O Sistema Humanizado
  • AVALIAÇÃO DO AUTOR

Trazendo o comentário do episódio 13 de Sword Art Online: Alicization então peço o de sempre, compartilhe e deixe seu comentário sobre o que achou do episódio., por estar atrasado não possui em imagens, peço compreensão de todos.

[25 DE MAIO, ANO 380 DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE]

O episódio começa já no flashback do episódio anterior, contando a respeito do governo de Quinella como Administrator-sama. Já estamos familiarizados com a forma com que ela ascendeu ao poder, tomou consciência do sistema e desenvolveu seus métodos de imortalidade. No entanto, o anime começa nos expondo um novo conflito. Sim, uma possibilidade que muitos não haviam pensado mas que, se não fosse explicada, poderia ser considerada furo: a capacidade de armazenamento, haja vista a construção de Underworld como um mundo, embora realístico, virtual baseado em VR MMO. Sendo um mundo virtual, Underworld, como já vimos principalmente no episódio passado, também possui sistema de unidades registradas e um controlador principal, o sistema Cardinal. Sendo assim, é lógico pensar que ele funcione tal como qualquer outro mundo virtual, baseado em dados, códigos, sistemas operacionais, dentre outros elementos.

O que é interessante é que Cardinal começa narrando que, embora após Quinella conquistar sua imortalidade teórica no mundo, Underworld tenha vivido em um clima de “paz”, um novo conflito se desenvolveu. 70 anos após Quinella se tornar a pontífice Administrator, ela se depara com uma certa mudança em si mesma. Ela abre sua Stacia Window e percebe que, após esse período, sua capacidade de armazenamento de memórias em seu Fluctlight havia atingido o limite. Desse modo, ela precisava de uma forma de preservar sua alma e aumentar o espaço para que armazenasse memórias, a fim de continuar seu reinado. Devo confessar que essa história me lembrou bastante a de Dédalo, o qual construiu autômatos para seu corpo e encontrou uma forma de transferir “animus” para o autômato, segundo a mitologia. É interessante como a “Rainha” quer continuar seu reinado, encontrando uma forma de superar as limitações físicas. A história me parece muito com a de Orochimaru, em Naruto, também, em referência ao jutsu proibido de imortalidade. Me chama atenção o quão longe Kawahara foi aqui. Ele justifica cada detalhe, não dá margem para que hajam furos. Alicization é ainda mais complexo do que o restante de Sword Art Online, e isso ficou, mais uma vez, evidente.

Quinella, embora tenha exibido uma cara de choque, rapidamente pensa em outra solução “demoníaca”. Sua expressão é bem animada e, em seguida, somos explicados a como Cardinal, enquanto interface humana, surgiu. Quinella convida uma inocente criança (o que explica a aparência de Cardinal) para sua torre e planeja subscrever sua memória de Fluctlight naquela criança. Em outras palavras, ela planeja utilizá-la como uma espécie de HD para suas memórias. Se você tinha alguma dúvida da maldade dela, aqui não poderá ter mais isso: a mulher, a fim de se manter no poder, praticamente encerra uma vida de um dos habitantes, uma vida inocente. Ela pede para a criança se aproximar e conduz o famigerado ritual, conhecido como “Ritual de Síntese”, responsável pela fusão entre alma e memória. No entanto, Cardinal conta que aquilo acabou por ser um erro de Quinella. Passando suas memórias e obtendo o controle da alma da criança, ela também havia passado sua autoridade. Em suma, ela havia transferido, junto com seus pensamentos, o sistema Cardinal para a criança.

Dessa forma, voltamos brevemente à biblioteca de Cardinal, onde ela conta que Quinella e a criança se tornaram dois seres de mesma autoridade após o ritual. Contando para Kirito, ela o pergunta (teste) qual seria a principal característica do sistema Cardinal. Nosso herói, convivendo por anos em MMORPGs regulados por esse sistema, além de seu conhecimento em mecatrônica, responde: “Operar por um longo período de tempo, sem a necessidade de manutenção por humanos”. Cardinal assente e explica, em seguida, que o sistema possui, na realidade, dois programas principais: Main e Sub. O programa Main, como o nome diz, é o principal, aquele responsável por corrigir os erros que são estabelecidos (ou seja, provavelmente aquele pelo qual Quinella tem suas ações ditadas), enquanto o programa Sub, como completa Kirito, verifica os erros no programa Main, ou seja, é um sistema de reparo.

Dessa forma, enquanto Quinella gravou em sua alma o sistema Cardinal, ela não havia gravado apenas o programa Main em seu Fluctlight, mas também o programa Sub, aquele responsável por reparar os erros dela. Dessa forma, mesmo que ela tenha operado durante anos apenas com o programa Main e sua consciência enquanto Fluctlight a tenha feito agir apenas conforme sua preservação de poder e de autoridade, o sistema Sub existia em seu fluctlight, reprimido e com um deseja insaciável por consertar a quantidade de erros que o sistema Main estivera cometendo (isso pelos 70 anos desde o reinado começar). Assim, ao passar suas memórias para a criança e, consequentemente, o sistema Cardinal, Quinella foi a responsável por personificar o sistema e, assim, o sistema Sub pode, finalmente, agir. No caso, enquanto Quinella opera como o sistema Main, mas agindo conforme sua ambição, Cardinal opera como o sistema Sub, tendo como propósito corrigir os erros (diversos) da Administrator.

