Sword Art Online: Alicization #11 – Amigos fugitivos – Comentários Semanais

Bem pessoal aqui é o Gabriel antes de Começar a Review do Tito Fonseca, peço desculpas pelo atraso da revisão e publicação deste review, prometo que faremos possível para trazer o episódio 12 mais breve possível. Então compartilhem com seus amigos que isso nos ajuda e nos motiva a continuar a análise semanal desta maravilha de anime.

[23 DE MAIO, ANO 380 DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE]

Já começando na cena anterior na Academia, quando Eugeo e Kirito se encontram diante de Alice, já vestindo sua armadura dourada, Eugeo se mostra perplexo. Tendo recordado dela ao longo do final do episódio anterior e, como já sabemos, ter vindo para Centoria apenas com tal propósito, ele se aproxima da Cavaleira aos passos lentos. Contudo, como já era esperado, assim que ele chega perto demais, ela o golpeia (de tacape) com sua espada dourada, jogando Eugeo, desarmado, no chão. Kirito corre para ver se ele está bem, ao passo em que Alice adverte para que ele não tente se aproximar sem permissão, sob pena de que suas mãos sejam cortadas na próxima vez. Me chamou atenção como até mesmo a posição em que ela fica e segura a espada é semelhante à da Saber, de Fate/Zero (essa comparação, que virou meme, não é, nem de longe, à toa).

Ao levantarem, Eugeo a encara fixamente, enquanto Kirito, ao indagar e obter a resposta de que, sim, ela se trata da Alice que ele havia procurado durante todo esse tempo, sugere que eles dois sigam exatamente o que ela falar, já que, caso eles adentrem a Catedral central, eles seriam capazes de obter melhores explicações sobre toda a história. Fitando-os, Alice pede que venham com ela: eles seriam, como pena de transgredirem o Index Taboo, levados sob custódia, interrogados e, posteriormente, executados. E, com essa cena de impacto, se inicia a Opening.

Revelado o título do episódio, “Catedral Central”, vemos Kirito sendo amarrado por Alice, ao mesmo tempo em que Eugeo já se encontra nesse estado. Eles serão levados para a Catedral Central justamente da mesma forma que Alice fora levada no episódio 01: presos à um dragão. No entanto, antes que eles fossem levados, Tiese e Ronie surgem arrastando as espadas (o que faz sentido, afinal as duas espadas são extremamente pesadas e excedem o nível de controle de objetos que elas possuem). Elas se ajoelham perante a presença de Alice e pedem para que as espadas sejam devolvidas para Kirito e Eugeo, a qual permite, mas confisca as espadas, uma vez que criminosos não poderiam portar as devidas armas. Além disso, ela também dá um minuto para que elas se despeçam (a personalidade de Alice como cavaleira é linha dura, algo interessante e que é compatível com alguém dessa patente).

Ouvindo essa notícia, Tiese corre para Eugeo e volta a pedir desculpas pelo que havia feito, sendo “culpa dela” por tudo que haveria acontecido. Ela chora e se culpa por ter feito “algo idiota”, justamente o que EUgeo nega em seguida. Ele assume a responsabilidade e conta que ela fez o que era certo pela amiga dela. Ainda em prantos, ela promete a ele que, dessa vez, será ela quem irá salvá-lo, já que, a partir dali, ela se esforçaria para se tornar uma Cavaleira da Integridade e cumpriria esse objetivo. A despedida, que casou muito bem com a OST, foi, basicamente, uma repetição do diálogo do episódio anterior. Seria um ponto mediano ou até sem graça na obra, caso não houvesse essa adição final, a promessa de Tiese e a mudança da personagem, que se mostrou determinada em reverter a situação. Isso ilustra, ainda que não por um longo período de tempo, uma mudança na personalidade da personagem, a qual passa a ser menos na linha de “indefesa”. Sim, o que parecia ser algo repetitivo (e inevitável, já que não faria sentido não ter despedida) se tornou algo positivo dentro do anime.

