Sword Art Online: Alicization #8 – O Poder da Mente – Comentários Semanais

Vamos continuando o comentário semanal de Sword Art Online: Alicization, então para nos ajudar, compatilhe que isso nos motiva ainda mais a manter a qualidade. Vamos logo começar.

[8 DE MARÇO, ANO 380 DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE]

Nosso episódio começa logo na cena de continuidade do anterior, na qual vemos Volo e Kirito, cara a cara, no Salão de Treinos da Academia da Espada, prestes a protagonizarem o duelo de “punição” do nosso personagem. Raios e Humbert, os antagonistas veteranos que vimos no último episódio, observam a situação com um olhar de confiança enquanto Volo Levantheim se prepara com a espada. Kirito respirava fundo, quando Liena, preocupada (vimos isso no episódio anterior e, agora, continuamos testemunhando a preocupação da mentora), lhe conta sobre o segredo que existe dentro da família Levantheim.

O Segredo

Sortiliena diz existir uma regra de que, na família de Levantheim, você deve banhar a espada com o sangue dos fortes, assimilando, assim, o poder de cada um que for derrotado. Em se tratando de um mundo medieval, esse tipo de crença é extremamente plausível. Vimos, inclusive, em outros animes (um exemplo bem conhecido é Naruto, onde vemos a espada de Zabuza se regenerar com o ferro presente no sangue dos corpos que atravessa), referências desse tipo (o culto à experiência da espada e aos combates que ela travou, pelo código do espadachim que a porta).

A questão de a espada assimilar a força dos derrotados também é algo que pode ser interpretado como uma inspiração em crenças dos antigos. Os indígenas (aqui no Brasil) acreditavam na antropofagia como um desses meios de obter a “força” dos povos derrotados, além de outros exemplos envolvidos com o medieval, ambiente temporal em que Alicization se passa.
Continuando a revelação, Liena conta que Levantheim já participava de duelos envolvendo espadas de verdade desde que havia chegado ali, e que essa crença na assimilação de poder através do sangue era o segredo para que suas técnicas de espada fossem tão poderosas.

Nesse momento, Kirito assume uma expressão perplexa que, logo depois, é revelada ser um vestígio de “Eureka” (descoberta). Kirito havia associado à filosofia que Levantheim seguia a descoberta que ele mesmo nos apresentou no episódio anterior, a influência do estado mental sobre os atributos naquele mundo e da Imaginação. Nesse momento, vivenciamos (mais uma vez) a imersão nos pensamentos de Kirito, que deduz o que estaria ocorrendo a partir da conexão dos fatos. Isso não é apenas uma estratégia clara de como esclarecer todos os detalhes ali envolvidos, como também de aumentar a imersão do espectador, na medida em que, como falei em reviews anteriores, o público assume o mesmo ponto de vista do protagonista e é convidado a raciocinar junto com ele.

Após nosso protagonista concluir que a crença de Volo estaria lhe fornecendo o tão citado poder, Liena o estimula, dizendo acreditar nele e não vê-lo como alguém que seria derrotado facilmente por Volo. Ela ainda o lembra da promessa que havia feito no dia anterior (7 de março, para quem não está decorando as datas), acerca de mostrar para ela o potencial completo do “Estilo Aincrad”. Esse estímulo parece surtir efeito, na medida em que Kirito, ainda um pouco sério, continua a passar confiança após tais palavras. Nesse momento, Volo chama por Kirito, perguntando-o se estaria pronto para o combate, e pede para que Sortiliena seja a testemunha da partida. E, assim, proclamando o início do duelo e relembrando que ambos lutariam com espadas reais, a platéia parece se agitar, enquanto nos despedimos da cena com uma épica OST e ambos os oponentes fazendo uma espécie de “juramento” com a mão no coração e iniciamos a Opening.