Acho fenomenal toda essa explicação. Kawahara encontrou uma forma tão verossímil e plausível para explicar uma teoria Sci-fi, ao mesmo tempo em que foi capa de delinear com maestria sua criação de mundo, Ele já tinha feito isso bem, mas agora o fez de forma praticamente perfeita. As teorias encaixam todos os detalhes e esbanjam a complexidade com a qual Alicization foi escrito, sem dúvidas algo digno de aplausos. Além de tudo, até mesmo a característica de Cardinal poder operar sem a necessidade de manutenção humana dá base para que o fato de Quinella operar por 70 anos sem a necessidade de que Kikuoka, Higa Takeshi ou outros funcionários da Rath interfiram seja completamente encaixado.  E isso porque o episódio chegou à opening apenas agora.

Findada a abertura (infelizmente, acho que é o último episódio em que teremos ADAMAS), temos o título do episódio (“Governante e Mediador”) e voltamos à cena pós ritual. Quinella parece acreditar que havia finalmente tomado conta do fluctlight da criança e que poderia utilizá-lo como um HD. Porém, ao se aproximar, a criança, agora já sob a forma de Cardinal, invoca: “System Call: Generate Luminous Element – Lightning Shape – Discharge”. Quinalla, surpresa, leva o golpe, mas o encara como se não fosse nada, e as duasinterfaces do sistema Cardinal começam a lutar, operando comandos de sistema. Enquanto Cardinal invoca um “System Call: Generate Luminous Element – Discharge”, Quinella ataca com um “System Call: Generate Umbra Element – Ball Shape – Discharge” e ambas as magias colidem com a mesma força.

Com a ação rolando, Quinella pega um bastão e usa o comando de redefinição de objetos (“System Call: Redefinition Object – Sword Class”), passando a empunhar uma espada enquanto para e se prontifica a lutar. Cardinal, ao contrário, tira um espelho de suas mãos e utiliza o mesmo comando… no entanto o redefine para um cajado (System Call: Redefinition Object – Rod Class). Quinella decide tomar o campo de batalha para si e solta um comando de “System Call: Change Field Attribution”, o que é explicado em um rápido monólogo de Cardinal como sendo uma ação que restringe a área de System Commands.

Em desvantagem por não portar uma espada e por ter um corpo ligeiramente menor e mais fraco que o de Quinella, no auge de sua juventude, Cardinal se encontra em um beco sem saída. Ambas investem uma conta a outra e colidem espada e cajado. Porém, Quinella parece completamente segura de si, enquanto Cardinal tem clara consciência de sua desvantagem. Cardinal começa a correr, quase sendo pega por um Sword Skill de Quinella, e sai da área de restrição, avançando em meio a um longo corredor da catedral. Ela invoca um “System Call: Generate Aerial Element – Stream Shape” e consegue ganhar grande velocidade (praticamente consegue voar, o que vimos no trailer apresentado do 2º Cour de SAO Alicization. Em meio à fuga, ela monologa novamente (lá está o mecanismo de imersão, duas vezes já presente nesse episódio, assim como no restante da temporada), constatando que existem apenas dois lugares os quais não poderiam ser controlados por Quinella. Um deles é o outro lado das montanhas limítrofes, o Território Negro, para o qual Cardinal não poderia ir, enquanto o outro, provavelmente, seria a Biblioteca na qual ela está hoje(já fomos ambientados no episódio anterior).

 Ela olha para trás e vê Quinella a perseguindo, quando toma a decisão. O lugar, embora já saibamos, é ocultado no monólogo como uma tentativa mínima de suspense, enquanto Cardinal se esquiva em uma bifurcação e conjura: “System Call: Generate Blizzard Gate – Zero One”. Ela revela, finalmente, se tratar da grande Biblioteca, adentrando esse local e fechando, em mecânica similar à dos episódios anteriores, a porta. Ela conta que o local foi completamente isolado de Underworld naquele momento e, assim, ela permaneceu operando nele e somente nele durante todos esses anos. Cardinal ainda conta que, nos 200 anos que se seguiram, ela havia trabalhado em um plano que lhe permitisse enfrentar Administrator, mas a pontífice, mesmo não a observando, se antecipou aos planos, montando uma legião de seguidores. Esse, enfim, é o mistério da Igreja do Axioma, o qual finalmente será explicado.

Voltamos às imagens de Quinella em seus aposentos, onde vemos ela portando o cristal ao qual fomos apresentados no episódio anterior, com Eldrie Synthesis Thirty-One, e inserindo-o em um homem que já conhecemos, mas ainda não havíamos visto a aparência. Quinella também “monologa”, reforçando o que já estávamos esperando: da mesma forma que utilizou o Ritual de Síntese em Cardinal, ela também usufruiu desse comando diabólico para montar sua legião de Cavaleiros, os Cavaleiros da Integridade da Igreja do Axioma, leais e fiéis seguidores. Enfim, a força militar montada por ela não tinha apenas a função de manter sua autoridade, mas também de fornecer apoio contra Cardinal. E, indo ainda mais além, o roteiro me surpreende ainda mais ao colocar Cardinal contando que o primeiro dos Cavaleiros da Integridade, o Homem cuja aparência não havia sido vista até então, foi um “verdadeiro herói, espadachim extraordinário que era conhecido por odiar o governo da Igreja”.