Já Ronie, mais quieta e tímida como pajem (isso nós percebemos pela personalidade dela ao longo dos últimos episódios), apenas entrega um lanche, timidamente, para Kirito, enquanto (é importante destacar isso) exibe uma expressão triste e chorosa. Porém, ao entregar o lance, a batida das asas do dragão avisa que o tempo havia se esgotado. E, assim, observados por elas e com uma expressão mais melancólica, ambos decolam com o dragão, enquanto as aprendizes, mais em um reflexo comum de despedidas tristes, correm atrás e, percebendo a impossibilidade de alcance, se ajoelham, sem terem mais o que fazer. Essa despedida foi muito bem ambientada. Além das cenas involuntárias serem ótimas, a OST encaixou perfeitamente, passando um bom clima de tristeza. Não cheguei a chorar, mas a melancolia que a cena passa é muito boa e significa um ótimo trabalho da A-1. Enquanto levado, Kirito fita, mais sério, a abertura de portões na torre central, local pelo qual eles entrariam. E, assim, transitamos do Underworld para o mundo real.

[7 DE JULHO DE 2026, 7;15, OCEAN TURTLE]

Em uma outra trilha sonora semelhante, porém mais romântica, somos agora levados à Ocean Turtle, onde vemos Asuna com as mãos no vidro da sala onde Kirito está (o STL 1) e nosso herói deitado, imóvel, sobre a máquina. Asuna, fitando-o, pensa alto: “Se eu pudesse entrar no Underworld também e te salvar…”. Sim, o romance entre eles jamais esteve sem desenvolvimento, e isso é uma prova. Até aqui ambos estão juntos e ambos jamais esquecem um do outro. Nossa heroína, mais cabisbaixa, agora deixa a sala e sobe umas escadas, sem prestar muita atenção, quando se depara comum robô. Com a cabeça em outro lugar, ela não repara na existência do robô e o cumprimenta como se fosse um cientista da Rath, percebendo logo em seguida, após passar da máquina, que havia se enganado (cena de alívio cômico bem sutil). Perplexa, ela observa o robô, enquanto ele volta na escada e passa a encará-la, girando a cabeça e o corpo. Ela se assusta um pouco pelo foco das lentes em sua cabeça e, “encurralada” pelo robô, vê Higa chegar e dar um “sermão” no robô. Seu nome, agora revelado, é Ichiemon.

Higa, cumprimentando Asuna, se aproxima e explica sobre o nome robô: Ichiemon, abreviação de Electroative Muscle Operative Machine Nº1 (por isso o prefixo “Ichi”, de 01). Entretanto, quando estava prestes à explicar o que ele estaria fazendo ali, Rokko aparece e conta que ela estaria ajudando Higa com ajustes no programa, tendo em vista a amizade acadêmica deles. Ela cumprimenta Asuna (estranhei o fato de ela ser chamada de “Rinko”) e, logo em seguida, a cena muda e estamos vendo o telão principal de Underworld. Rokko e Higa conversam sobre o uso de um chip mais rápido em Ichiemon (a cientista sugere o uso do chip, mas Higa reclama da dissipação de calor e o consumo de bateria), o qual é descartado e dá voz a outra opção: o ajuste do “atuador EAP” (não faço idéia do que seja). Rokko, continmuando, levanta outra hipótese: os músculos do robô são feitos de um polímero aparentemente ultrapassado, sugerindo o uso, no lugar, de CNT, para que eles fiquem mais leves. Essa conversa, embora não seja tão importante assim para nós, nos demonstra que Higa almeja incrementar algo no funcionamento de Ichiemon, algo que provavelmente seria fundamental para o motivo pelo qual ele foi feito.

