, como um antídoto. A visão embaçada e trêmula dela simula, da mesma forma, o efeito do veneno paralisante que acometera Eugeo. Kirito, ao dar o antídoto para Eugeo, pede para que ele espere a paralisia passar (o que ocorreria em alguns minutos) e, assim que isso acontecesse, ele recitasse, sem que os Cavaleiros percebessem, sua perícia Perfeita de Controle de Armas. Ao ficar pronto, ele deveria aguardar o sinal de Kirito. Ainda não temos ciência da perícia de Eugeo, mas provavelmente, devido à sua espada e aos poderes demonstrados no episódio anterior, ela se manifesta como um poder congelante. Eugeo ainda disse que ela não se tratava de um ataque direto, o que confirma ainda mais a hipótese. Assim, Kirito estaria, claramente, utilizando a perícia de Eugeo ao seu favor.

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Kirito, então, se volta às duas Cavaleiras da Integridade e lhes responde o que todo o público queria ouvir: a forma com que ele havia se libertado da paralisia. Ele conta que, no discurso delas, elas haviam se entregado, na medida em que, como todos os monges e freiras da Catedral foram ordenados a ficarem em seus quartos, nenhum deles poderia descumprir tal ordem (Kirito, por Cardinal, já sabe da tirania de Quinella, mas ela também fica bem estampada em como os Cavaleiros possuem medo de sua punição, tal como disse Deusolberth no episódio anterior). Em resumo, nenhum dos subordinados de Quinella teria coragem de descumprir suas ordens, o contrário do que vimos aqui. Mas não para por aqui: Kirito também diz que o material com o qual são feitas as bainhas de Fizel e Linel é Carvalho Rubi, o único material que não apodrece quando em contato com Ruberyl, um metal tóxico. Dessa forma, descobrimos que as próprias lâminas (o metal) delas são as responsáveis pelo veneno paralisante. Isso também explica muito bem o porquê de elas carregarem um antídoto: as lâminas eram bem afiadas e os mais diversos materiais, à exceção do Carvalho Rubi, apodrecem em contato com a adaga. Sendo assim, cortes acidentais eram sempre comuns e, como o metal possui como PROPRIEDADE ser tóxico, eles sempre resultariam em paralisia. É por isso que elas carregam, em teoria, um antídoto com elas.

Kirito também associa essa informação ao fato de, se elas possuem tais bainhas, não poderiam ser noviças, já que é um material muito perigoso para que seja dado a esse cargo. Nessa perspectiva, nosso herói conta ter se afastado e utilizado Eugeo para distraí-las, enquanto recitava uma arte sagrada (comando de sistema) de dissolução de venenos, antes que elas pudessem atacar. É claro, quando ele fora apunhalado, o efeito ainda não havia se concretizado. Dessa forma, entendemos o porquê de ele ter desmaiado junto com Eugeo. De maneira triunfal, ele diz que força não se resume à velocidade dos golpes delas e ergue as adagas. Porém, para a (NÃO) surpresa do público, ele as atira no chão e se recusa a matá-las. Ao invés disso, pede a elas que observem o quão fortes os Cavaleiros da Integridade de quem elas zombam realmente são. Vale lembrar que, apesar de previsível, o fato de ele matar as duas garotas não é um defeito, e sim algo positivo, visto que, assim como Deusolberth, elas são apenas peãs de Quinella, ou seja, Fluctlights orientados por uma falsa ideologia de guerra e de vivência (e, além disso, que haviam sofrido demais). A animação das expressões faciais de agonia de Fizel quando Kirito atirava as adagas é ótima e transmite feições humanas, uma vez que ela se trata, frente à morte, apenas de mais uma disposta à lutar pela vida.

Devo elogiar (e muito) a forma como todo o raciocínio foi construído. Além de Kirito explicar todo o seu plano (mecanismo de imersão), ele também encontra razões e justificativas para tudo que ele fez. De uma maneira geral, é a mesma sensação que o fato de ele estar desmaiado: o enredo inteiro é construído já premeditando sua reação e suas ações se desenham em paralelo. Porém, não somos capazes de notar da primeira vez, apenas da segunda. Se olharmos uma segunda vez,veremos, então, que o plano de Kirito sempre esteve ali e suas ações sempre estiveram orientadas para tal. Nosso herói, agora sem mais nada em seu caminho, se volta para Fanatio e os uqatro Espadas Rotativas, pedindo “desculpas por deixá-lo esperando”. Ele brande sua espada e parte com velocidade contra os cinco, enquanto, do outro lado, os quatro espadachins partem e Fanatio permanece fixo.