Cardinal conta que ele havia seguido, nesse sentido, para o interior com amigos e fundado sua própria vila, em represália ao governo da Pontífice, ao mesmo tempo em que a imagem dele encarando um dragão branco em uma conhecida caverna de gelo nos deixa claro quem ele seria. Enfim, o suspense termina: o primeiro integrante da Igreja do Axioma é nomeada mais, nada menos que Bercouli (Synthesis One), o mesmo homem que havia portado a Blue Rose Sword (daí o grande poder dela e a capacidade de ela ser um “objeto divino”, da mesma classe que os cavaleiros portavam, descrita nos episódios iniciais). Sua lenda, a qual atribuía a luta contra o Dragão Branco nas Montanhas do fim, afinal, era verdadeira, e ela não só fora um elemento explorado no início de SAO para embasar os acontecimentos, como também se encadeia com a história de u jeito fenomenal.

Como já venho dizendo, Sword Art Online ostenta uma das qualidades que eu mais aprecio em animes: a capacidade de amarrar uma quantidade que eu jamais esperaria de detalhes. A narrativa, principalmente nesse arco, apresenta mais do que justificativas extremamente plausíveis, animação e trilha sonora impecáveis, história bem construída e em compasso com a construção de mundo complexa e muito filosófica, mas também amarra de uma forma magistral todos os detalhes, não só introduzidos aqui, mas também de temporadas anteriores. A densidade de informações, um incômodo para muitos que desejam ação, só me fez aumentar ainda mais meu gosto pessoal pelo anime, mas isso é subjetivo.

Voltando à Grande Biblioteca, Cardinal confirma à Kirito aquilo que eu já estava pensando: por ser resultado da transferência de memórias de Quinella, ambas empatam em um combate solo, isto é, possuem o mesmo nível de maestria e de poder, provavelmente. No entanto, como Quinella foi capaz de se mobilizar e adquirir os Cavaleiros da Integridade, Cardinal também precisava de um colaborador para que atingisse seus objetivos. Nesse sentido, ela, apesar dos riscos, passou a abrir aquelas portas, cada vez mais longe, e a invocar o compartilhamento sensorial (como o nome diz, compartilhamento de sentidos, isto é, Cardinal os tornou uma extensão de sua visão, audição, entre outras coisas), libertando-os pelo mundo.

Então, ela sorri e olha para Kirito, fazendo um sinal com o indicador. Nesse momento, seu fio de cabelo, o mesmo que havia sido controlado no episódio anterior, se mexe novamente e algo salta na mão de Cardinal. Ela apresenta, logo, o famigerado personagem para Kirito: uma aranha minúscula, Charlotte, um dos animais a que Cardinal havia delegado o Compartilhamento Sensorial. Enfim, além da lacuna do surgimento de Quinella, das intenções dos nobres, do Index Taboo, da Igreja do Axioma e da Personificação de Cardinal, o enredo ainda explica muito bem a própria voz que Kirito havia ouvido até aqui. Sem dúvidas, era Cardinal se comunicando com ele através da Aranha. Quando o Arco de Zakkaria foi pulado, foi me dito que Charlotte já havia aparecido nele e ouvi muitas preocupações de que o anime não tivesse explicado bem uma personagem importante. No entanto, me pareceu perfeitamente explicado o conceito e a justificativa. Assim, mantenho minha posição de que a A-1 fez certo em cortar esse arco (claro, isso considerando que ela deveria ter cortado algo… Zakkaria foi, realmente, a mais dispensável das cenas ou arcos e acabou por não causar tanto prejuízo ao meu ver… claro, não sou leitor da Novel então não posso falar com tanta certeza assim, mas o entendimento não foi prejudicado na minha visão).

Seguindo o episódio, ainda que todos nós já tenhamos imaginado isso, nos é confirmado logo depois de que, sim, Charlotte foi a responsável por ajudar Kirito e Eugeo a fugirem dos Cavaleiros da Integridade e por encorajar nosso protagonista durante o incidente com as Zephilias. Cardinal também menciona que Charlotte é a mais antiga de suas unidades de observação encantadas pelo mundo e que havia seguido Kirito e Eugeo desde Rulid (bem o que eu disse: ela havia aparecido no arco de Zakkaria), enquanto ela sai por aí, andando. A aranha foi mais uma cujo tempo de degeneração foi parado, motivo pelo qual ela tem trabalhado com Cardinal há mais de 200 anos. A bibliotecária diz que a missão da entidade estaria quase chegando ao fim (já nos ambienta de que Kirito e Eugeo são a esperança para o plano dela).

