Sword Art Online: Alicization #12 – A Dama Ditadora – Comentários Semanais

Vamos continuando o nosso review semanal de SAO Alicizaton, mas antes compartilhe que isso ajuda muito a nos motivar a continuar e também a divulgar o nosso review.

[25 DE MAIO, ANO 380 DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE]

Emendando o Cliffhanger do episódio passado, quando Kirito e Eugeo foram supreendidos por Eldrie Synthesis Thirty-One, um Cavaleiro da Integridade e discípulo de Alice, Kirito e Eugeo se encontram frente ao combate. Nosso protagonista sinaliza para que Eugeo fique à espera do sinal dele, enquanto ele seria o primeiro a avançar sobre o cavaleiro, usando as correntes que estavam presas ao pulso. Ao notar as armas que seriam usadas, Eldrie diz que não iria lutar utilizando sua espada, mas sim um chicote, que tira de sua cintura. Inicialmente, a arma não parece ter forma, mas ele utiliza uma arte sagrada sobre ela (“System Call: Enhance Armament”), tornando-a um chicote poderoso e longo.

Agora com sua arma empunhada, Eldrie se prepara para desferir um golpe sobre os dois fugitivos, o que mantém Kirito, à frente com certa confiança. Ele diz a Eugeo (substituindo, mais uma vez, os monólogos) que, em se tratando de um chicote, contanto que ele e Eugeo ficassem à uma distância segura, eles não poderiam ser alcançados, uma estratégia que faria sentido. No entanto, logo no segundo seguinte ele percebe que estava errado: o chicote do cavaleiro exibe um efeito (similar a um círculo luminoso em sua ponta) e brilha, aumentando seu comprimento ao passo em que o ataque é desferido. Desse modo, Kirito só é capaz de bloquear o golpe com sua corrente, sendo jogado para trás, enquanto percebe que o chicote, na verdade, possui uma característica especial: é capaz se de distender. Eldrie reagrupa sua arma e então observa que Kirito foi capaz de resistir a um ataque de seu objeto divino (armas empunhadas pelos Cavaleiros da Integridade, descritas no episódio 03), o “Chicote de Escamas Gélidas”.

Eugeo, tendo ciência da situação e da pressão, corre na direção de Kirito, preocupado, e, ao olhar para a corrente, percebe que ela se encontra rachada pelo golpe (isso será de grande importância mais à frente). Kirito, recuprando a lucidez, diz para Eugeo avançar sobre Eldrie, enquanto ele daria um jeito de parar o golpe do chicote. E, enquanto planejavam, Eldrie os interrompe com  uma nova provocação, típica de inimigos mais fortes (“tentem me manter, ao menos, um pouco entretido”). Com a cena de ação prestes a começar novamente, temos o início da Opening.

Revelado o título do episódio, “A sábia da Biblioteca”, voltamos à cena de luta, quando Kirito, na tentativa, aparentemente, de atacar o cavaleiro, evoca uma arte sagrada: “System Call: Generate Thermal Element”. Com uma expressão despreocupada, o cavaleiro apenas estende a mão e chama por outro feitiço, oposto ao de Kirito: “System Call: Generate Criogenic Element”. Como já estamos familiarizados, Kirito não apresenta um nível muito magistral de perícia no controle das artes sagradas, o que explica o porquê de, na conjuração do comando, ele preencher apenas três dedos com o elemento, enquanto o cavaleiro, sem esforço algum, preencher todos os cinco. Ainda na tentativa de humilhar os oponentes, Eldrie ordena um “Form Element, Bird Shape”, tornando seus feitiços em forma de pássaros, ou seja, lentos e praticamente inofensivos, enquanto Kirito, na ofensiva, profere um “Form Element: Arrow Shape”, isto é, formato de flecha, em busca de projéteis. Cabe destacar, aqui, que certas magias possuem mais comandos do que as artes sagradas normais (ainda não havíamos visto esse tipo de magia até aqui, mas somos capazes de notar que Kirito e Eldrie usam comandos adicionais aos já mencionados, definindo a forma de seus efeitos).

Seguindo o combate, ambos disparam suas artes sagradas com o comando “Discharge” e, como uma relativa prova da superioridade do cavaleiro, elas empatam (os pássaros deveriam ser inofensivos). Kirito, contudo, demonstra que não tinha esperanças nas magias como algo ofensivo, e sim como uma forma de distração ao serem repelidas, já que ele utiliza da cortina de fumaça para criar um elemento “surpresa” no cavaleiro. Enquanto sai da cortina, Eldrie tenta acertá-lo com o chicote, mas erra o alvo ao lado. No entanto, ainda manipulando sua arma (com o poder da imaginação), ele faz com que o chicote se bifurque (e até adquira alguns espinhos), sendo capaz de atingir Kirito em cheio em seu abdome. Golpeado, nosso herói tem um corte (aparentemente superficial) no abdome e cai no chão, enquanto o cavaleiro se questiona se não havia o superestimado e se prepara para finalizar.

Iniciando a trilha de Swordland, Eugeo tenta surpreender o Cavaleiro por trás com um golpe de corrente, mas é repelido pelo chicote, caindo na fonte logo atrás. Essa se revelou ser mais uma distração, na medida em que Kirito, agora levantado, corre em direção a Eldrie e tenta acertá-lo com a corrente (subestimando os inimigos, ele havia virado as costas para Kirito), o qual, não tendo tempo para mover o chicote, agarra a arma de Kirito. Nosso herói, com a arma presa, opta por também bloquear a arma do Cavaleiro, ficando ambos em uma espécie de “cabo de guerra” em tentar tomar a arma do outro, enquanto Eldrie o elogia por ser capaz de feri-lo daquela forma, com a corrente (em detalhe, a mão dele sangra, o que significa que ele sentiu o golpe, de certa forma). Ainda puxando as armas um do outro, o cavaleiro também observa que o estilo de combate de Kirito lhe parece familiar, obtendo a resposta de que, sendo assim, seja provável que ele tenha enfrentado algum espadachim do estilo Serlut antes.