E essa luta… meu deus… essa luta. De todas as cenas de ação da temporada até aqui, essa supera todas de longe. A coreografia é excelente e ainda mais aprimorada que a das temporadas anteriores, além de uma animação fluida ao extremo e com excelentes traços mesclados com o filtro digital. Kirito parte em velocidade, trava golpes com os quatro espadas e, ao pular na coluna, toma impulso nela e mergulha com sua agilidade, travando espadas com Fanatio, ainda parado em seu lugar. Enquanto equilibrava forças com Fanatio, os quatro Espadas Rotativas, como subordinados de Fanatio, se sentem na obrigação de puxarem o dever, dizendo que seriam os oponentes de Kirito. No entanto, Fanatio replica, pedindo para que eles se afastem e deixem ele cuidar disso. E aí vem a injustiça que pude presenciar em alguns infelizes comentários: algumas pessoas criticaram essa atitude do vice-comandante, apontando-a como se fosse um defeito de roteiro. Evidentemente, não concordo, uma vez que, como comandante daquele esquadrão, Fanatio, provavelmente, sente o peso como o guerreiro mais forte e se vê no senso de dever de agira. Além disso, é provável que ele também tenha percebido a força de Kirito de imediato, já que, visivelmente, apenas ele dentre os cinco é capaz de utilizar sua Perícia Perfeita. Soma-se a isso o psicológico de um líder, comum em diversas narrativas, que costuma responder por desafios ao seu esquadrão (o próprio episódio 04 de Sword Art Online: Alicization aborda isso de uma maneira semelhante ao colocar o Goblin Gigante, o Matador de Lagartos, para lutar contra Kirito e, ao derrotá-lo, Kirito espanta o restante dos Goblins). É bem comum e entendível que, ao perder o líder, o exército ou pelotão se submeta ao adversário, existindo outros exemplos de animes que também abordaram isso, tal como Tensei Shitara Slime Datta Ken (me refiro aos lobos gigantes) e até mesmo exemplos históricos, como no império romano. Todas essas justificativas explicam o porquê de ele lutar sozinho, além da própria honra e do orgulho de Fanatio como um dos mais fortes Cavaleiros da Integridade. Se Deusolberth já possuía esse orgulho, como vimos no episódio anterior, além do código de honra, Fanatio possui um sentimento ainda maior, que o norteia a querer enfrentar Kirito sozinho.

Obedecendo ao mestre, os Espadas Rotativas recuam, enquanto Fanatio e Kirito se entreolham depois do choque de espadas. É aí que temos, finalmente, Fanatio brandindo sua espada enquanto invoca um “System Call: Enhance Armament” e liberta sua Perícia Perfeita do Controle de Armas, com diversos sinais de sistema aparecendo acima de sua espada. A animação, mais uma vez, é incrível e dá grande suporte para tudo. Kirito, enquanto isso, carrega uma Sword Skill e toma um grande impulso com sua espada brilhosa (me lembrou bastante Saber, em Fate/Zero). Ele avança em direção do Cavaleiro, enquanto ele aponta sua espada e dispara, com um efeito sonoro ótimo, algo brilhoso, tal como um tiro (já saberemos o que é isso). Kirito desvia do tiro, que pega de raspão em seu corpo, mas já sendo o suficiente para sangrar, enquanto desfere a Sword Skill, cortando a ponta da espada de Fanatio.