Com a conversa científica, eles acabam chamando a atenção de Asuna, logo ao lado, o que faz Rokko se desculpar. No entanto, Asuna dá, aqui, mais um vestígio de como ela jamais para de pensar em Kirito: ela baseia até mesmo o fato de que Rokko não precise se desculpar com Kirito, dizendo que ele prefere que esteja mais animado à sua volta. Higa, explicando melhor sobre o Ichiemon, conta à Asuna que eles estariam construindo esse robô a mando de Kikuoka, o que é complementado por Rokko, a qual esclarece que o motivo é para que os Fluctlights Artificiais sejam hospedados. Higa, no entanto, desfaz a expectativa logo depois, dizendo que Ichiemon não era o protótipo ideal para isso, e sim em uma segunda unidade que eles estariam desenvolvendo, especificamente para que seja controlada por uma IA. Ao perguntar o nome dele, Asuna obtém a resposta de Higa (a boa e velha mania de dar nomes à invenções que os cientistas têm): Niemon (“ni” = dois, em referência ao 2° EMON).

Asuna, disfarçando a “decepção” com o nome, pergunta por que motivos seria melhor que o segundo robô fosse controlado por uma IA. Dessa forma, Rokko se levanta e encena uma explicação sobre o sistema de equilíbrio do cérebro (sistema vestibular… sim, Kawahara pegou uma boa referência da biologia para embasar sua escrita, muito criativo e se encaixa perfeitamente). Ela conta que o nosso cérebro ajusta o equilíbrio por conta própria e, para que esse sistema de ajuste funcionasse para o robô, sempre acontecia de as proporções (o tamanho do corpo) aumentarem, não importa o que eles fizessem. Nesse sentido, Asuna deduz que, se o controlador fosse um Fluctlight Artificial (e não um sistema de equilíbrio baseado em robótica e em chips), o sistema de regulação funcionaria tal como um cérebro, ou seja, de um humano. Higa, assim, acrescenta que eles esperam criar um corpo humanóide praticamente perfeito com isso.

Fiquei realmente impressionado quando assisti essa parte do episódio. Eu esperava que eles fossem realmente restingir as abordagens do Plot Twist do episódio 06 àquelas referências e pragmatismos ocorridos em Underworld. No entanto, eles novamente aparecem com uma EXTENSÃO do projeto da Rath, explicando até mesmo os planos para quando o projeto Alicization desse certo (criação das A.L.I.C.Es) e os pormenores disso. A abordagem dos robôs foi excelente e criativa, explicada por conceitos não excessivamente complexos (se fossem, poderiam confundir o espectador mais do que clarear a abordagem) e que, ao mesmo tempo, valorizam o trabalho tido em cima dessa obra, já que Kawahara puxou conceitos da medicina e biologia para que fosse explicado de uma forma melhor a integração corpo/mente e máquina. Poucos animes realmente fazem isso sem se basearem em sobrenatural e SAO merece aplausos por não só mexer nesse vespeiro, como também por fazer isso muito bem e sem furos. Higa e Rokko, como podemos ver, almejam criar cárceres muito mais humanóides, e não apenas simples robôs, e isso pode ser entendido graças ao fato de os Fluctlights Artificiais serem, em suas essências, humanos, após tornarem-se A.L.I.C.Es. Um encadeamento profundo e muito bom para a reflexão, já que todos os elementos fazem sentido.