Com o título do episódio sendo “Orgulho de Espadachim”, nos deparamos com Volo e Kirito, nessa ordem, desembainhando as espadas. Ao ostentar sua espada negra, a platéia parece curiosa, incluindo os veteranos Raios e Humbert, os quais desdenham novamente do “baixo status” de Kirito como pajem. Eles tornam até mesmo a cor da espada algo pejorativo, insinuando que Kirito havia tingido sua espada com essa cor (incomum, segundo eles) para camuflar a falta de cuidado que teria, justamente por ser muito ocupado como aluno e não ter tempo para polir a espada.

Volo, então, inicia a sua preparação para desferir o golpe derradeiro. Em câmera lenta, vemos ele alterando sua posição e passando a segurar a espada acima da cabeça, com ambas as mãos, em um tom bastante sério e que esbanja confiança. O fundo vermelho e a aura que circunda Volo no anime nada mais são do que vestígios de como sua presença é marcante, algo que também é ilustrado nas expressões que a platéia exibe. A posição armada (algo que faz parte, inclusive, de SAO desde o início do anime, como podemos ver com a posição que Kirito descreveu quando praticou Kendo com Suguha no segundo arco) é uma referência fiel às posições de preparação em esgrima e, nesse caso, muda completamente a atmosfera do local, haja vista o respeito e poder que Volo conquistou no tempo como Primeira Cadeira.

Sortiliena, testemunha, observa a posição que Volo assume e afirma, com toda a certeza, se tratar do Estilo High-Norkian, armando para a Onda Sagrada Divisora de Montanhas. Ela parece extremamente surpresa, justamente por esse (como ela logo diz) ser o golpe mais poderoso dele e estar sendo utilizado logo de cara. Essa observação, contudo, foi feita apenas por ela, no plano de fundo. Kirito, ao mesmo tempo, fita a expressão de Volo e sua posição, concluindo ser um golpe “Avalanche”, um estilo de Skill pesado que utiliza ambas as mãos. Mas não ficamos apenas nisso: Kirito também percebe a grande força com que o golpe será desferido, na medida em que continua a relacionar a influência do estado mental de Volo com os seus atributos (no caso, a força do golpe provavelmente estaria sendo amplificada pelo poder de Imaginação dele).

No entanto, ao contrário do que instintivamente faríamos nessa situação, no caso esquivar, Kirito não se encontra em posição de desviar do golpe (mesmo que ele seja pesado), na medida em que está “preso” ao seu orgulho e à sua promessa de demonstrar o potencial do Estilo Aincrad para Liena (que, inclusive, ocorreria nesse mesmo dia da luta). Em outras palavras, ele se vê obrigado a bloquear o golpe de Volo, no intuito de provar seu valor como espadachim, e deixa isso bem explícito em mais uma das deduções que acompanhamos.Essa cena, em todos os sentidos, foi muito bem construída. Não só a OST e, principalmente, o recurso audiovisual, contribuíram para a demonstração de como Volo cria uma atmosfera esmagadora (a expressão de concentração e, ao mesmo tempo, de convicção, assim como a aura ao redor e as reações da platéia e de Liena… todos eles têm culpa nisso), como também SAO lançou mão, novamente, de um dos melhores recursos que vêm sendo utilizados nos episódios anteriores: a exibição do raciocínio em diálogos. Embora não seja, necessariamente, algo inovador (outros animes utilizam esse recurso), Sword Art Online explora essa característica de uma forma muito marcante e mais freqüente do que a grande maioria das outras obras.

Tanto Liena quanto Kirito, aqui, possuem seus pensamentos e deduções expostos e, assim, não apenas clarificam os conceitos e a tomada de decisões, como também convidam o espectador a pensar junto com eles (um mecanismo que aumenta muito a imersão do público, como venho comentando desde o início das reviews).

Kirito, assim, planeja bloquear o golpe de Volo Levantheim com um combo de 4 hits (isso se conecta ao que visualizamos no episódio anterior: Kirito se torna capaz de usar combos de até 4 Hits com a nova espada), o “Vertical Square”. Ele, então, assume uma posição característica para soltar a Skill, com a espada para trás e uma postura pronta para partir em velocidade. Aqui, vamos, inclusive, uma grande atenção dada aos detalhes, visto que a A-1 decidiu, até mesmo, animar o suor que escorre pelo rosto antes do confronto. Em sequência, ambos exibem suas expressões de descarga emocional e partem para o confronto.