Parado após o golpe, ele sente dor (o que podemos ver com a expressão facial e pela posição corporal) e é mostrado ao público, no detalhe, o buraco feito pelo tiro, que havia atravessado seu corpo, afinal. Óbviamente, pela anatomia do local, ele não havia sido ferido em nenhum ponto vital, o que explica o ato de ele continuar lutando. Fanatio, mesmo com a espada quebrada, continua a atirar contra Kirito, que faz o máximo (coreografia boa) para desviar dos projéteis. No entanto, ele acaba sendo atingido, novamente, em seu pé, caindo em cheio no chão. Eugeo, deitado, demonstra preocupação, mas percebe, ao fazer isso, que sua voz havia voltado e, sendo assim, ele deveria recitar sua perícia e esperar pelo sinal. Fanatio, observando Kirito, que se encontrava ajoelhado e ferido, começa, então, a explicá-lo a origem daqueles projéteis que disparava (hiato curto entre o conceito e a explicação).

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Fanatio conta que, mesmo que ele seja um criminoso, provavelmente ele deve saber o que era um espelho. Um espelho, como ele diz, é capaz de refletir quase 100% da luz emanada pelo sol (ou Sólus, como dizem os habitante do Underworld em referência à mitologia daquele mundo que toma o Sol por um deus). Dessa forma, anos atrás, a pontífice Administrator havia reunido cerca de mil espelhos gigantes (a animação autoexplicativa também é muito boa para a representação), forçando a concentração, por esses instrumentos, da luz emanada por sólus em um único ponto (aparentemente, no interior do mesmo coliseu no qual se passara a história de Fizel e Linel). Essa luz foi capaz de derreter uma grande rocha em segundos, tão potente que era. Então, Quinella agregou todos os mil espelhos ali presentes com uma magia de síntese, forjando uma arma divina: A Espada perfuradora do Firmamento (a animação da síntese é particularmente bonita também e dá mais méritos, por se tratar de algo abstrato). Concluindo a explicação, Fanatio fala em um tom mais nobre e mítico, dizendo que o que havia perfurado Kirito era, na verdade, o “Poder do Deus Sólus”.

Devo aplaudir, também, essa explicação. Todos os objetos divinos, como disse Cardinal, possuem uma origem conhecida e manifestada, graças à qual desenvolvem suas Perícias Perfeitas. Com Kirito e Eugeo, a base das perícias é o Cedro Gigas e a Rosa do Topo das Montanhas do Fim, enquanto que, com o vice-comandante, é a junção dos mais diversos espelhos. Além de explorar conceitos de Óptica (física) na consolidação do conceito, o anime ainda incorpora a mitologia daquele mundo, na medida em que Fanatio considera sua espada, de maneira orgulhosa, da mesma forma como considera sua honra. Ele, como Cavaleiro da Integridade e manipulado pela lealdade de Quinella, acredita ter sido invocado dos céus e, por esse motivo, alimenta as associações de que a Luz refletida pelo sol seria, na verdade, o poder de Sólus. Sim, o próprio texto do anime é excelente, já que faz total sentido com a construção de mundo.

De frente para o perigo, Kirito monologa: “uma espada que pode refletir a luz?”. Esse monólogo propicia a imersão que venho destacando ao público, já que sabemos o que o protagonista está pensando nesse dado momento e temos condições de pensar com ele. Na verdade, a fala, ao primeiro momento, parece desproposital e apenas uma repetição para fixar o conceito. No entanto, quando Fanatio abaixa a espada e mira em Kirito, disparando um feixe de luz que deveria ser derradeiro, já contando como se tivesse vencido (dado seu orgulho como Cavaleira da Integridade), ele, de cabeça baixa, invoca um “Discharge”, criando uma espécie de espelho em sua frente. O espelho cede, devido à força da luz concentrada refletida pela espada, mas é o suficiente para fazer voltarem os raios de luz, distribuídos. Um deles acerta o elmo de Fanatio e o retira, fazendo-o cair no chão. Quando todos nós olhamos, novamente, ele se revela ser, nada mais, nada menos, do que uma mulher (a voz era suspeita por isso).