Ainda sobre a discussão, Higa chega a contar que o Niemon possui uma silhueta muito humanóide à primeira vista, o que faz com que Rokko o questione por nunca ter mostrado a obra para ela. No meio da fala, todavia, ela percebe que, na verdade, Niemon ainda não é capaz de andar por conta própria, o que é confirmado por Higa com a informação de que seu programa ainda estivesse vazio. Voltando-se para Asuna, a cientista pergunta se ela já havia tomado café da manhã (são 7:40 da manhã) e propõe que ambas desçam juntas para o refeitório, enquanto Higa Takeshi ficaria para “tomar café com Ichiemon”. Antes de sair, Asuna se volta ao telão principal de Underworld (o qual exibe a torre central) e manda um “até logo” (mais uma vez, os vestígios do romance, que casam com a OST muito bem, evidenciam o quão trabalhada está sendo a relação entre nosso casal favorito… Asuna não deixa de pensar em Kirito). Mas, dando continuidade, enquanto elas desciam, dois cientistas da Rath transitam por ali. À primeira vista, os rostos deles não parecem familiares, mas, ao cruzar com as duas, o homem de cabelo maior sorri misteriosamente. Também podemos notar covas em seu sorriso e que ele estaria usando pantufas, o que é um tanto quanto estranho para o ambiente de trabalho. Baseado nessa hipótese, acredito que o anime queira ter passado a impressão (ao menos essa foi minha interpretação) de que o homem se trata de Kayaba Akihiko (já que isso se conectaria com o “sonho” que Rokko teve no episódio 06… sim, onde todas as referências convergem). Uma outra hipótese poderia ser que esse trabalhador seja Jhonny Black, já que também são mostradas as pernas dele mancando (Kirito deu um golpe na perna dele com o guarda-chuva, no episódio 01). Isso reforçaria ainda mais a minha teoria de que Kikuoka quem havia contratado Jhonny Black para conspirar contra Kirito e utilizá-lo no projeto. O interessante é que o mistério continua a ser alimentado, o que provavelmente dará uma excelente explicação excelente mais à frente no anime.

[25 DE MAIO, ANO 380 DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE]

Agora somos deslocados para uma certa masmorra, na Catedral Central, onde vemos um estilo bem medieval e o guarda, portando um capacete, observando nossos dois heróis deitados sobre a cama e se retirando. Kirito confirma a passagem de data, dizendo que eles estariam ali desde cerca de um dia e meio. Nosso protagonista pergunta a Eugeo se ele já havia se acalmado um pouco e, em resposta, ele diz que tudo parece mais como um sonho (recordando dos acontecimentos do episódio anterior, quando ele corta o braço de Humbert e Raios desaparece naquele “bug” da morte), ainda demonstrando vestígios de estar aflito com aquilo. De fato, é esperado que Eugeo seja alguém mais incomodado com a situação, na medida em que, ao mesmo tempo em que ele nunca havia lutado por sua vida antes de conhecer Kirito, ele também não possui consciência de que as pessoas de Underworld são Fluctlights Artificiais (Kirito possui, o que torna menos difícil de matá-los, embora ainda seja algo traumático ou triste para ele).

Nosso herói tenta convencer Eugeo a pensar mais naquilo que viria pela frente, fazendo-o aceitar que o mais correto seria tentar sair daquela cela e descobrir o que havia acontecido com Alice (o objetivo desde o começo para Eugeo). Eles chegam a cogitar que Alice tenha ficado presa naquele tipo de cela oito anos atrás, quando foi levada. Nesse contexto, Kirito tenta confirmar com Eugeo se haveria certeza de que a Cavaleira que os levou sob custódia seria a Alice pela qual ele estava procurando. E, aqui, Eugeo descreve sua aparência (em um diálogo que parece muito uma idealização poética, vale ressaltar, o que contribuiria para a ambientação de um romance entre ele e Alice, o qual já vem sendo construído desde o começo da temporada). Ainda um pouco duvidoso, Kirito questiona o modo como ela o tratou e, logo, chega à conclusão que parece saltar diante de nossos olhos desde o começo: Alice provavelmente teve suas memórias alteradas. Eugeo replica que não haviam quaisquer menções de Artes Sagradas que pudessem fazer isso, mas Kirito, analisando os ensinamentos sobre os sacerdotes mais altos serem capazes de manipular a própria vida, crê na possibilidade de que mexer com memórias seja algo fácil para eles (não sei se essa é a explicação oficial, mas é plausível).