Agora observando de longe, Kirito agradece Charlotte e passa a focar na questão do colaborador. Ele pergunta se Cardinal, durante todo esse tempo, havia ficado enclausurada na Biblioteca, em busca de um colaborador. Ela assente, mas conta que, mesmo tendo observado esse mundo por 200 anos, jamais conseguiu entender o porquê de os deuses do mundo exterior fazerem vista grossa, isto é, ignorarem todos os males e a ditadura de Quinella, uma falsa deusa que governava conforme suas ambições o mundo criado por eles. Sem saber ao certo o motivo que regia esse comportamento, Cardinal refletiu por um longo tempo sobre as informações gravadas no banco de dados do sistema Cardinal, chegando à conclusão de que o “deus verdadeiro” de Underworld, no caso, a empresa Rath, não deseja que as pessoas daquele mundo possuam vidas felizes. Ela descreve que o desejo deles, pelo que ela havia percebido, seria o contrário: eles pressionam cada vez mais os habitantes e observam como elas resistem, ou seja, até que ponto elas são capazes de agüentar até serem corrompidas ou algo do tipo.

Não satisfeito em me surpreender no início do episódio até aqui, Kawahara consegue fazer outro jogo que arranca ainda mais aplausos da minha pessoa. Cardinal, sendo um sistema, encontra uma maneira perfeita de descobrir a verdade por trás de Underworld. Enquanto Kikuoka nos revelou seu verdadeiro plano e intenções com o Projeto Alicization, com Asuna descobrindo no mundo real, Kirito já trabalha e já tem uma boa ciência dos objetivos que Kikuoka possui no projeto. E Cardinal, mesmo sabendo de como o mundo virtual funciona, conta essas coisas de uma forma muito profética, se referindo à Rath como um “Deus” e, logo depois, prevendo uma espécie de “Teste final”. Ela menciona que chegará uma hora em que o “teste final” será aplicado, algo que ela chama de “teste de carga”. Surpreso, Kirito a pergunta sobre essa “profecia”, mantendo o diálogo explicativo, agora com novas informações (assim como vem sendo feito em toda a temporada, hiato curto entre o conceito e a explicação).

Cardinal começa, então, a abordar o Dark Territory, isto é, o território negro, aquele que está para além das Montanhas do Fim, aquele que é proibido de se adentrar pelo Index Taboo, aquele que, no início desse episódio, foi tratado como um local sob o qual Quinella não possuía poder e a própria Cardinal, equivalente ao poder dela, não cogitou entrar (perceba a ambientação aqui, já nos dizendo que Quinella ou Cardinal são incapazes de lidar com aquele local). Cardinal nos revela que a função daquele local, do Dark Territory, é sujeitar os humanos à eterna agonia e pressão, ou seja, conduzir o “teste final de carga”. Os monstros, como já vimos brevemente nos episódios 03 e 04, são também cópias de Fluctlights. No entanto, como também já percebemos pelo comportamento dos Goblins, possuem um grande impulso por saquear e matar, ao contrário dos Fluctlights das cidades (ignorando os nobres nessa comparação, evidentemente). Esse impulso justamente seria aquilo que é responsável por ditar uma futura (e não muito demorada, segundo a bibliotecária) invasão. Os monstros do Dark Territory invadiriam o mundo dos humanos, saqueando e cometendo todo o tipo de atrocidade. Esse seria, portanto, o “teste final de carga”.

Devo considerar, aqui, que esse plot twist consegue um efeito muito importante, aquele de estabelecer uma tensão e um conflito principal em paralelo com a questão das memórias de Alice e da Quinella. Kirito e Eugeo, já tendo de lidar com a ditadora, ainda teriam de se preocupar com essa invasão. Dois conflitos em paralelo… isso é um gancho perfeito para arcos de maior ação daqui em diante, ainda mais com o surgimento do mundo muito mais explicado. Mas não é apenas isso: o roteiro ainda continua a ser brilhante. Você, leitor, pode até não ter percebido quando assistiu o episódio, mas esse plot twist se encaixa completamente com a constatação maniqueísta sob a qual o mundo foi construído. Vecta, Deus que representa o Dark Territory, e aquele mundo, construído sobre os moldes de sentimentos negativos, corrupção e de violência, é um teste perfeitamente compatível com a questão de pressionar os habitantes. Nós vimos, nos episódios 02, 03 e 04, que Eugeo e os habitantes de Rulid nutriam um medo constante de invasões e dos Goblins, monstros que vinham daquele local. Centoria, muito mais desenvolvida, não apresenta tanto clima de medo até então, mas as cidades mais simples e edificadas próximas às Montanhas do Fim conviviam com essa realidade. Em resumo, esses locais eram centros muito propensos à pressão das invasões, ao que Cardinal enuncia. Temos, assim, mais um dos vários encadeamentos de Sword Art Online.