Nossos dois heróis exibem expressões de admirados quando têm a surpresa de que Fanatio é, na realidade, uma mulher. Devo ressaltar que Kirito, provavelmente, havia recitado um comando de sistema enquanto estava de cabeça baixa, e ele fora omitido pelo estúdio para criar uma espécie de suspense. O conceito utilizado pelo protagonista, de criar um espelho para refletir a luz de volta, embora arriscado, é extremamente pertinente e faz total sentido com a física. Além de tudo, o monólogo dele é a própria pista de que ele usara esse conceito ao seu favor. Não é apenas como se ele tivesse criado um espelho para refletir a luz, ele havia pensado antes. Embora o monólogo pudesse ser mais detalhado, acredito que omitir esses detalhe, aqui, não tenha causado confusão, haja vista que a criação de suspense na luta deveria ser mantida. As pistas são suficientes, também, para indicar que Kirito raciocinara com base no conceito da espada de Fanatio.

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A vice-comandante, ao perceber o espanto dos dois invasores, é tomada, de repente, por raiva, enquanto passa um flashback. Ela diz que as expressões de Kirito e Eugeo se assemelham à forma como “aquele homem” a olhara, enquanto o flashback, autoexplicativo, exibe a face de um homem ainda desconhecido (não é o Bercouli ou o Deusolberth, mas ele usa uma armadura de cavaleiro roxa… o fundo é vermelho, o que indica que, provavelmente, aquele homem é um dos Cavaleiros Negros do Dark Territory). Nervosa, Fanatio brada que mesmo eles, invasores daquele território, não conseguem enfrentá-la a sério ao saber que se trata de uma mulher. E, assim, fica claro a mensagem que Fanatio deveria passar. Ao contrário de Deusolberth, cuja história fora mais focada na superação psicológica de Eugeo, na percepção da manipulação das memórias por Quinella e no orgulho que os Cavaleiros ostentam, a narrativa de Fanatio é mais focada em um aspecto também importante: a questão do empoderamento da mulher e da tentativa de superação de um olhar inferiorizante. Fanatio, na realidade, traz um debate um pouco mais profundo do que apenas uma cavaleira na história. Ela, assim como ocorre, por exemplo, com Saber (Arturia Pendragon) em Fate, representa um questionamento ao estereótipo de cavalheirismo, mas, principalmente, é um arquétipo pertinente nos dias atuais, de uma mulher que possui ascensão mas ainda é visat com desconfiança por alguns homens do mesmo patamar. Claro, o debate é completamente velado e se afasta das polêmicas que poderia gerar. O anime não tem nada a ver com o politicamente correto aqui, é apenas uma mensagem subentendida ou, até mesmo, uma mera interpretação, mas que agrega valor na profundidade do enredo e na crítica social que ele traz.

A cavaleira avança com fúria contra Kirito, o qual bloqueia o golpe e trava espadas, enquanto ela brada seu título e avança na disputa de força. No meio da colisão de espadas (até os barulhos da colisão ficaram excelentes, a produção está de parabéns), Kirito conclui que a espada dela e a Perícia correspondente, no final das contas, permitem que ela lute sem ter de revelar que é uma mulher. Ao dizer isso, a vice-comandante se enfurece ainda mais e força a espada. No entanto, nosso protagonista a surpreende logo após, dizendo que o motivo do espanto dele não era por ela se tratar de uma mulher, mas sim de que a presença e a segurança dela como Cavaleira (provavelmente a questão do orgulho e da atmosfera pesada) cederam grande parte assim que ela perdera o elmo. E, de fato, Fanatio perdia grande parte da sua confiança ao enfrentar adversários de quem acreditava estarem pegando leve com ela. Ele diz exatamente isso em seguida, observando que, por esconder o rosto e o estilo de espada, provavelmente era ele quem possuía mais vergonha de ser uma mulher, e não seus adversários. Obviamente, nosso herói faz um bom uso da provocação psicológica, mas também não deixa de expor a verdade na cara do oponente.

Chocada com a verdade, Fanatio diz que pretende matá-lo, avançando ainda com mais fúria. Mas, para sua surpresa, Kirito conta que também pretendia fazer o mesmo e que não iria pegar leve com ela apenas por ser uma mulher. Ele já havia, afinal, perdido diversas batalhas para mulheres. Aqui, temos mais uma manifestação do encadeamento do enredo de SÃO, na medida em que ele reaproveita o fato de Kirito ter perdido várias vezes para Sortiliena, sua mentora, mas também para Yuuki em ALO II. Além disso, ele também era inferior à sua prima, Suguha, em Kendo e reconhecia o grande potencial de Asuna e Sinon, guerreiras formidáveis. Essa forma de entrelaçar as diversas temporadas (sem precisar deixar explícito dessa vez) é excelente e, de novo, agrega valor ao desenvolvimento de Kirito, como um “caminho para o qual todos os outros convergem”. O protagonista se vale bastante de sua experiência ao longo do enredo inteiro, e não apenas da temporada, e isso é louvável.