Levantheim, como esperado, se dirige ao choque com uma Skill pesada de duas mãos. Assim, Kirito golpeia, em três hits, a espada do oponente, diminuindo a força do golpe e terminando em uma colisão das armas. Cabe lembrar, novamente, o quanto a animação fluida contribuiu aqui, haja vista a relação entre a velocidade com que Kirito se move e os diversos golpes. O próprio recurso audiovisual nos dá condições para extrair que Kirito possui grande agilidade e, com isso, é capaz de golpear diversas vezes a espada, antes de bloqueá-la. O jogo cinético, aqui, é um detalhe muito bem encaixado na trama (que muitos não irão notar, mas que faz grande diferença… apenas algo assim é determinante na luta).

No confronto entre ambas as espadas, Kirito tenta trazer determinação para tenta superar Levantheim e encaixar o 4° hit do combo. Contudo, antes que seja capaz disso, ele é surpreendido pela grande presença do oponente, o qual aparece (novamente, recurso audiovisual ajudando muito) como uma entidade multiplicada que avança contra ele. Essa é a ilustração que esperávamos de como o estado mental é capaz de fazer diferença nos atributos. A luta de espadas em Sword Art Online, em Alicization, passa a ter uma nova dimensão, algo além dos status, algo que, explicitamente é influenciado pelo imaginário, e que é bastante plausível por ter sido explicado nos episódios anteriores. Como já disse e volto a repetir, essa explicação é completamente bem estruturada, na medida em que os fluctlights, sendo as “almas das pessoas”, estão diretamente ligados com o estado emocional e são capazes de transmitir isso.


E é ao som de Swordland (a trilha sonora mais marcante de SAO) que Kirito utiliza as relações que contstruiu ao longo de toda sua experiência em MMORPGs como motivação, mudando seu estado emocional e, assim, multiplicando seus atributos em meio a batalha. Com esse processo, a espada de Kirito (cujo poder, volto a lembrar, é ainda desconhecido por nós) recebe diversas energias (provavelmente formas de ilustração do poder imaginativo dele) e aumenta de tamanho, equiparando a disputa. Volo se mostra muito surpreso com essa súbita mudança, tal como Kirito estava antes que ela ocorresse (Sim, parece que o jogo virou, não é mesmo?), chegando a exclamar.

E, assim, invertendo a situação, passamos a estar sob o ponto de vista de Volo, que enxerga Kirito incorporando o Cedro Gigas (essa imagem foi muito bem inserida, diga-se de passagem, já que a espada de Kirito foi criada a partir da conhecida Árvore Demoníaca, o que fez total sentido e ainda passou uma emoção extra no sentido de simbolismo).

Com o choque, ambos são jogados para trás. Assim, Kirito, que NÃO havia concluído a Sword Skill até aqui (por isso a espada dele ainda está carregada), se equilibra e parte em direção ao Primeira Cadeira. Nessa perspectiva, ele desfere um corte superficial com seu último hit, no peito de Volo, arrancando apenas um pedaço da roupa (Acredito que não seria permitido derramar sangue ali, ainda mais se tratando de uma luta “exibicionista” da academia).

Esgotado após surpreender seu adversário,Kirito parece falhar, momento em que Volo se aproveita para golpeá-lo. Ele reage e, quando ambos estavam prestes a se acertarem em cheio, são interrompidos por uma voz feminina. Todos na platéia, além dos duelistas e de Liena, passam a encarar o semblante de Azurica, a mesma pessoa que havia sido incumbida de fiscalizar a chegada de Kirito (e dos demais) após o toque de recolher, no episódio anterior.