Kirito, ao saber de tudo isso, faz a pergunta que não quer calar: “Quinella, enquanto administradora (ditadora) daquele mundo, estaria ciente da profecia?” Cardinal, ao ouvir isso, completa que a pontífice subestima as forças sombrias. Seduzida pelo poder e controle que possui (e quanto poder, devo dizer…), além dos Cavaleiros que lhe “juraram fidelidade” (Seus peões, por assim dizer), ela se convenceu de que poderia lidar, apenas junto com eles, com todas essas ameaças. Mas, se você, espectador, ainda não se satisfez com os encadeamentos que Sword Art Online vem trazendo em seu enredo, aqui está mais um: Quinella foi a responsável por mandar matar os dragões guardiões das montanhas do Norte, Sul, Leste e Oeste, o que não apenas volta, como também explica, finalmente, a lenda de Bercouli, o primeiro Cavaleiro da Integridade da Igreja do Axioma. Isso também explica a inexistência do Dragão Branco naquela montanha, uma espécie de túmulo, e o fato de os Goblins e outros monstros daquele território terem começado a invadir a terra dos humanos, delimitada pelas Montanhas. Quinella, com sua saciedade de poder e seu ego imensurável, havia apenas acelerado o processo, o teste final. Cardinal conta que o motivo pelo qual ela mandou matar os dragões, na realidade, é porque ela não era capaz de controlá-los (e lá vamos nós de novo, mais uma vez a vilã se prova alguém perdida em seus devaneios de ambição e continua a realizar atos horrendos… cada vez mais, essa vilã me deixa com repulsa, mas ainda sinto que suas ações nojentas e egoístas estão apenas começando).

A bibliotecária conta que, sendo muito poucos em número, apesar do poder que eles possuem, Quinella e os Cavaleiros são incapazes de lidar com essa invasão. Sim, você não leu errado… mesmo a Quinella não pode lidar com isso. Veja só em que beco sem saída o Underworld está. Kirito, portanto, observa que, mesmo que Cardinal consiga derrotar Quinella, o destino daquele mundo será o mesmo, no final das contas. A própria Cardinal conta ser incapaz de deter a invasão no ponto em que se encontra. E, assim, Kirito a questiona, perguntando se ela não se importa com o que aconteceria com aquele mundo após a derrota de Quinella (isso porque ela parecia bem conformada com o fato de que eles não teriam como resistir à invasão).

Mas, se você acha que para por aí, está muito enganado. Cardinal, embora confirme o que Kirito diz, muda rapidamente seu semblante e diz que jamais aceitará um Deus com o Rath, um Deus capaz de programar o fim do mundo que criou e pressionar continuamente os habitantes dele, até que nada mais sobre a não ser caos e destruição. Ela conta, portanto, que havia chegado à uma única solução: Boicotar os planos da Rath, resetando aquele mundo (retornando-o à nulidade) ao apagar todos os Fluctligts artificiais armazenados no Lightcube Cluster (descrito por Higa Takeshi no episódio 06). No entanto, isso só seria possível caso Kirito a ajudasse e ela fosse capaz de recuperar sua autoridade, derrotando a Administrator-sama. Ela promete, então, a Kirito que, caso ele cooperasse, ela permitiria, antes de deletar as informações, que ele salve algumas das pessoas as quais ele considera importante. Cardinal menciona cerca de dez Lightcubes, enquanto Kirito passa a pensar (animação de monólogo, a qual provoca imersão no espectador) em várias das pessoas que haviam feito parte de sua jornada (entre elas, Eugeo, Ronie, Tiese, Liena e Selka).

Nesse momento, eu simplesmente caí da cadeira, observando todas as características que se desenharam no enredo. Simplesmente fantástico. O sistema Cardinal não só passou para uma interface humana, mas ele literalmente se tornou humano, tal como os Fluctlights Artificiais daquele mundo. Cardinal não é apenas mais um sistema, ela é humana, de certa forma. Ela possui orgulho e toma atitudes com base, também, eu suas conclusões e crenças., Isso é genial. Um sistema de controle humanizado, quem poderia pensar nisso? E, não obstante, as razões e os motivos que guiam suas decisões também possuem caráter simbólico. É óbvio que, independente de qualquer um dos dois caminhos, os Fluctlights morrerão ou deixarão de existir. Porém, Cardinal escolhe o segundo pelas crenças que adquiriu, isto é, pela repulsa à ideologia de Rath, além de um valor simbólico de protesto. Me surpreende como Kawahara deu essas características humanas a um sistema. E o episódio que já havia me surpreendido de uma forma impressionante agora avança para ser o melhor da temporada.

Kirito, de certa forma seduzido pela proposta, cerra os punhos (me pareceu uma tentativa de se controlar) e questiona as intenções de Cardinal. Afinal, Cardinal é um produto do Ritual de Síntese e, logo, é uma certa “cópia” das informações de Quinella, apesar de agir conforme dita o sistema sub. Dessa forma, Cardinal também, possuiria, hipoteticamente, o sangue dos nobres de alto escalão correndo por suas veias e, como tal, os genes daqueles que buscam lucros e realizações de suas ambições e desejos egoístas. Em primeiro lugar, devo dizer que essa colocação se encaixou perfeitamente, na medida em que retomou completamente aquilo que já havíamos visto duas semanas atrás (no episódio 12, que teve o intervalo de uma semana) sobre a corrupção e sua origem em Underworld. Mas não apenas isso: Cardinal possui, como acabamos de ver, traços de humanidade, e o que Kirito faz é justamente questionar suas decisões enquanto também um Fluctlight, além de um sistema. Isso soa muito profundo, na medida em que ela, a partir do momento em que deixa de ser apenas um sistema, perde sua imparcialidade para julgar os outros, e nosso herói questiona isso, relacionando-a com uma hipótese ainda mais desagradável: a possibilidade de que ela seja afetada pelos sentimentos característicos dos nobres.