Kirito desvia o golpe e parte com tudo, emplacando uma grande sequência de choques entre espadas. Uma colisão de movimentos surpreendentemente animada e bem desenhada, com os barulhos em perfeito compasso com o que se apresenta. No calor da batalha, ambos os adversários chegam a sorrir enquanto trocam golpes na cena de ação (alguns fãs viram uma “cara de psicopata” no Kirito, mas eu não achei tudo isso). Eugeo assiste deitado, aguardando o sinal de Kirito, enquanto Fanatio investe mais uma vez. Ao som de Swordland (ADORO), todos os golpes trocados são bloqueados e ambos desferem uma espécie de golpe final (um clichê em lutas de espadas… mas ele não é inteiramente um clichê, já que a batalha não acaba ali, como geralmente ocorre, apenas cessa por um dado momento de diálogo e continua).

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Fanatio, após a troca dos golpes, se volta a Kirito e diz que ele, sim, lutara a sério com ela após ver aquele “rosto detestável” (perceba como Fanatio, vítima da questão do julgamento, trata seu próprio sexo como uma forma de vergonha). No entanto, ao dizer essas palavras, Kirito não pode deixar de indagar: “detestável? Então, para quem você escova seus cabelos e pinta seus lábios”. A cena se acompanha de um detalhe da boca de Fanatio,que exibe um leve batom (o batom geralmente não entra nos detalhes dos animes, já que, em maioria, os personagens não possuem os lábios evidentes… no entanto, essa sacada de mostrar contribuiu bastante para ilustrar a cena). Podemos ver que Fanatio só se enfurece ainda mais ao ouvir essas palavras, ao mesmo tempo em que passa um pequeno flashback. Kirito, afinal, havia tocado no ponto sensível, uma vez que vemos ela, com sua armadura de cavaleira, ao lado de um homem de Kimono azul, que se volta e sorri para ela. No final das contas, esse homem não se parece com aquele do Flashback. Na verdade, pela roupa e pelo estilo do rosto e dos cabelos, ele se parece muito com Bercouli Synthesis One, o homem que havia aparecido na abertura nova lutando contra Eugeo e ao qual fora atribuída a lenda de Bercouli. Como já concluímos anteriormente, ele se trata do comandante dos Cavaleiros da Integridade, enquanto Fanatio é a vice-comandante. Se ele realmente for o homem do flashback, estimo que ambos possuam uma relação amorosa (não sei ao certo se é recíproca, mas me pareceu pelo sorriso que ele dá para Fanatio e pela situação, com ela se produzindo para ele). Não temos uma confirmação oficial, claramente, mas a probabilidade é grande… no entanto, só o tempo dirá a relação e como essa história ocorreu.

Voltando ao andar 50, Kirito brande novamente sua espada e diz que ele e Eugeo estão lutando para derrubar a pontífice, para que ela e os outros Cavaleiros possam viver suas vidas normalmente, expressando seus verdadeiros sentimentos. Claro, o diálogo aqui não é inútil, como vi algumas pessoas dizendo. Na verdade, ele faz parte da mesma situação que acontecera com Deusolberth: os Cavaleiros da Integridade são humanos manipulados por Quinella… eles não possuem vontade em fazer esse mal, são meros fantoches. Kirito apenas tenta “convertê-los para fora desse círculo”, ainda que possa não ter sucesso. É uma solução muito melhor do que matar, o que poderia causar trauma. Na verdade, é provável que nem todos os Cavaleiros sejam nobres de alto escalão em suas origens, sendo muitos deles pessoas boas, ao contrário de Raios, Humbert e Quinella. Fanatio responde a mesma coisa que Fizel e Linel haviam falado: Kirito não é um habitante do Drak Territory, como os superiores haviam dito. No entanto, isso não significa que não seja extremamente perigoso.