Com isso, Eldrie responde que tal feito seria impossível, haja vista que ele teria sido invocado para o mundo dos humanos há apenas um mês, como Cavaleiro da Integridade. Kirito, respondendo, ajeita sua postura e dá um severo puxão na corrente em sua direção, de forma que a tração de ambos parte, a partir da fechadura que havia sido causada, a arma. Agora com a corrente solta, Kirito não apenas atraiu a atenção de Eldrie (parece que ele havia segurado até o momento de Eugeo voltar), como também foi capaz de se afastar o suficiente e concentrar sua força no chicote, imobilizando a arma. Nesse contexto, Eugeo aparece como elemento surpresa (novamente) por trás e, dessa vez, está prestes a golpear o Cavaleiro da Integridade, quando ele revela uma arma secreta de seu objeto divino: um comando denominado “Release Recollection”.

Esse tipo de estratégia, para mim, já valeu o ingresso das cenas de ação… além de extremamente criativa e perspicaz, ela é eficienta ao aproveitar os mínimos detalhes de cenário. A corrente, antes um mero resquício dos prisioneiros, agora é um instrumento de batalha e, não obstante, tendo sua vida extremamente baixa por ser partida e também golpeada pelo chicote, foi novamente ressignificada e atua agora como uma garantia de estratégia. Kirito não foi apenas criativo e se utilizou de todos os elementos ali presentes, mas também soube se virar com apenas aquilo que lhe foi dado, algo que adiciona muita emoção. É sempre bom ver estratégias mirabolantes. E, como sempre, a animação e a OST da cena de ação foram impecáveis.

Ao proferir o comando, o chicote, entrelaçado no braço de Kirito, passa a brilhar fortemente e sua extremidade toma forma de uma cobra vermelha, avançando sobre Eugeo e agarrando sua corrente, fazendo a força necessária para bloquear o golpe e jogá-lo no chão, praticamente desarmado, enquanto Eldrie põe a espada sobre sua cabeça. Certamente surpreso, Eldrie conta que Alice havia pedido para que tomasse cuidado com Eugeo, uma vez que, justamente por seu ataque ser mais sem forma (como já vimos na academia, Eugeo não age tão formalmente com estilos como os demais, seguindo apenas o estilo Aincrad de Kirito, sem qualquer dinastia oficial, e sendo taxado como um desengonçado por discípulos como Raios e Humbert, apesar de notável habilidade). Ainda sobre o ataque, ele acrescenta que nunca pensaria que seria obrigado a utilizar sua habilidade especial, “Liberação de Memórias”.

Ao ouvir esse nome, Eugeo demonstra se lembrar de algo (isso fica bem estampado em sua expressão). Essa coisa é dita, logo depois, se tratar de que o cavaleiro era, na verdade, Eldrie Woolsburg, um espadachim representante do império de Norlangarth do Norte e vencedor do campeonato de unificação dos quatro imérios (está aí a explicação de como ele sabia). Eugeo, ainda sobre o cavaleiro, diz saber que ele havia ganhado todas as partidas com apenas um ponto, utilizando técnicas de espada graciosas. Ao ouvir isso, Eldrie apenas repetia os nomes e, então, passava a negar os fatos, exibindo uma expressão de choque e incrédula.

Ele tenta reafirmar que se trata de um Cavaleiro da Integridade e, aqui, deixa escapar que havia sido “convidado” pela pontífice, Administrator-sama, para que descendesse nessas terras dos céus como cavaleiro. As negações e os choques de voz ficam cada vez mais extensos e ele chega a recuar e largar sua arma, quando um triângulo roxo se desenha sobre sua testa e, dali, surge um prisma opaco roxo, ainda não totalmente. Nesse momento, com Eugeo e Kirito surpresos e sem saberem o que estava acontecendo, Eldrie grita e se ajoelha, inconsciente.

Kirito, monologando (como sempre, proporcionando imersão e nos ajudando a explicar o raciocínio do personagem, foi super produtivo aqui), tenta relacionar o prisma triangular com o fato de Alice ter perdido suas memórias e, ao observar que ele voltava a se inserir na cabeça de Eldrie, nosso herói testa chamar pelo nome verdadeiro dele novamente. Como resultado, ele vê que  prisma para, confirmando que a revelação de memórias seria, de fato, a responsável pelo colapso mental e pela saída momentânea do objeto. Expondo seu raciocínio, ele fala para Eugeo continuar apresentando verdades sobre o passado de Eldrie (a essa altura do campeonato, já é óbvio que, vencendo o torneio de unificação e sendo extremamente talentoso, Eldrie era um dos alunos da academia que conquistara seu objetivo em se tornar um cavaleiro da integridade, o que se relaciona muito bem com a ambientação que tivemos no episódio anterior, quando Kirito e Eugeo discutiram sobre a possibilidade de que, caso vencessem o torneio, perderiam suas memórias tal como Alice), para que o prisma continue a sair.