Porém, Kawahara encontrou uma outra justificativa que responde perfeitamente ao porquê de Cardinal não se render a tais impulsos. Kirito pergunta à bibliotecária por que ela não abandona aquele local e foge. Ela, então, responde que, para Cardinal, todo o lucro e desejo que Kirito havia enunciado corresponde ao próprio sentimento de corrigir os erros do sistema Main e Normalizar o mundo. Isso nos relembra o fato de que, embora tenha seu lado humano, ela continua agindo conforme foi programada, isto é, como um sistema e de acordo com os propósitos dele. O caráter humano dela, portanto, influenciou no que ela faria com o mundo em vista de seu inevitável fim pela invasão, mas não regeu o comportamento dela em permanecer 200 anos na biblioteca e em desejar derrotar Quinella. Quem fez isso foi sua parte sistema. Essa passagem, além de nos relembrar e esclarecer ainda mais os motivos pelos quais Cardinal fez tudo isso (e traçou o plano seguinte), ainda expõe a dualidade com que a personagem foi construída. Ela é um Sistema Imparcial e que luta pela preservação da ordem e, em paralelo, um Fluctlight Artificial, dotado de desejos, crenças e parcialidade, o que ditou sua resolução para com o mundo após a derrocada da ditadura de Quinella.

Contudo, como vemos na fala seguinte, Cardinal também teve a questão da eliminação do mundo ditada por seu lado de sistema, na medida em que ela diz: “no meu ponto de vista, um mundo normalizado não será possível, a menos que seja retornado à nulidade.” Em resumo, a resolução de apagar o Lightcube Core é parte determinada por seu lado de sistema e parte determinada por seu lado de Fluctlight (humana), sendo o último, principalmente, presente nas motivações pelas quais escolheu esse caminho. De repente, Cardinal hesita e reflete sobre seus desejos, agora que essa questão havia sido levantada. Ela conta que queria saber, durante os últimos 200 anos, desesperadamente uma coisa. Nisso, ela se levanta e pede para que Kirito faça o mesmo, além de subir, em seguida, na cadeira (dada a diferença de altura). A loli pede para que ele se aproxime dela, até que ele chegue perto. É um alívio cômico como ela instrui ele para abrir os braços e fazer um círculo em volta dela (Kirito é bem lento para entender a situação, daí o alívio cômico), até que Cardinal perde a paciência e o abraça, com o chapéu caindo em detalhe na animação.

Enquanto ela o abraça, ela diz com suas palavras: “então, é isto que significa ser humano…”, enquanto Kirito, comovido, a abraça em resposta, deixando-a perplexa. Ela, então, faz uma observação muito parecida com a de Lisbeth no episódio 07 da primeira temporada, acerca do calor de Kirito, um vestígio de Realidade presente no mundo virtual. Ela também diz se sentir recompensada e derrama lágrimas, contando que aqueles 200 anos não foram em vão, apenas por ter descoberto esse calor. Sinceramente, não sei como é possível não se surpreender com uma cena dessas. Sensacional, assim como todo o restante do episódio. Derramei algumas lágrimas, mas o mais interessante é de como Kawahara nos confirma, a partir disso, que Cardinal é uma interface tridimensional, tanto humana como sistema. Ela, sendo virtual, também anseia pela sensação de algo real, haja vista que é, provavelmente, a única que possui consciência, junto com Kirito e Quinella, da existência de um mundo fora de Underworld. Ela ansiava por descobrir uma sensação parecida, alguma experiência que a mostrasse como é ser humano, e conseguiu. E, não bastasse isso, a cena é tocante e bonita o suficiente para emocionar alguns dos espectadores (isso é mais subjetivo, mas ainda vale como observação, já que estou me baseando na minha experiência como espectador). Vale destacar o detalhe sutil: Kawahara também estabelece uma ligação com a primeira temporada aqui. Claro, salvo que são mundos diferentes e a Tecnologia de Full-Dive evoluiu bastante, a situação se parece muito com Liz descrevendo o calor das mãos de Kirito como algo real em meio àquele mundo Virtual. Mais uma, portanto, fenomenal ligação com temporadas anteriores, essa muito mais sutil e implícita.

Ao fim do abraço, ela rapidamente se abaixa para pegar seu chapéu, enquanto pergunta para Kirito, novamente, sobre sua decisão a respeito de ajudá-la ou não com o plano. Nosso herói, com sua personalidade conhecida, responde que ajudaria. No entanto, ele acrescenta uma ressalva: ainda continuaria considerando sobre a situação, ou seja, continuaria buscando por uma terceira alternativa, uma solução para que Underworld continue vivendo de uma forma pacífica e, ao mesmo tempo, sobreviva à Invasão. Cardinal subestima seu ponto de vista, o taxando de otimista em excesso. No entanto, ela é surpreendida logo em seguida, quando ele conta que uma das pessoas que ele desejava salvar era ela própria (afinal, uma das 10 pessoas escolhidas seria ela). A animação da expressão dela é muito boa, e se segue dela o repreendendo por ser tolo, já que, se ela se salvasse, não haveria ninguém para extinguir o mundo. Claramente, Kirito responde que entende a situação, mas que não deixaria de lutar por uma nova solução (aliás, acredito que ele já tinha ciência de que Cardinal não poderia ser salva caso o mundo fosse apagado e falara aquilo de propósito).