Ela também deixa claro não aceitar as declarações de Kirito (ao menos até aqui), já que as caracteriza da mesma forma que Deusolberth havia dito, como formas de “corromper a Igreja e a glória dos Cavaleiros”. Ela, apegada ao propósito de Cavaleira que fora lhe dado, diz que o maior dever dos Cavaleiros é proteger o domínio da humanidade e todos que vivem nele (ironicamente, Quinella mal se importa com isso a ponto de colocar em primeiro plano). Não podemos culpar Fanatio, afinal ela é apenas uma Cavaleira que honra seu propósito, sem saber que fora manipulada por Quinella. A honra que ela segue é dela, mas a lealdade a faz lutar pelo lado errado, assim como a maioria dos Cavaleiros. Eles não são vilões, apenas peões feitos com pessoas, cada qual possuindo sua história única.

A vice-comandante, então, finalmente liberta seu poder total, estendendo a Espada perfuradora do firmamento e invocando um “Release Recollection”. Com isso, a animação de sistema, seguida da onomatopéia característica da espada, reaparecem e a arma começa a disparar os feixes de luz por todo o salão. Kirito se esquiva, embora tenha sido atingido na coxa (não em um local vital). Sua expressão também é realista, estampando bem a dor.  No entanto, ele pode ver o que estaria acontecendo: Fanatio, ao soltar esse poder, também era atingida. Tratava-se de uma faca de dois gumes. Isso o enfurece de grande maneira (provavelmente por ela sacrificar a própria vida pelo lado que estaria a manipulando, agindo como um peão de sacrifício). Ele avança, não sem antes ser atingido no ombro e recuar, e consegue desviar a espada dela, dando o sinal derradeiro para que Eugeo, à espera, liberte sua perícia.

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Ele, tendo ciência de que era sua única chance, finca a espada no chão e solta um “Enhance Armament”, congelando todo o salão. Os espadas rotativas, meros espectadores, são congelados de corpo inteiro, enquanto Eugeo, acrescentando seu poder da imaginação (determinante em UWO), brada um “desabrochem, rosas azuis”. O gelo avança sobre Fanatio, que salta e observa o gelo. No entanto, ela não notara que Kirito, já à espera de Eugeo, saltara também e, agora, estava acima dela. Ele se apóia nos ombros dela, atirando-a no chão (acrobacias e coregografias excelentes) e fazendo-a ser atingida pelo gelo, o qual se desenha em uma forma de rosa, característica da Blue Rose Sword. Kirito, embora tenhe dado esse golpe triunfal, cai ao lado de Eugeo, devido ao dano que havia sofrido na batalha. Dessa vez, ao contrário do que havia ocorrido no episódio 12, a animação considerou os efeitos dos danos na movimentação e nas ações/expressões dos personagens melhor, de forma que, embora Kirito consiga agir, ele apresenta dificuldade, como vemos nessa cena e nas expressões de dor que ele ostenta.

Eugeo, preocupado, cogita usar uma arte de regeneração. No entanto, Kirito pede para que ele continue a usar a habilidade, dizendo que isso não era o bastante para segurar a cavaleira. De fato, embora vejamos ela praticamente derrotada, ela continua a lutar e consegue erguer sua espada em meio à rosa de gelo a detendo. Daí, Kirito, atrás de Eugeo, invoca um “System Call” e sua espada começa a brilhar. Fanatio aponta a Espada perfuradora do firmamento na direção dos dois heróis, preparando-se para descarregar seu golpe final, enquanto Eugeo, segurando a espada, a aperta e brada com raiva: “nenhum de vocês sabe o que é justiça”. Isso se trata de uma tentativa de melhorar a habilidade utilizando o poder da imaginação, e, de fato, d´pa certo à primeira vista, já que ele consegue poder para envolver a cavaleira ainda ma,is. No entanto, Fanatio se encontra completamente imersa em sua vontade, já que ela acredita nos ideais de que estaria lutando pelo lado correto. Dessa forma, o poder da imaginação também ajuda ela, na medida em que ela consegue, com o “calor” emanado da espada, repelir as rosas de gelo. Eugeo parece incrédulo de que seu poder não esteja superando o dela, exibindo uma expressão de grande espanto ao ver que suas mãos pingam muito sangue e a espada já se encontra apontada, pronta para disparar.