Nesse sentido, Eugeo diz que o Eldrie é filho de Eschdor Woolsburg, General da Ordem de Cavaleiros Imperiais, e que o nome de sua mãe é Almera, lembranças que fazem o cavaleiro chorar e o prisma continuar a sair. Kirito, impulsivamente, diz para que ele lembre-se de tudo, quando, de repente, uma flecha atravessa sua frente e atinge diretamente o peito de seu pé. Perfurado, ele retira a flecha (dessa vez, aparentemente, o corte foi profundo, ao contrário da situação do episódio 04 e do início desse episódio) e observa seu pé sangrar, enquanto o agressor dispara mais duas flechas à frente, buscando afastá-los de Eldrie. Kirito e Eugeo inspecionam o agressor: um outro Cavaleiro da Integridade, arqueiro, vestindo uma armadura vermelha e montando um dragão, o qual brada que não iria perdoá-los pela tentativa de “tentar um Cavaleiro da Integridade a perder sua graça” e, assim, pega novas flechas, na tentativa de alvejá-los e capturá-los de volta para as masmorras (vale lembrar que, enquanto ele diz isso, o prisma retorna à cabeça de Eldrie, ainda inconsciente). Kirito e Eugeo, cientes da impossibilidade de enfrentá-lo, começam a correr dos disparos pelo labirinto, até que se deparam, à frente, com uma bifurcação.

Indeciso, Kirito se vê em apuros, mas uma voz misteriosa, a mesma do episódio 08, surge em sua mente e manipula seu cabelo, indicando para que ele se movesse para a direita (a animação disso ficou excelente também). Ele segue as indicações e ambos viram para esse lado, enquanto o cavaleiro se prepara para a flechada final. O caminho, sem saída, começa a desesperá-los e, quando tudo parecis estar perdido, uma porta luminosa surge na lateral do labirinto, com uma voz clamando por eles, assim como uma mão. Ambos pulam e conseguem, enfim, despistar o cavaleiro, enquanto a porta desparece na imensidão da noite. Agora, vamos à minha única crítica dentro de todo o episódio. Kirito havia sido alvejado no pé e o corte foi, de certa forma, profundo. Claro, a animação dele pulando nesse final de cena demonstra o sapato ensangüentado, o que revela que eles não erraram nesse detalhe. No entanto, tendo esse ferimento, o anime poderia colocá-lo correndo de uma forma um pouco mais com dificuldade, isto é, mancando em certos momentos. Esse é um detalhe simples e que poderia familiarizar mais com a cena. No entanto, não houve esquecimento do ferimento aqui, apenas vejo uma desaproximação muito sutil da lógica, a qual poderia ser resolvida com alguns simples segundos de animação. Arrisco dizer que pode ter sido algum corte ou mudança na adaptação, uma vez que a estratégia da corrente, nesse mesmo episódio, é extremamente detalhista, o que deixa difícil acreditar que seja um erro de escrita.

Quanto aos comentários sobre as cenas, simplesmente excelente. Tudo foi devidamente ambientado a partir de episódios anteriores e os conceitos introduzidos são facilmente entendíveis graças ao conhecimento prévio que tínhamos. A manipulação das memórias de Alice, aqui, é ainda mais entendida por Kirito e Eugeo, que passam a ter uma vaga noção de como recuperá-las. No entanto, eles já haviam até mesmo deduzido partes disso no episódio anterior, o que torna ainda mais bem encadeado. A imersão é justa e, à medida em que temos novas explicações, surgem também dezenas de novas perguntas, contribuindo ainda mais para que o mistério principal seja alimentado. É claro que isso é natural, tendo em vista que estamos apenas no 12° Episódio de prováveis 50 ou 60. O pacing está, de fato, bem agradável, pelo menos ao meu ver, e a “lentidão” referida por alguns, na verdade, é benéfica para a obra, explicando todos os conceitos.

Kirito e Eugeo, saindo da porta, aparecem em uma sala totalmente diferente (com Kirito se esborrachando), com chão e paredes de madeira e luzes no estilo vitoriano. Eles olham à volta, inspecionando o local, e percebem a presença de uma garota, portando um cajado e um chapéu, de baixa estatura, a qual exclama que aquela porta, sendo detectada, não poderia mais ser usada por eles. Ela faz a porta secreta desaparecer e então se vira para eles, revelando ser a “maga” que menciono nos episódios anteriores, um dos últimos “spoilers” presentes na Opening. Kirito, ainda confuso, ensaia um agradecimento, mas Eugeo, mais bem comportando, é aquele quem dirige a palavra com mais certeza. Ambos se apresentam e Eugeo pergunta se ela viveria ali, obtendo a resposta de que não e um pedido para que eles a sigam pelo corredor à frente (Ela me lembra, pela dublagem e pela estatura, a Beatrice, de Re:Zero Kara Hajimeru Isekai Seikatsu). Eles também perguntam se estariam dentro da Catedral da Torre naquele momento, o que a “maga” responde como “sim e não”. Em seguida, ela explica (hiato curto entre conceito e explicação, para que o espectador não fique perdido ou duvidoso) que aquele local, embora exista dentro da Catedral, teve sua porta removida por ela, o que faria com que ninguém fosse capaz de adentrar sem que seja convidado por ela. Eles chegam a uma vistosa porta, a qual é aberta por ela e revela a eles (um cenário incrivelmente bonito, diga-se de passagem) uma vasta biblioteca no estilo vitoriano, explicando, finalmente, a origem do título do episódio.