Resignada, Cardinal se vira e profetiza novamente: “um dia, Kirito conheceria a amargura de desistir… não aquela que viria depois dele se esforçar, mas o fato de ser forçado a aceitar a possibilidade de falhar.” Uma frase que me colocou em um estado de reflexão: afinal, Kirito poderia arrumar uma solução ou suas esperanças serão, no final das contas, em vão? Ele assente com sua expressão e somos deslocados para outro ponto da Grande Biblioteca, onde Eugeo se encontra lendo um livro. Lembrando que Eugeo não possui conhecimento da conversa entre eles, justamente por ser um Fluctlight, Kirito mente (na verdade, não é uma mentira, e sim uma “omissão seletiva”, como diria Lucifer Morningstar), dizendo que Cardinal costumava ser uma pontífice e que fora banida por Quinella para a Biblioteca. A “mentira” se encaixa, na medida em que Cardinal ajudaria eles a derrotarem os Cavaleiros para que pudesse recuperar sua posição de Pontífice. Eles, portanto, estariam juntando forças a partir dali.

Eugeo, aproveitando a situação (ele, provavelmente, passou bastante tempo lendo sobre história ali), indaga para Cardinal se ela saberia, por acaso, confirmar que Alice Synthesis Thirty seria a mesma pessoa que Alice Zuberg, de Rulid. Ela não é capaz de confirmar, justamente pelo fato de acessar uma quantidade de informações muito limitada daquele local. Sendo assim, ela se limita a contar como reverter o Ritual de Síntese, o mesmo utilizado para produzir os Cavaleiros. Ela conta que deveria ser removido o Piety Module da testa dos cavaleiros, algo que se parece com um prisma triangular (finalmente, chegamos à explicação que estava faltando: como seria possível restaurar as memórias dos cavaleiros), ou seja, aquilo que foi visto saindo da testa de Eldrie no episódio anterior (como o próprio Eugeo se lembra).

Cardinal conta que o Piety Module funciona como uma forma de bloquear o acesso às diversas memórias, ou seja, impedindo que o Fluctlight acesse seu passado. Assim, ele se torna um Cavaleiro da Integridade, ao mesmo tempo em que jura lealdade à Igreja do Axioma e à Pontífice. Kirito, lembrando do que havia acontecido com Eldrie, pergunta se, para desfazer o que havia acontecido, eles teriam que relembrar as memórias passadas do cavaleiro. No entanto, Cardinal diz que isso não era suficiente. Para que o processo seja restaurado, é preciso substituir o Piety Module pelo pedaço de memória mais precisos do cavaleiro, os quais, por intuição dela, estariam guardados nos aposentos de Quinella, no último andar da Catedral Central (o topo, tal como vimos desde o episódio 02). Está feito, portanto, o gancho para que eles escalem a torre. Motivações sólidas e apoiadas em uma construção de mundo fenomenal, complexa e filosófica… sem dúvidas, tudo está impecável até aqui. Kirito ainda recapitual o plano, concluindo que seria necessário que ele e Eugeo escalassem todos os andares da torre até chegar ao topo.

No entanto, Cardinal também conta que a única e provável forma de eles derrotarem um Cavaleiro da Integridade seria matá-lo, além de só ser capaz de providenciar equipamento similar para eles. Eles, portanto, estariam largados às suas próprias habilidades. Porém, nosso personagem tão humano e sensível até aqui não poderia deixar de se manifestar. Eugeo, não sendo capaz de lutar contra Alice e com o objetivo de recuperar suas memórias com ela, indaga sobre o que fazer, caso o cavaleiro a ser derrotado seja Alice. Cardinal, compreendendo seu objetivo, apresenta a eles duas Adagas minúsculas. Ela conta que qualquer ser que for apunhalado por aquela adaga criará uma conexão inquebrável com ela, sendo possível que Cardinal use artes sagradas para afetar essa pessoa. Assim, Cardinal Instrui que eles apunhalem ela em qualquer parte do corpo, para que Cardinal seja capaz de colocá-la em um sono profundo, segurando-a até que as memórias sejam recuperadas para reverter o ritual de síntese. Uma coisa que fui perceber apenas agora, enquanto fazia a Review, é como os nomes dos Cavaleiros da Integridade são mensagens ao Ritual. O termo “Synthesis” vem justamente dessa cerimônia manipuladora de memórias, ao mesmo tempo em que o número é a referência ao número do cavaleiro, o que eu já havia dito em reviews anteriores. Cardinal também conta que havia criado as adagas para utilizar contra Quinella e criado uma segunda como forma de segurança… isso deixa um possível gancho, já que não sabemos se ambas serão usadas em Alice ou se uma será usada em Quinella. O mistério é sustentado, mesmo com todas as explicações, o que mantém um clima de ansiedade no espectador.