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Decepcionado por não ter vencido a vontade dela e prestes a receber o golpe, ele começa a se lamentar no meio da batalha. E, sim, isso é um projeto de personagem que exibe humanidade a cada momento. Kirito, mais experiente em VR MMOs, ostenta uma confiança maior ao lutar e um poder de improviso, enquanto Eugeo, apenas há dois anos como espadachim e novo no “jogo de sobrevivência”, ainda desconfia de seu potencial e duvida no campo de batalha. Isso é um choque de realidade muito interessante, já que, com suas espadas e treinamento, além da força de vontade em lutar por Alice e estando do lado que acredita ser certo, ele jamais esperaria que, com tudo que infundiria em sua espada, ele seria derrotado. E, agora, quando se depara com isso, ele se encontra de frente com a morte. É assim que nós somos. Hesitamos e levamos nossas mágoas para o campo de batalha, deixamos elas nos levarem e nos sentimos frustrados na primeira perda, mostrando uma grande perda de auto-estima e de confiança nas técnicas. A dor de não conseguir carregar a responsabilidade o faz recuar, o que traduz um choque de realidade excelente para o jogo psicológico do personagem. E, devemos lembrar, no episódio anterior ele “supera” em parte as lembranças de Alice, o que deveria lhe dar ainda mais confiança. Quanto mais alto, maior o tombo, fazendo-o ficar ainda mais nessa situação.

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E aí, como eu disse, Kirito já possui uma grande experiência em lutar pela sobrevivência, possuindo uma confiança mais inabalável que a de Eugeo. Ele ensina algo importante ao amigo: “você não conseguirá derrotá-la com ódio”, ao passo em que avança e se coloca na frente do ataque. Ele questiona o amigo, enquanto aponta sua espada brilhante, dizendo que ele não havia chegado até ali por odiar os Cavaleiros da Integridade (como estava demonstrando ao usar a técnica), e sim porque amava Alice e desejava lutar por suas memórias. Ele também é extremamente lúcido, dizendo que os sentimentos dele (de amor por Alice) não eram inferiores aos de Fanatio, embora ela esteja do lado errado. A causa dela é nobre, e isso também vale para Kirito. Afinal, ele também queria proteger todos naquele mundo, incluindo até mesmo a Cavaleira. E é por isso (discurso triunfal) que eles não poderiam perder ali. Ele se volta para Eugeo e exibe um sorriso de confiança (já sabemos que ele vencerá, afinal estamos vendo que os sentimentos que ele infunde na espada são da mesma magnitude ou ainda maiores do que os de Fanatio… estamos sendo ambientados a isso, e é importante não desconsiderarmos os poder da imaginação). Fanatio, finalmente, dispara o golpe na direção deles, enquanto Kirito, com a espada brilhando em uma luz roxa, brada um “Enhance Armament” e o episódio termina em um cliffhanger, nos deixando com a ending. Devo ponderar que, provavelmente, Kirito recitara todos os comandos do Enhance Armament enquanto Eugeo libertava sua perícia, mas eles foram omitidos já que ocupariam um tempo quase inútil no episódio e deixariam o texto saturado e chato para grande parte dos espectadores. Essa omissão é algo que considero uma decisão correta da A-1, já que dinamiza o enredo e o impede de acumular partes maçantes. 

NOTA FINAL: 10. Pode não ter superado o episódio 13 em minha opinião, mas deu um show em todas as esferas e não apresentou problemas (ao menos, não vejo nenhum além do leve clichê de espadachins se atravessando, que não foi inteiramente clichê e, por isso, deve ser perdoado). Os critérios técnicos estão excelentes, as características positivas da obra estão mantidas e não só a luta surpreende, com coreografias e filosofias importantes, além das críticas sociais embutidas, como o Eugeo não deixa de ser desenvolvido e a história de Fizel e Linel incorpora os traços de inescrupulosidade de Quinella, trazendo um horror importante para reforçar o quão longe ela vai para sustentar seu poder. O restante dos comentários está diluído pela review.

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