A personagem diz que os registros de toda a história do Underworld e a fórmula de todas as coisas estruturais desse mundo desde que ele havia sido criado, além de todos os comandos de sistema, chamados pelos habitantes de “artes sagradas”, estariam armazenados ali. Vale lembrar que, desde o epiisódio 01, eu já havia criado a teoria de que as artes sagradas seriam comandos de sistema confundidos com magias e que isso embasava uma teoria de que aqueles capazes de imortalizar a vida seriam, na verdade, administradores com poder de “Immortal Object”, teoria que, aqui, é praticamente confirmada e, ao longo desse episódio, se mostrará ainda mais certa, precisamente. Kirito também já havia deduzido dessa forma desde o episódio 03. Voltando ao cenário, Kirito pergunta o nome da personagem, a qual se apresenta como Cardinal (sim, é isso mesmo… o mesmo nome do sistema que regulava Sword Art Online e ALO, por que será, hein?), a única bibliotecária daquele lugar.

Eugeo, surpreso com o que Cardinal havia dito, pergunta se realmente toda a história estaria ali, obtendo a resposta de que sim, desde a “divisão do mundo dos humanos e do território da escuridão pelos deuses Stacia e Vecta”. Essa menção, bem despretensiosa à primeira vista, na verdade é carregada de informções. Ela retoma um elemento do mistério que é interessante e pouco abordado nos episódios após o quarto: a questão do território escuro. Outro ponto interessante é que o Deus Vecta, aquele “responsável” pelo desparecimento de Kirito segundo Eugeo, reaparece aqui, acompanhado de outro, provavelmente seu antônimo, um Deus chamado Stacia. Esse Stacia, provavelmente, é a entidade à qual é atribuída a Stacia Window, elemento do sistema de Underworld que é utilizado para indicar os atributos e é tão brilhantemente explorado. Assim, podemos concluir que o Underworld possui, também, um sistema de mitologia e de crenças próprias, de religião, no qual os cidadãos acreditam (guardem essa informação… será importante mais à frente). Cardinal ainda responde que Eugeo poderia ler sobre essas histórias caso quisesse, mas, primeiro, pede para que ambos estendam suas mãos, libertando-os, facilmente, das correntes (perceba que Cardinal, por ser o sistema em si, não precisa invocar comandos de sistema, algo sutil, mas muito adequado ao contexto).

Assim que retiram as correntes, Eugeo dá um leve espirro. Em detalhe, vemos o chão molhado e Cardinal observa que ele deveria se aquecer, apontando um corredor no fundo do qual haveria um banheiro para isso. Ele agradece e também se mostra interessado pela galeria de história (leria após o banho), o que Cardinal percebe e aponta onde ela ficaria, também acrescentando que iria providenciar algo para que eles pudessem comer após o banho. Agradecido pelo tratamento, Eugeo deixa o recinto e, assim que o faz, Cardinal franze a testa e complementa sua fala com uma ressalva: “apesar de todos os registros aqui terem sido fabricados pela pontífice da Igreja do Axioma”. Kirito, ainda ali, se mostra surpreso, uma vez que, sendo verdade essa afirmação, não haveriam Deuses naquele mundo (lembram-se da mitologia daquele mundo que mencionei, então… agora vocês entendem o porquê de ela ser importante para a história?).

Nesse contexto, Cardinal explica que não existiriam Deuses naquele mundo e que os mitos eram apenas boatos espalhados pela Igreja do Axioma para que fosse firmado o controle dela sobre os cidadãos (embora os deuses tenham, de fato, sido registrados em contas administrativas emergenciais naquele mundo). Essa forma como ela fala nos deixa ainda mais claro que ela é o próprio sistema (sabendo tanto da história e sobre o registro de contas, além dos comandos), bem como, nesse momento, a tela foca em uma imagem simbólica semelhante àquela da opening e do início do episódio anterior, na academia. Agora, com maior nitidez, vemos que a imagem é uma representação dessas mitologias, com deuses arqueiros (anjos) e ceifeiros (demônios) e dois mundos representados: o mundo da escuridão e o mundo dos humanos. Esse maniqueísmo também é interessante e alimenta razoávelmente o mistério principal envolvendo o Mundo da escuridão (traz o questionamento de que, afinal, por que motivos esse mundo é censurado pelo Index Taboo e o que haveria nele?).

Cardinal também diz, logo depois, que nenhum ser humano do mundo exterior havia logado nas contas registradas como Deuses, demonstrando conhecer até mesmo o fato de ser um sistema. Depois disso, não há mais dúvida de que ela se trata, realmente do sistema, algo que Kirito logo expõe, dizendo que ela se trata, na verdade, de uma existência próxima do mundo externo. Em resposta, ela assente e transfere a acusação para ele também, o referindo como “usuário não identificado Kirito”. Ele concorda e, aproveitando a oportunidade, confirma que o Underworld havia sido criado por um grupo de pessoas chamado Rath e que ela se trata do Cardinal System, um sistema autônomo de controle do meio virtual. Surpresa, Cardinal pergunta se Kirito já havia contatado os semelhantes dela do outro lado, obtendo a resposta de que sim.

Ainda confuso com a situação, nosso herói pergunta que tipo de existência seria ela e o porquê de ela estar em uma interface antropomórfica. Assim, ela sorri e somos deslocados para uma cena em que ambos conversam em uma mesa. Ela lhe oferece comida e explica que, como ela havia feito magia nela, o alimento seria curativo para os ferimentos dele (sim, os ferimentos não deixaram furos, todos eles foram muito bem trabalhados, o que só reforça o meu pensamento de que o problema na cena da fuga tenha sido de animação ou adaptação, e não do material original… infelizmente, como não li a LN, não posso confirmar). Contente, Kirito diz que, com isso, ele não se espanta de ela ser a supervisora daquele mundo, No entanto, ela responde que não é isso que ele estaria pensando, só podendo manipular objetos naquela biblioteca. Ele também pergunta se ela conseguiria entrar em contato com o mundo real, algo que ela diz não ser capaz, justamente porque, caso pudesse, não estaria confinada naquele local por séculos. Na verdade, a única capaz disso, segundo ela, é a Pontífice, a Administradora. Ela invoca um chá e começa a contar uma longa história (e assim, confirmamos o plot twist… é agora que a cobra fuma).