E, prosseguindo, um novo encadeamento com os episódios anteriores é feito aqui: Kirito, traçando um paralelo com a hipótese de que Alice fosse, realmente, aquela Cavaleira da Integridade, relembra o que havia acontecido durante o episódio 04, mais precisamente após derrotar o Goblin Matador de Lagartos e os demais goblins fugirem. Nosso herói se recorda do momento em que Selka utiliza a magia de transferência de vida e, assim, uma presença de uma mulher aparece para se comunicar com ele (a mulher misteriosa), a qual diz que sempre iria esperar por ele no topo da Catedral Central. Eugeo, respondendo, revela que Kirito já havia o contado sobre isso e que ele também mencionara o fato de a voz ser parecida com a de Alice (embora, mesmo com essa informação, eu ainda ache que seja a mulher misteriosa do topo da torre (pelo porte físico e pelo cabelo longo, além da roupa e de estar no topo da torre).

De repente, ao refletir sobre isso, Kirito começa a elaborar um plano engenhoso. Ele testa se seria possível abrir as Stacia Windows dentro da cela, o que se confirma quando ele e Eugeo conseguem averiguar a durabilidade e a categoria das correntes às quais estavam presos. A classe delas é de 38 (lembrem-se que Kirito e Eugeo, podendo empunhar as espadas, possuem uma maestria de controle de objetos acima de 40, já que a da Blue Rose Sword é de 42), o que faz com que eles percam, por um momento, as esperanças, já que precisariam de armas com um nível superior ou igual para que pudessem quebrar as correntes. Porém, ao observar Eugeo, Kirito continua a formular seu plano mirabolante (aqui, embora não tenhamos aqueles amosos monólogos dos episódios anteriores, ele conversa com Eugeo e revela seu plano, o que exclui a necessidade de um monólogo para a imersão, já que o próprio diálogo já cumpre esse mesmo papel): ele percebe que eles possuem duas correntes.

Agora ambos de pé (e, vale destacar, com a prisão sem guardas patrulhando), Kirito demonstra seu plano. Ele entrelaça as duas correntes, ambas de nível 38, de uma forma que, ao puxar as duas (e isso é possível já que, como ele explica, a perícia deles é superior ao nível 40), seria como se ambos estivessem lutando com elas de espadas. Em outras palavras, ao atritar as correntes a partir da manipulação de objetos (o que se refere à perícia de controle), eles estariam desgastando ambas ao mesmo tempo, já que o nível de prioridade delas é idêntico. Eugeo não parece muito confiante, mas, como era de se esperar, o plano dá certo e a durabilidade delas diminui. O barulho que o choque entre correntes faz (e o grito de Kirito) chamam a atenção, o que também permite que Eugeo lembre do guarda dormindo e peça para que Kirito tenha cuidado ao fazer barulho (não, não faria sentido em um guarda ficar acordado de noite, vigiando dois prisioneiros desarmados e presos por correntes de altíssimo nível, além do que os Fluctlights Artificiais parecem ter uma ligação de culpa tão grande ao transgredir o Index Taboo, como vemos com Eugeo, que Kirito, humano naquele mundo e menos apegado a esse tipo de coisa, constitui algo que eles jamais esperariam).

Comentando essa cena, preciso realmente aplaudir Kawahara por continuar a aproveitar tão bem um elemento tão simples. Desde o início da temporada, a Stacia Window, algo que indica apenas três simples valores, é aproveitada de uma maneira fenomenal, e aqui não é diferente. O plano desenvolvido por nosso herói não é apenas plausível, como também muito criativo e deixa as possibilidades ainda mais interessantes, na medida em que um mesmo elemento pode ser aproveitado de muitas formas ao longo da história. E, com o andar do plano, finalmente as correntes se partem (menção para o impacto que joga ambos, Kirito e Eugeo na parede), deixando um leve sorriso estampado no rosto dos dois amigos.