Kirito, de repente, se dá conta do que Cardinal havia dito e pergunta sobre como ela lhes forneceria equipamento poderoso. Ela responde que as espadas que eles carrega já são poderosas o suficiente, e que  os ajudaria a recuperá-las. A bibliotecária deduz que elas estariam guardadas no terceiro andar da Catedral, ao mesmo tempo em que responde Kirito, que havia perguntado sobre em qual andar ficariam os aposentos de Quinella. Ao obter a resposta 100, ele solta um suspiro de lembrança(nem houve referência aqui, certo?). O que me deixa curioso é que, provavelmente, o sistema seguirá próximo do de Aincrad. Sendo assim, os três primeiros andares serão enfrentados sem armas, exigindo novas soluções mirabolantes de Kirito e Eugeo (como no episódio 04 e na luta contra Eldrie). Perceba como o gancho para um mini-arco focado muito mais em ação é criado de uma maneira muito boa, sem entraves, furos ou passing irritante (ao menos, não para mim, já que a questão do passing é, quase sempre, subjetiva).

Com o episódio denso, Cardinal também acrescenta que apenas as espadas não serão suficientes para que eles derrotem os Cavaleiros. Isso porque as armas, embora sejam do mesmo nível, não são nada perto de uma técnica que os Cavaleiros possuem, amplificadora das habilidades das armas. Vimos isso no episódio anterior, com Eldrie libertando seu chicote. Eugeo pergunta se ela estaria se referindo à “Arte do Controle Perfeito da Arma” (nova referência ao Eldrie), o que ela assente e passa a explicar. As armas divinas (conceito que já fomos apresentados desde o episódio 01) guardam todas as características do objeto que são feitas. Sendo assim, ao libertar a verdadeira natureza da arma, as Artes de Controle Perfeito permitem um poderio ofensivo inigualável. Basicamente, as armas divinas possuem um poder especial, sendo ele característico de cada uma. Assim, ela pede para que ambos fechem os olhos e pensem em suas espadas e na origem delas (novamente, o poder da imaginação tem uma força importante nesse mundo, já que o que Cardinal faz aqui é justamente baseado nisso).

A animação que segue nessa parte final é digna de aplausos de pé (além da OST). Volto a dizer que animar pensamentos quando estes não são cenas de interação e lutas normais, mas sim coisas abstratas, é algo bem mais difícil, ainda mais pela questão da adaptação em anime. Dessa forma, mais uma vez a A-1 faz um trabalho muito bom. Vemos Kirito lembrando de sua espada negra (ainda sem nome) e do Cedro Gigas e seus galhos crescendo até delinear o perfil da árvore, objeto de origem da espada. A animação é tão fantástica (e incorpora as partículas usadas por vezes na animação da Skill Sword) quanto a que se segue, com Eugeo lembrando da Blue Rose Sword e do objeto da qual ela advém: uma rosa congelada em meio à nevasca de uma terra nevada (daí o nome “Rose”).

Cardinal, aproveitando o desenho imaginativo de Kirito e Eugeo, materializa duas folhas de papel repletas de comando e entrega uma a cada um, dizendo-os para memorizarem completamente. Devo ressaltar que a forma com que o poder da imaginação, algo que já esclareci em reviews anteriores ser plausível, é reaproveitado e encadeado aqui como um elemento que estrutura os acontecimentos de uma forma muito boa. O fato de ele voltar a ser aplicado em meio a tantos comandos de sistema (a subjetividade aparecendo em conjunto, e não apenas a objetividade do sistema) foi excelente e ponderou o quão interessante é a construção desse mundo, o qual não é apenas digital, mas tem um vestígio de ral incorporado e residente na ligação com a mente e com a imaginação da alma.

Para o “Gran Finale”, Cardinal abre uma nova porta (com a Ending tocando ao fundo), a qual dará na catedral. Em uma tentativa de apoteose, ela diz que ambos são os responsáveis pelo destino daquele mundo dali em diante: se ele seria “engolido pelo fogo do inferno” ou retornado à nulidade. Ela, porém, mantém a declaração de Kirito viva, no caso de eles encontrarem um terceiro caminho. Ainda mantendo o final heróico, simbólico e de excelente encerramento de cour, Eugeo promete à Cardinal que iria chegar ao topo da catedral, restaurar as memórias de Alice e cumpriria seu objetivo, enquanto Kirito à agradece por tudo (de uma forma sem palavras, mas com um gesto simples e que traduz bem o que ele quis dizer). A porta se abre, finalmente, e os dois amigos se entreolham, se cumprimentam e seguem lentamente para o destino que os aguarda, com uma animação muito bonita e efeitos luminosos ótimos, em um bom compasso com a Ending, Iris. Uma finalização digna para um cour tão excelente de construção de mundo.

NOTA FINAL: Sem sombra de dúvidas, 10. Um episódio praticamente perfeito. O melhor da temporada até agora. Minhas observações estão todas diluídas na Review, mas só tenho a aplaudir um episódio que apresenta tantas explicações plausíveis, bem feitas, complexas, que acompanham um Plot Twist muito interessante e encaminham ganchos para ainda mais. No mais, animação impecável, OST impecável, monólogos de imersão, hiatos curtos entre conceito e explicação, além de emoções completamente checadas e uma cena tocante. Não preciso nem mesmo comentar dos encadeamentos de enredo. São pertinentes como sempre e me fazem gostar ainda mais do anime.

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