Cardinal conta que, no início daquele mundo, Deuses existiam, ao contrário de hoje. Já deu para perceber que os Deuses, na verdade, são administradores da Rath, o que Kirito logo em seguida menciona (isso pode ser uma interpretação puramente minha, mas o Kirito deduz as coisas exatamente no mesmo momento em que o público começa a perceber… talvez seja uma coincidência, mas ainda sim é algo que indica, no mínimo, uma ambientação bem feita pleo anime). Esses quatro administradores criaram quatro crianças cada em duas fazendas, ensinando-as a ler, escrever, agricultura, pecuária e, sobretudo, a seguirem o Index Taboo, o qual era retratado como a ética, a moralidade daquele mundo (e até hoje é feito assim). Cardinal menciona que os quatro funcionários da Rath executaram a tarefa com uma grande maestria, sendo claro que eles eram extremamente inteligentes e competentes. No entanto, um deles (reparem no penteado dele), embora inteligente, era antiético. E, como tal, as crianças que por ele foram criadas herdaram desejos egoístas, a ganância e a ambição por poder.

Essas crianças, cultivando sentimentos negativos, se tornaram os ancestrais da Igreja do Axioma e dos altos nobres (o que também explica o porquê de Raios e Humbert, nobres de alto escalão, assim como aqueles cargos mais altos, serem tão arrogantes e preconceituosos, além de utilizarem de leis para seu favorecimento e julgarem com malícia os nobres de categorias mais baixas a partir da autoridade judicial). Cardinal, por fim, diz que, reinando sobre toda essa escória, está uma pessoa em específico, a nova supervisora desse mundo, a Pontífice “Administrator”. Comentando essa revelação, a achei simplesmente genial, uma vez que até mesmo a arrogância dos nobres de alto escalão pode ser explicada. Eu já esperava uma alta complexidade nesse mundo, mas não a esse ponto, de justificar até mesmo o comportamento desses vilões. Também acho incrível como que as história se encadeiam perfeitamente: Kirito, agora, também tem conhecimento da origem de Underworld, associando seus conhecimentos prévios sobre Fluctlights e sua experiência naquele mundo ao que lhe foi contado, se equiparando, talvez, à Asuna e aos demais da Rath. Sem dúvidas, SAO continua mantendo essa característica de encadeamento e entrelaçamento de informações que aprecio tanto e que vem dando certo. Os sentimentos negativos, enquanto originados pelos próprios humanos, também são muito plausíveis e bem explicados. E, vamos combinar, esse homem que possui sentimentos malignos é o mesmo que passou por Asuna no episódio anterior, na Rath. Eu havia dito que poderia ser Jhonny Black ou o Kayaba Akihiko, mas, na verdade, é um personagem novo, um novo antagonista que provavelmente será apresentado (errar faz parte…), até pela semelhança incrível em seu penteado. Esse simbolismo de imagens só tem a enriquecer o mistério e a atrair o público ainda mais para os próximos episódios.

Tendo ouvido sobre a Administrator, Kirito lembra que Eldris, o Cavaleiro da Integridade, também havia mencionado o nome dessa pessoa. Ele disse, como Kirito recorda, que teria sido invocado pela pontífice para essas terras. Cardinal, ouvindo a declaração, conta, agora, que Administrator, de certa forma, é sua irmã gêmea, o que tira uma expressão surpresa de Kirito. E, aqui, ela inicia a explicação do Plot Twist e da origem da Administradora, a mulher misteriosa da torre.

Cardinal conta que, várias décadas após os quatro membros a Rath (os quatro “deuses”, por assim dizer) terem se deslogado, depois de ensinar todas as virtudes básicas aos Fluctlights daquele mundo, o primeiro casamento político entre nobres foi estruturado e uma garota, em específico, nasceu dessa união. Devemos sempre lembrar que os nobres são aqueles que foram influenciados, nesse mundo, pelas intenções malignas do quarto membro da Rath, e que se tornaram a Igreja do Axioma, influentes naquele mundo. Essa garota se chamou Quinella.

Nesse momento, somos transportados por um flashback até uma mansão, onde, aparentemente, o pai de Quinella (sentado em um trono, o que sugere sua nobreza) a outorga o propósito (voltamos ao debate do propósito, ao qual fomos apresentados desde o começo… até Quinella, a Administradora daquele mundo, possuía um propósito) de pesquisar as artes sagradas. A garota, uma jovem de cabelos roxos, aceita de bom grado e se retira do recinto. Em seguida, vemos ela escrevendo, à luz de um lampião, coisas como “System Call” em uma folha de caderno. Ela reflete sobre os comandos que tinha acabado de aprender, tais como o “Call”, de System Call, e o “Generate”.

O anime, ao expor isso, deixa claro que ela estava aprendendo à medida em que estudava as artes sagradas, o que vemos de forma ainda mais exposta quando ela diz que “Call significa invocação” e “Generate significa ciração”. Em resumo, Quinella, ao estudar os famigerados comandos, passa a entendê-los melhor e a compreender que cada palavra tinha seu significado. Descobrindo uma fórmula geral, um significado para cada palavra, ela provavelmente aprendeu a criar e a descobrir novos comandos, recombinando os termos gerais (até porque, pelo que fomos expostos até aqui no anime, é isso que é feito pelos personagens para manipular as artes sagradas… são comandos simples e gerais, recombinados de forma que possam guiar para aquilo que o manipulador deseje). O sorriso malicioso dela ao final da cena nos deixa ainda mais bem estampado como ela aprende os conceitos e quais são suas intenções com eles.