Volo, após ouvir o pedido de Azurica pela interrupção, conta a Kirito que ambos deveriam obedecê-la, em respeito à posição honrada que a mulher ocupa como primeiro espadachim a representar o Império de Norlangarth do Norte. Embora não saibamos o que seria essa informação (até porque esse nível de aprofundamento na história do Underworld não seria tão útil, por enquanto, e não foi atingido), Kirito parece surpreso com a informação, o que indica para nós que este deve ser um cargo de honra muito renomado. Nesse contexto, Volo declara que a punição de Kirito estaria concluída, lhe avisa para tomar cuidado e deixa o recinto, tornando Kirito perplexo. E, assim, a platéia (com destaque para Eugeo e seu mentor) vibram com o teórico empate entre Kirito e o Cadeira Um, enquanto nosso herói observa fixamente sua espada e a volta dela ao tamanho normal após a luta (sem dúvidas, isso pode ser uma grande pista de que o impacto das emoções naquele mundo é temporário).

Sortiliena, que estava ali de espectadora o tempo todo, surpreende Kirito por trás e demonstra ainda mais preocupação (no caso, agora na forma de alívio). Ela diz achar que Volo teria cortado Kirito ao meio caso a luta continuasse (o que é um tanto irônico quando comparamos com as palavras dela de motivação antes da luta, mas compreensível já que se trata de uma dramatização de discurso). Kirito assente e Liena o “repreende” por não ter se rendido, mas elogia o quão espetacular a luta entre ele e o Primeira Cadeira foi de se assistir. Claramente, Liena demonstrou, desde o início, grande preocupação com Kirito (isso é visível pelas suas expressões e falas), mas também deixa transparecer o orgulho que tem em Kirito e em como ele cumpriu sua promessa e expectativas.

AAAA Minha filha, tu ainda não conhece o poder do protagonismo dele

Por falar nisso, Liena agradece a Kirito por ter mostrado, como havia prometido, toda sua força em uma luta, elevando ainda mais o potencial do Estilo Aincrad. Kirito responde que aquilho havia sido apenas um empate, mas Liena acaba lembrando-o do quão difícil oponente seria Volo, o que faz com que Kirito repense mais seu discurso. Embora tenhamos compreendido a questão da promessa até aqui, Liena age com ainda mais exaltação, contando que ver Kirito lutar com todo seu potencial demonstrou algo muito importante, o qual vai além do resultado simplista de vitória ou derrota. Desse modo, ela o convida para comemorar a luta em seus aposentos, assim como Eugeo e seu mentor, Golgorossa. E, nessa parte, nos despedimos da cena com Kirito conversando com Liena, enquanto é observado por Azurica, curiosamente, e os veteranos Raios e Humbert, indignados com o fim que a luta havia tomado, deixam a arena.

Já na cena seguinte, nos encontramos nos aposentos de Liena e temos ela e Kirito conversando na mesa, enquanto, ao fundo, Eugeo e seu mentor dormem. Liena conta ter precebido, novamente (já fomos apresentados no episódio anterior à constatação dela de que o potencial de Kirito seria muito maior do que o habitual que ele demonstrava), ao assistir a luta de Kirito, que o Estilo Aincrad teria um potencial infinito. Ela menciona que vê o estilo dela, o Serlut, como uma técnica prática mas que, ainda, é limitada. Kirito, entretanto, replica essa afirmação e relembra que jamais havia conseguido derrotá-la em seus treinos, embora tenha empatado com Volo. Ele elogia, enquanto bebe seu vinho, o estilo de batalha que ela utiliza, exaltando a grande diversidade de golpes.

Acho que alguém encheu a cara

Por um momento, Liena sorri, e então conta a Kirito uma grande revelação: um dos antepassados de sua família, Serlut, havia irritado o imperador em um período anterior da história. Assim, todos de sua dinastia ficaram impossibilitados de herdarem o verdadeiro estilo de sua família: o estilo High-Norkian. Dessa forma, as técnicas que eles utilizam são, na verdade, aperfeiçoamentos das técnicas ordinárias que eles possuem, constituindo o estilo Serlut. Para quem prestou atenção nos nomes, a técnica que Liena menciona é a mesma que Volo utilizou em seu golpe pesado, estilo avalanche, contra Kirito durante o duelo.