Antes de abrir a cela e fugir, Kirito para e questiona Eugeo (uma das melhores cenas do episódio, se não a melhor) sobre se ele teria certeza de fazer tudo isso. Afinal, se eles estivessem fugindo, eles estariam provocando diretamente a Igreja do Axioma e, sendo assim, não haveria mais espaço para hesitações. Eugeo, sendo um personagem que é famoso por isso, por indecisões, traumas (embora a indecisão dele tenha sido superada quando quebrou o Index), entre outros, caso não pudesse se decidir, deveria ficar para trás naquele caso. E, ilustrando o quão épica foi essa cena, ele finalmente mostra seu amadurecimento psicológico, dizendo estar decidido a pagar o preço que for preciso para atingir seu objetivo: voltar com Alice para Rulid. Ele diz estar pronto para sacar a espada quando for preciso, além de determinado para descobrir como Alice havia perdido suas memórias e fazer o possível para que ela volte.

Sobre essa cena, preciso aplaudir de pé. Já venho destacando o quanto me atraí pelo desenvolvimento e pela humanização do Eugeo desde o início do anime. Ele é um personagem muito bem desenvolvido, que não abandona seus traumas e também não foge do contexto em que se encontra, sendo sensível, possuindo seus impasses e seus medos, mas também evoluindo e sendo influenciado pelo Kirito, com o qual estabelece uma amizade que se encaixa perfeitamente. Essa decisão que Kirito impõe ao amigo não só está coberta de razão, como também mostra como eles se entendem muito bem.

Kirito age como um irmão mais velho de Eugeo, não só transmitindo ensinamentos e servindo como inspiração para que ele se torne espadachim (influenciou muito o personagem ao longo da história) mas também sendo sensato na situação. E o fato de Eugeo, finalmente, se mostrar determinado e sem hesitações (embora, note, ele ainda NÃO ABANDONOU o trauma), só serve para demonstrar ainda mais o quanto esse personagem evoluiu. A obstinação por Alice ainda contribui para um possível romance entre os dois no futuro. Com certeza, uma das melhores (senão a melhor) cena do episódio.

E, como se não bastasse, Eugeo ainda acrescenta que aquilo seria a coisa mais importante para ele (os diálogos são bem poéticos e trazem uma boa carga emocional) e relembra o que Kirito havia dito na floresta no EP9 (a mesma filosofia que influenciou Eugeo a quebrar o Index Taboo no episódio 10, repare como SAO encadeia seus elementos muito bem) sobre existirem coisas proibidas que deveriam ser feitas. E, numa bela OST, Kirito demonstra satisfação ao ver que o amigo finalmente é determinado o suficiente (“sua determinação parece bem clara para mim”). Veja como eles se entendem, que amizade muito bem colocada e encaixada. E, com isso, Kirito utiliza a corrente para quebrar a porta da cela. Infelizmente, essa cena, embora plausível(basta perceber que a classe da cela é menor que 38), não teve explicação no anime (isso me cheira a cortes da Light Novel), algo que poderia ser explicado em míseros 10 segundos com uma abertura de Stacia Window. Não é um furo, até porque é plausível, só não foi explicado, portanto é um defeito, ainda que pequeno. Acho interessante como, apesar de parecer que iria seguir um clichê pelo fato de o guarda estar dormindo, o anime dá uma evasiva da cena, na medida em que não se trata daquele famoso “clichêzão” de “alguém pega a chave do guarda enquanto ele dorme”. Poderia ser algo negativo, mas o fato de não seguir esse tipo de cena me fez tornar esse fato neutro ou positivo no enredo, em minha análise.