Quinella, aprendendo sobre esse tipo de coisa nos primórdios daquele mundo, possuía uma habilidade notável para controlar as artes sagradas. Vemos, logo em seguida, ela ao pé de uma árvore (enquanto crianças brincam), com um livro e observando sua Stacia Window, a qual exibe uma perícia de artes sagradas ao nível 6. Ao pé de uma moita, na sua frente, surge um filhote de raposa (acredito eu, a mesma que é mencionada por Eugeo e Tiese no episódio 09, por ser comum na capital). Quinella, já com resquícios de crueldade (o que era de se esperar já que descendia de um membro da Rath éticamente errado), aponta sua mão para o filhote e comanda: “System Call: Generate Thermal Element” – Form Element: Arrow Shape… Fly Straight.” E, ao comandar o “Discharge”, ela acerta o filhote, sem o maior vestígio de condolência, apenas para satisfazer seu poder. É aqui que nasce a mais provável vilã principal do arco, mas a história e o aniem dão a entender que os resquícios de maldade dela já estavam presentes desde o tempo em que seus antepassados, nobres, descenderam do membro da Rath.

Ao assassinar covardemente o filhote para testar seu poder e com a Stacia Window ainda aberta, Quinella pôde perceber que seu valor de perícia no controle de artes sagradas aumentara, passando de 6 para 7 (para os céticos do episódio 04, é o mesmo lance pelo qual Kirito aumentou sua perícia no controle de objetos ao lutar contra os goblins). Ela sorri e, continuando com essa personificação de maldade (cuja construção é justificada perfeitamente pela história), protagoniza o assassinato de diversos outros animais. Ao final, vemos a cena em que, ao matar o último dos filhotes, ela vê em sua Stacia Window que havia atingido o nível 15 na perícia, soltando uma maléfica risada. Vale lembrar que, novamente, ela se encontra no começo de Underworld, em um período em que as cidades mal haviam se desenvolvido direito, sem Academia da Espada e outros afins e sem controle das Artes Sagradas. Quinella, logo, é pioneira nesse tipo de coisa… ela quem possui o conhecimento maior que o das outras pessoas, não apenas teórico, mas, como pudemos ver, empírico.

Em sequência, vemos Quinella à frente de diversos cidadãos de Underworld, com um garoto sentado e um clima de melancolçia. Uma mulher (excelente atuação vocal) pede desesperadamente para que Quinella cure as pernas do garoto (ela a trata como “Quinella-sama”, uma forma de respeito imensa, o que já sugere que estivemos em um Time-Skip, ao menos pequeno, e que, nesse período, por sua habilidade com as Artes Sagradas, Quinella cultivou uma espécie de adoração pelos cidadãos, uma espécie de messianismo). Ela chama por “System Call: Generate Luminous Element – Form Element: Liquid Shape” e derrama o líquido sobre as pernas do cidadão, curando-o. Claramente, vemos que Azurica fez algo parecido no episódio 10 com Eugeo e seu olho, mas, na época, durante o início de Underworld, Quinella era, provavelmente, a única capaz de mexer com tamanha maestria com essas artes sagradas, ainda sendo apenas uma criança.

É desse modo que os cidadãos, surpresos com a habilidade dela e leigos para a questão das artes sagradas, se voltam para ela e a idolatram, referindo-a como a filha do deus Stacia (aquele responsável pelo território dos humanos, em oposição a Vecta). Cardinal conta, nessa parte, que Quinella, ali, sabia que havia chegado a hora de satisfazer seu desejo infinito por poder. Mais crescida, agora em outra cena, Quinella aparece com uma aparência mais de adolescente, ainda jovem, explicando aos cidadãos que, em breve, eles teriam um lugar para louvar os deuses. Eles aparecem, curiosamente, à frente de uma praça, com um prédio sendo construído. Sua forma lembra muito (e é, de fato) a Torre Central.Avançamos gradativamente no tempo, vendo que Quinella, agora, se encontra no topo dessa torre, que é construída aos poucos. Mais adulta e ainda idolatrada, talbém vemos que a população de Centoria havia crescido, o que nos direciona para um monólogo( elementos que reforçam a imersão de sempre: checked).

Preocupada com o controle que poderia exercer sobre as crescentes massas (sim, isso virou uma ditadura), Quinella reflete que precisaria de uma lei escrita, não apenas para a oficialização, mas também com o propósito de garantir que ninguém com um nível de autoridade maior que o dela apareceria. Pensando assim, ela decide tornar a caça e o derramamento de sangue /homicídios (elementos que poderiam conferir um grande Status às pessoas e dar focos ao surgimento de autoridade) tabus. Ao mesmo tempo, com a torre central em construção, Centoria vai gradualmente tomando forma (tal como vemos na abertura) e sendo dividida nas regiões, ou quadrantes, que conhecemos pelos diálogos dos episódios anteriores. Com essa ilustração, passa-se o tempo e, ao final, em uma noite e no topo da torre, vemos Quinella distribuir para um empregado uma espécie de livro.

A essa altura do campeonato, você já deve imaginar que esse livro se trata do Index Taboo. Dito e feito, Quinella entrega o livro e diz que ele é a compilação dos ensinamentos do Deus Stacia, um livro sagrado (ela se aproveita da situação em que ela era considerada uma espécie de filha dele, um “messias”, uma forma de comunicação direta entre Stacia e o povo). Ela também pede para que o empregado distribua as cópias do livro e faça com que as pessoas obedeçam.