Ela diz não demonstrar muitos ressentimentos e ter orgulho de seu estilo. No entanto, ela também conta, provavelmente, ter suas dúvidas e ter acreditado, durante dois anos (Kirito e Eugeo chegaram na academia há um ano, enquanto os veteranos estão há dois), que o motivo pelo qual ela havia perdido para Levantheim era o fato de ele ter herdado as verdadeiras técnicas da família dela. Contudo, ela diz que Kirito é diferente. Ao observar ele batalhando contra Volo e com as demais pessoas, ela percebeu que ele não se sente inferior ao batalha contra oponentes mais experientes, o que, no final das contas, lhe passou uma lição de vida.

Ela conclui a mudança de personalidade contando que é orgulhosa por ter sido mentora de Kirito e, no final das contas, se descobre orgulhosa por ser herdeira de seu estilo.

Vamos às considerações sobre essa cena. Liena demonstra uma evidente mudança de personalidade aqui. Isso não é só uma coisa interessante, já que aborda uma relação mestre/aluno na qual o próprio professor é capaz de aprender com o aluno, como também muito bem conectada à proposta principal do episódio: ilustrar e estender ainda mais a questão da imaginação como um elemento catalisador para a mudança de proficiência nos atributos.

É imprtante destacar como a mudança de personalidade de Liena, logo à frente no mesmo episódio, será importante para o andar da história. O anime explora com uma maestria incrível o fato de Liena ter, atualmente, um estado mental menos favorecido que Volo, apesar de, como vimos agora há pouco, ela, teoricamente, ser mais capaz que ele, uma vez que seria a legítima herdeira do estilo de luta High-Norkian. Dessa forma, somos esclarecidos que Liena teria capacidade para vencer Volo, mas não dispunha do estado emocional forte o suficiente para vencê-lo. Encerrando a cena, Kirito diz contar com Liena para que vencesse Volo em seu duelo de ranking, o qual ocorreria na formatura.

Uma observação importante aqui, também, é que, embora tenham cortado as explicações prévias sobre os estilos que passam entre as gerações das famílias (provavelmente isso estava listado na Novel), o anime dá pistas suficientes para que possamos entender tudo. Os diálogos deixam bem explícito a questão da hereditariedade e dos estilos próprios de cada família. Esse é um detalhe pouco percebido, mas é um vestígio de como a adaptação, apesar dos cortes, está prezando por manter as informações importantes. Mesmo cortando e omitindo algumas partes ou arcos, eles não deixam de diluir as explicações no restante do anime.

Na mesma noite, enquanto Eugeo dormia, Kirito se encontra fora da cama. Vemos nosso herói saindo do quarto e andando pelo jardim, quando, de repente, ele se depara com os, então sumidos, antagonistas veteranos: Raios e Humbert. Eles abordam Kirito, com desdém, e o “Parabenizam”, ironicamente, pelo estilo de combate, classificando as “acrobacias” que ele havia feito como capazes de distrair o Primeira Cadeira da academia. Kirito, ao perguntar se eles estavam caçando briga com ele (É óbvio Kirito, pelo amor de Deus), obtém a resposta de que eles jamais fariam isso com alguém de humilde, sendo eles “nobres”. Em resumo, são incrívelmente babacas, como já era esperado, e agem com um sentimento de superioridade. São personagens, óbviamente, feitos para irritar o espectador.

Nossa, eles são muito genéricos como vilões

Raios, então, avança e coloca algo (não vemos o objeto, ainda) no bolso de Kirito e se despede, ainda desdenhando e agindo de forma despreocupada, enquanto diz que o objeto seria algo para “recompensar a grandiosa batalha dele”. Nosso herói, então, examina o conteúdo que havia sido deixado no bolso e, assim que o vê, altera sua expressão, ficando perplexo. No final das contas, o objeto se revela ser um botão das flores que Kirito hava plantado (já quatro vezes) com a finalidade de dar de presente para Liena durante a formatura. Desesperado, Kirito corre em direção à sua plantação, se deparando com o pior, e é aqui que começa a melhor e mais cativante das cenas do episódio (na minha humilde opinião).