Vendo que o guarda continua a dormir, nossos espadachins correm para fora da catedral e adentram o jardim. Fugindo ao longo de um corredor, eles atravessam um portão e se escondem logo atrás dele, quando Eugeo se dá conta de que o jardim, um labirinto, possui diversas Rosas ali presentes. Kirito também observa que os canteiros são abundantes, mesmo se tratando de um imenso labirinto. Nesse momento, ambos param para refletir em como eles mal esperariam já estarem na Catedral Central (embora, como Kirito pontua, não como Cavaleiros da Integridade, mas como prisioneiros). Eugeo, ao ouvir isso, pensa que provavelmente, o fato de serem prisioneiros fosse a escolha certa, na medida em que, caso eles fossem Cavaleiros da Integridade, acabariam como Alice. Isso é reforçado com Kirito logo depois, que considera que poderiam ter mexido nas memórias deles caso isso tivesse acontecido. E é aqui que ele começa a suspeitar de que todos os Cavaleiros da Integridade estejam sendo feitos desa forma, com lavagem cerebral. Vemos um início de uma suspeita, de uma desconfiança… o mistério está sendo cada vez mais construído, e de uma forma muito gradativa e bem forjada, ambientando o espectador para que o Plot Twist não seja absurdo.

Kirito, ao mesmo tempo em que já demonstra uma certa raiva daqueles que organizam os Cavaleiros, também vê outro lado da moeda: ainda que as memórias deles tenham sido alteradas, eles ainda devem ter certeza de quem são seis pais ou de onde vieram (seus locais de origem), haja vista a dificuldade que seria falsificar informações desse tipo (mais uma vez, os monólogos são substituídos por conversas, mantendo a imersão no raciocínio do personagem). Desse modo, Eugeo conclui que, caso os Cavaleiros visitassem suas terras natais, eles provavelmente descobririam que tudo aquilo se tratava de uma mentira, ou seja, recuperariam suas memórias. Nessa linha, ele tem um lampejo de teoria (que é bem demonstrado em sua expressão facial e na onomatopéia que o anime traz), o qual Kirito percebe de imediato, indo até ele e colocando a mão em suas costas, tal como amigos fazem, geralmente.

Com isso, ele demostra ter percebido no que Eugeo estava pensando: ele, preocupado com as memórias perdidas de Kirito, havia pensado na possibilidade de que elas fossem recuperadas ao adentrar aquela torre (o que deixa Kirito feliz pela preocupação do amigo). Esse tipo de preocupação, já demonstrado no episódio 07, só reforça o quão bonita e bem encaixada é essa amizade e o quão sensível e gentil é Eugeo. Ele se preocupa com Kirito, com seu estado e história, com suas lembranças. Um verdadeiro exemplo de amigo. Achei, inclusive, uma sacada excelente do enredo ter esse elemento aqui para que possa demonstrar, de forma ainda melhor, o quão bem desenvolvida é essa amizade entre os personagens. Envergonhado, Eugeo abaixa sua cabeça e Kirito “coça ela” (semelhante aos “cascudos” que os amigos fazem), enquanto o tranqüiliza, lembrando que, independentemente de recuperar suas memórias ou não, ele seguiria com ele até o fim da jornada. De fato, é interessante como Kirito não tem com o que se preocupar naquele mundo sobre suas memórias, já que ele “não possui origem” por ser um humano. Porém, ao mesmo tempo, ele possui origem, sim, uma vez que havia crescido lá desde pequeno, junto com Eugeo e Alice em Rulid (essas memórias ainda podem ser recuperadas). E, acrescentando um comentário, não consigo entender como as pessoas tem coragem de dizer que Eugeo e Kirito são “fanservice” Yaoi, já que o Shipp entre eles é praticamente 100% feito pela comunidade. Os diálogos e as ações (à exceção daquela do primeiro episódio) deles são todos voltados para como se eles fossem verdadeiros amigos ou até irmãos, e não um casal do mesmo sexo. Não entendo como a comunidade pode achar que o shipp que eles fazem é algo proposital do autor, como se fosse um fanservice… chega a ser idiota.