Uma das melhores cenas desse episódio, Quinella, após terminar de escrever o Index Taboo, se depara com um choque de realidade (muito bem estampado na expressão dela): seu reinado e administração foi bem construído e moldado, mas sua garantia para que ninguém pudesse ter mais autoridade que ela desconsiderou um fato… o tempo passava para ela também. Em resumo, sua idade agora ameaçava seu reinado, sua ambição por poder e tudo que ela havia construído. Ela se mostra horrorizada ao perceber que envelheceu, algo que ilustra um choque muito bem feito pelo anime, meus parabéns para a A-1 em escolher e animar tão bem essa cena, que não precisou. Quinella, surpresa com a rápida passagem do tempo e em como essa passagem ameaçava sua ambição pelo controle do Underworld, passa a escrever e estudar ainda mais, buscando, provavelmente, uma forma de contornar esse tipo de problema. Vemos ela escrevendo alguns dos comandos em um livro e transcrevendo estudos, ao passo em que, para ilustrar a passagem do tempo ainda mais, Centoria ganha mais um anel (podemos ver um padrão de crescimento radial concêntrico).

Claramente sofrendo com os sinais do tempo, vemos Quinella tendo grandes dificuldades para subir a escada. Moribunda e adoecendo, ela se encontra agora em sua cama (inclusive, a cena da tosse sobre as mãos também foi um vestígio de como a A-1 escolhe muito bem as cenas para que anime as coisas sem precisar de diálogos… se alguns espectadores reclamaram de como SAO deixa muitos detalhes explícitos, essa cena é um bom exemplo de que também há passagens que exigem atenção e interpretação do espectador… claro, sem apresentar grandes desafios). Na cama, ainda muito doente, ela tenta (e parece, inicialmente, falhar) expressar um “System Call: Open List” e um “System Call: Read List”, não possuindo nenhum efeito. Com as mãos ensangüentadas pela tosse (hemoptise), ela lança um “System Call: Inspect List”, e, finalmente, aparece um brilho em seus Ainda não sabíamos do que isso tudo se tratava, porém, em mais um hiato curto entre o conceito e a explicação (aqui ele aparece novamente), Cardinal reaparece e conta que aquilo seria uma espécie de “porta proibida” que ela teria sido capaz de abrir. Talvez por uma coincidência muito improvável, ou talvez por interferência de alguém do mundo externo (guardem essa afirmação para futuras explicações… talvez possa ter a ver com o funcionário antiético da Rath), Quinella conseguiu acessar a lista inteira de comandos do mundo.

Com o intuito de demonstrar para Kirito, Cardinal chama o comando “System Call: Inspect Entire Command List”, demonstrando diversos comandos chaves. De uma maneira geral, Quinella havia percebido, ao longo da história, que vivia em um mundo virtual regido por comandos especiais.  De maneira semelhante ao que ocorre em Doki Doki Literature Club, ela manipula os comandos ao seu favor e é capaz de se tornar uma “deusa” naquele mundo. Minha teoria, enfim, se confirmou: os comandos de sistema foram, desde o início, confundidos com artes sagradas, delineando para o perfil de um vilão central que manipula, tal como um Game Master, os comandos daquele mundo.

Fazendo uso dos comandos, Quinella interrompe seu declínio natural e restaurar sua vida, para então restaurar sua aparência. Cabe destacar que a recuperação de sua beleza é mais uma forma de convencer os cidadãos de Underworld (embora seja mais por vaidade) de que ela seria filha de Stacia. No entanto, Cardinal conta que Quinella ainda não estava satisfeita com a aparência, ainda desejando um nível de autoridade superior ao de todos os habitantes daquele mundo. Aplicando excelentes efeitos de trovão para sinalizar uma atmosfera pesada com os efeitos, o anime trabalha de forma excelente a expressão de Quinella e a continuidade de suas ambições, seguindo para a conclusão de seu plano.

Cardinal conta que Quinella não conseguia nem tolerar a existência do Cardinal System, o qual se mostrava uma entidade de autoridade superior ao dela (o que, em detalhe, deixa Kirito perplexo). Armando para tomar essa autoridade para si, Quinella compôs um comando longo de sistema e o aplicou, aplicando todo o comando reservado ao Cardinal System em sua cabeça. Como resultado, ela acaba por gravar, em seu Fluctlight, como um princípio comportamental não editável (inclusive, a animação é excelentemente aplicada ao anime, com um “C” simbolizando o princípio do sistema gravado em seus olhos. Cardinal explica para Kirito que a intenção de Quinella ao fazer isso era roubar o nível de autoridade do Sistema, mas acabou se fundindo com ele. Isso explica, em última análise, o fato de Cardinal ainda ser possível de manipular o sistema, ao mesmo tempo em que também explica o porquê de Quinella ser capaz de manipular as memórias e outros afins do sistema tal como Cardinal.

Cardinal nos conta que o principal efeito ou propósito para o qual o Sistema Cardinal existe é a “Manutenção da Ordem”, o que Kirito provavelmente deve compreender (e todos nós, espectadores, que já tivemos contato com SAO I). Sendo assim, ao se fundir com o sistema, Quinella passa a agir monitorando tudo que ocorre entre as pessoas e intervindo sempre que algo fugir do equilíbrio, de forma “brutal”, como descreve a bibliotecária. Voltando à história, é nos contado que Quinella ficou inconsciente após ter se fundido e, após despertar, havia deixado, em todos os sentidos, de ser humana (mensagem simbólica que já irei abordar), sendo seu único propósito, enquanto parte do Sistema que regia aquele mundo, manter o equilíbrio que ela mesma havia conquistado, para sempre. Na tela, é exibida uma expressão maquiavélica dela, enquanto ela finalmente se declara o que todos nós já sabemos: a pontífice suprema da Igreja do Axioma, Quinella, a Administrator-sama. E, com a ending ao fundo, encerramos essa metade de explicações excelente.