Nosso protagonista se ajoelha e exibe uma expressão completamente desolada, perplexo com o fim que sua plantação havia tomado. E, nesse momento, ele começa um flashback interessante (acredito que era uma cena que havia sido explicada antes, dado que havia visto pessoas comentando a respeito disso, que foi inserida aqui como flashback, algo muito produtivo que dinamiza mais a obra e justapõe os conceitos e explicações). Kirito conta que, no início, a meta dele em plantar as flores era apenas um experimento. Flores que não crescem no Império do Norte, as Zephilias, as quais Liena havia dito serem suas favoritas.


Seu objetivo inicial, no caso, era testar o poder da imaginação. Nosso protagonista, ciente do quão importante era o estado mental nesse mundo, queria testá-lo ao fazer crescerem as flores. No entanto, com o passar do tempo, ele havia começado a se identificar com elas (o que já vimos no episódio anterior, quando ele conversa com Eugeo). Ele ainda explica o motivo da identificação: Kirito via nelas entidades que lutavam para desabrochar em um solo desconhecido (essa metáfora não é de hoje… já vi ela ser usada algumas outras vezes). Ele conta se identificar com elas, na medida em que se encontra separado do mundo real, das pessoas que ama e se importa, e tenta compartilhar, com elas, essa dor. E, assim, ele derrama certas lágrimas, as quais se intensificam ainda mais ao ver os botões, destruídos, dserem despedaçados.


Interpretando essa cena, há muito mais nas entrelinhas do que alguns espectadores possam imaginar. A metáfora de Kirito, que se identifica com as flores, se resume na comparação entre ele e elas. Ele se identifica com as flores, justamente, por se enxergar como alguém que luta para “desabrochar” no solo desconhecido, que é o Underworld. Em resumo, Kirito se compara com a situação delas e, por isso, desenvolve o afeto. Além disso, também podemos perceber um vestígio de humanidade gritante. Kirito demonstra, mais do que nunca, um lado muito sensível de sua pessoa. Essa questão do psicológico descreve uma boa profundidade, acrescenta ainda mais à personalidade dele.


Como se não bastasse, precisamos, também, entender a situação sob a ótica de Kirito. No episódio anterior, já fomos capazes de vê-lo falar para Eugeo o quanto ele se importava com as flores, em dá-las de presente para Liena durante a formatura. Além disso, considerando que a plantação havia sido destruída três vezes e que, finalmente, ela estava quase desabrochando, temos um valor simbólico muito grande, atrelado também à expectativa que foi criada e depositada sobre a plantação. Dessa forma, temos uma diversidade grande de elementos subjetivos que justificam a identificação de Kirito com as flores. Não apenas o tempo e o trabalho investido, como também a identificação que foi dada. Isso, até mesmo, é verossímil (muitas das vezes, o sentimento que é depositado em cima dos objetos é ainda mais importante do que os objetos em si).

Enfim, ao meu ver, essa cena foi fenomenal em todos os aspectos. Até mesmo o recurso audiovisual tornou tudo mais bonito e dramático, seja pelo cenário, seja pela expressão facial.


No entanto, enquanto estava chorando, Kirito ouve uma voz repentina (feminina). Essa voz pede para que Kirito acredite nas flores, as quais cresceram em um solo desconhecido com tamanha magnitude, e também em seu próprio potencial, quem havia cuidado delas até aqui. Embora nosso herói não saiba quem é a autora da voz (e nem nós, que não lemos o material original), é praticamente improvável que eles deixem de explicar quem ela seria mais à frente. A voz também menciona que as outras flores desse jardim estariam clamando por salvar suas “amigas” e, ao obter a resposta de baixa auto-estima de Kirito (justamente porque ele não possuía um alto valor na perícia de controle de artes sagradas, como foi mencionado para nós no episódio anterior, quando ele conversa com Eugeo), ela conta que o que importa em uma magia é o significado e que elas são apenas ferramentas para guiar a imagem que imaginamos. Em resumo, a voz confere às artes sagradas apenas o papel secundário no quesito maestria, colocando no centro dela a imaginação. E, assim, Kirito resolve escutá-la e enxugar suas lágrimas.