Ainda sobre a questão da jornada, Eugeo se mostra um pouco triste com a possibilidade de que a jornada dele e de Kirito esteja próxima ao final (a amizade é ainda mais bem desenvolvida e aprofundada, na medida em que aqui temos mais um elemento que salta aos olhos: o apego emocional e habitual que eles desenvolvem). Kirito, em resposta, também exibe uma expressão um pouco triste, mas, ao contrário de Eugeo, destaca que, caso isso esteja para acontecer, eles deveriam ao menos tentar “fechar a jornada com chave de ouro” (final feliz), isto é, Eugeo deveria voltar com Alice para Rulid e restaurar suas memórias. Ainda sobre essa finalização de jornada, Kirito também lembra a Eugeo de que ele deveria começar a pensar em um novo propósito, já que esse talvez dure pelo resto de sua vida. E, assim, a tristeza em seu rosto lentamente dá lugar ao sorriso, novamente, com uma conversa amigável do tipo “você está se apressando demais, mas, de qualquer modo, já cansei de ser um lenhador.” Os diálogos mostram, mais uma vez, a naturalidade com que eles são amigos e como eles se dão bem, algo que gosto bastante.

Mais resolvidos, nossos dois heróis seguem em direção à Catedral Central, adentrando um lugar mais aberto dentro do labirinto (inclusive, vale o destaque para os visuais do labirinto, excelentes por sinal). Andando, ambos são surpreendidos por uma voz: um homem, em meio à luz da noite, estava ali sentado, vestindo uma armadura e tomando vinho. Ele conta que Alice, sua mentora, havia previsto a fuga de Kirito e Eugeo e ordenado ao cavaleiro que passasse a noite ali, no jardim, à espera deles. Ao se levantar (e dizer que estava duvidoso de que eles apareceriam ali), ele exibe sua armadura cinza e com o brasão dos Cavaleiros da Integridade, o que é exclamado por Eugeo.

Aparentemente, a masmorra no qual eles estavam não é na Catedral, e sim uma prisão subterrânea, o que é confirmado quando o cavaleiro fala que irá mandá-los de volta para lá. Ao perguntar, entretanto, se eles estavam preparados para isso, Kirito o responde com desdém: “então você também deve estar preparado para que não nos entreguemos sem resistência, certo?”. Com essa exclamação de não se dar pro vencido, Kirito chama a atenção do cavaleiro, que “em respeito à essa bravata”, lhes diz o nome dele: Eldrie Synthesis Thirty-One, enquanto levanta diversas pétalas ao seu redor com o poder. Ele também diz ser cavaleiro há apenas um mês, um novato, e pede, ironicamente, para que eles relevem esse fato, ao passo em que o episódio se encerra e ficamos com a Ending. Vale lembrar que o nome do cavaleiro (“Thrty-One”) é uma pista para que já sejamos ambientados a um sistema de discípulos entre os cavaleiros da Igreja do Axioma.

OBS: Como Kirito e Eugeo não foram novamente identificados pelo monitor misterioso ao fugirem da masmorra, algumas pessoas levantaram a hipótese de que isso fosse um furo. Porém, eles já foram condenados anteriormente e já são criminosos. Logo, acredito que não haveria a necessidade disso, de novo.

NOTA FINAL: Para esse episódio, dou 9,5. Manteve um excelente nível nos diálogos e prosseguiu bem com a história. De novo, o ponto principal se trata da amizade e do desenvolvimento de Eugeo, além dos ganchos e encadeamentos tão bem feitos, característicos de SAO. O único defeito foi a não explicação da derrubada da porta, que poderia ser resolvido com 10s de cena com a Stacia Window. No entanto, o episódio ainda é excelente e perde mais por comparação em relação aos nota 10 do que em relação à isso. O restante dos comentários está diluído na review.

CONFIRA TAMBÉM | SWORD ART ONLINE: ALICIZATION #10 – JUSTIÇA É UM PRATO QUE SE COME FRIO – COMENTÁRIOS SEMANAIS

Amigos fugitivos
  • AVALIAÇÃO DO AUTOR

Tito Fonseca

Fã de Sword Art Online, contribuo para esse blog com minhas análises sobre esse anime que tanto me marcou.

Você pode gostar...