Você, leitor, não achou que eu iria assistir à toda essa história e não iria comentar ao final dela, não é mesmo? Pois bem… novamente, Alicization, ao meu ver, dá uma aula de como introduzir um plot twist sem que seja brusca. O passing desse tipo de mistério foi perfeito e todos os conceitos não foram apenas introduzidos e explicados, como também possuem uma base lógica dentro do enredo. Por exemplo, o fato de Quinella ter todas as condições propícias a desenvolver sua personalidade maligna e sua ambição são justificados com base nas próprias raízes daquele mundo. Além disso, toda a base para que ela adquira conhecimento sobre as artes sagradas é compatível com o fato de seu propósito ter sido relegado desde o início daquele mundo. Em outras palavras, pelo fato de Underworld ser recente, Quinella se tornou a pioneira, como já mencionei, nas artes sagradas. Ela adquiriu, teórica e empíricamente, conhecimento o bastante e, assim, despertou conhecimento, ao estudar e praticar com a etimologia das palavras, de que aquele mundo era regido por comandos de sistema. A história dela é semelhante à de Doki DOki Literature Club (salvo as devidas comparações, claramente). Outro ponto que me chama grande atenção é como o fato de Cardinal ser personificada também é construído e justificado pela própria história, assim como seu poder não é mais onipresente, não podendo ajudar tanto nossos heróis como se imagina de um sistema. Em resumo, ao contrário do que se pensaria de uma personagem com conhecimento para explicar tudo, ela não se trata de uma conveniência de roteiro, e sim de uma personagem muito bem embasada na história e que possui, de fato, suas limitações.

Mas não fica por aí. Não bastasse a construção, as razões e o pacing serem muito bem introduzidos (além, é claro, de a animação suprir muito bem a provável redução de diálogos que deve ter ocorrido da LN para o anime), as ações de Quinella e a própria construção de sua personalidade são uma crítica social muito bem encaminhada. O fato de um membro da Rath conseguir influenciar tantos fluctlights ao longo de uma geração apenas transmitindo seus conhecimentos é, ao meu ver, uma forma de enunciar como uma conduta individual e como a educação pode impactar em toda uma sociedade. O homem, sendo um dos fundadores e um dos que regeram os princípios morais iniciais, deu raízes à corrpução. SAO, para mim, propõe aqui uma reflexão sobre como somos influenciados pelos fundamentos em que a sociedade se sustenta e em como a corrupção e os sentimentos negativos se transmitem facilmente. A própria Quinella também é uma personificação muito bem feita dos ditadores e de um indivíduo maquiavélico: ela age como for preciso para salvaguardar sua autoridade e seu poder, algo muito bem delineado na trama.

Mas, se você acredita que para por aqui, te digo que até mesmo o embasamento Sci-Fi da série faz todo o sentido. O fato de explorarem ainda mais a questão dos comandos de sistema nesse mundo (nessa temporada) é perfeitamente compatível com a questão do mundo virtual. É como se a vilã tivesse despertado a consciência e agido como um programador, inserindo princípios dos sistema Cardinal em si. A única diferença é que, ao contrário do programador, um agente externo, ela própria, um mecanismo virtual, fez isso. E, para finalizar, o fato de ela também ter um efeito colateral, herdando a forma de agir do Sistema Cardinal (o seu princípio de manter o equilíbrio) foi genial. É impressionante como Kawahara conseguiu utilizar de algo que seria um prejuízo para a vilã para torná-la ainda mais perigosa para os persdonagens. E isso também já encaminha o porquê de ela ter percebido Kirito e ter falado com ele no episódio 04: ela havia percebido, como disse Cardinal, que Kirito não faz parte daquele mundo. Ele é um usuário não registrado e, se tudo se seguir como parece, ele está na mira dela.

NOTA FINAL: Esse deveria ser o melhor episódio da temporada. Sim, ele supera, ao meu ver, até mesmo o episódio 06, introduzindo um Plot Twist ainda mais embasado. Ele é um vestígio da complexidade com a qual SAO III se constrói e foi escrito por Kawahara. Mas, infelizmente, ele não pode ser considerado o melhor, e também não pode receber nota 10. A impressão é que ele tinha tudo para conseguir nota máxima, mas terei de dar um 9,9 para ele, justamente pelo problema na cena de Kirito correndo. Como você, leitor, pode perceber, o problema não é com a revelação, que se mostrou impecável, muito menos com a ação. O problema é um defeito muito sutil e que a maioria não perceberia na animação. Algo realmente triste, visto que esse merecia ser o melhor da temporada. Ainda mantenho ele como segundo melhor (mesmo que outros tenham ganhado a nota 10), mas o título de melhor da temporada ainda pertence à revelação embasada de Kikuoka, no episódio 06. Ainda sim, todos os outros pontos desse episódio foram impecáveis e tão bem explorados que conseguiram me deixar ainda mais ansioso pelo que virá. Sabemos que ainda existem diversos mistérios a serem respondidos, e também muitas explicações a serem apresentadas, e é por isso que a esperança de que SAO continue só melhorando se mantém.

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A Dama Ditadora
  • AVALIAÇÃO DO AUTOR

Tito Fonseca

Fã de Sword Art Online, contribuo para esse blog com minhas análises sobre esse anime que tanto me marcou.

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