Nosso protagonista, então, imagina as “preces das flores do jardim” e resolve se comunicar com elas. Ele pede para que as flores transfiram parte da energia vital delas para as Zephilias, utilizando ele como catalisador (embora não seja o mesmo comando da magia que Selka utiliza no episódio 04 para salvar Eugeo, até porque Kirito não conehce tais comandos já que a perícia dele é baixa, a mecânica de transmissão de durabilidade é muito semelhante e plausível). E, NÃO, isso não é protagonismo. A questão da imaginação não só se apoia em bases lógicas, como também vale para todos os personagens (como vemos com Volo e, logo à frente, veremos), e não apenas para Kirito.

O menino é sensivel


Como resultado, a energia vital das plantas flui e se direciona para o canteiro onde Kirito havia plantado, revivendo as plantas. Isso se conecta com mais um dos spoilers da opening, na qual vemos Kirito observando as flores desabrochando ao final. Além disso, preciso novamente elogiar o quanto a animação contribuiu muito bem para isso, não só ilustrando a cena como também tornando-a muito mais dramática anteriormente (quando as flores se desintegram na frente de Kirito) e agora. Cheguei a derramar algumas lágrimas no início da cena, inclusive. Assim, enquanto fita o crescimento de suas flores, Kirito se dá conta da voz que havia lhe instruído e se questiona sobre de quem seria ela, agradecendo-a no final das contas.


[31 DE MARÇO, ANO 380 DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE]


Agora, com um certo tempo de Time Skip, nos encontramos no salão de treinos principal da Academia. Lá, temos (em uma imagem de pouca duração) uma tabela de torneio, na qual Sortiliena Serlut e Volo Levantheim estão classificados para a final. Imediatamente, após a tabela ser mostrada, Liena e Volo se encontram duelando com espadas de madeira. Nesse contexto, eles permanecem trocando vários golpes durante certo tempo, de uma maneira muito equilibrada (e bem animada), até que a boa e velha cena de “colisão em que ambos os oponentes se atravessam” resolve dar as caras (é um pouco clichê, mas não deixa de ser boa).


Após isso (para que seja um clichê parcial e não total, o qual seria caso um dos dois desabasse), ambos se viram e Volo se prepara para, novamente, desferir seu golpe pesado do estilo High-Norkian, o Avalanche que havia usado contra Kirito. Liena, pela expressão facial (já que não há diálogo nessa luta), mostra ter recuperado sua confiança (ela, inicialmente, parece hesitar, mas demonstra atitude logo depois) e se prepara com, detalhe, a mesma posição que Kirito havia descrevido na primeira luta.

Nesse contexto, com a platéia da academia (incluindo Eugeo e Kirito), Liena e Volo avançam com suas Sword Skills (em espadas de madeira) e colidem. Um outro detalhe muito sutil é que Liena, ao golpear Volo, avançou com exatamente a mesma animação de Kirito quando havia o enfrentado (isso é uma mensagem simbólica muito sutil, que reforça o quanto Liena aprendeu com Kirito… a mesma coisa que eu havia mencionado anteriormente, no sentido de o mestre não apenas ensinar, mas também ser capaz de aprender com seu aluno). Veja, também, como a questão do poder da imaginação NÃO é protagonismo. Todos os personagens disfrutam da mesma capacidade nesse quesito.

Kirita

Com a colisão das Sword Skills, Liena é capaz (com um grito para ilustrar sua determinação) de partir a espada de Levantheim no golpe e encurralá-lo em seguida, decretando o fim da partida. Aplaudida pela platéia e por Kirito e Eugeo (e com Volo SORRINDO, o que demonstra que, apesar de tudo, ele não era maldoso ou deshonrado). Em continuidade, somos levados, agora, à uma cena onde Kirito e Eugeo dão presentes aos seus mentores (presentes de formatura, obviamente). Kirito narra que Liena, assim, se formou como a Primeira Cadeira da academia (enquanto Eugeo entrega uma garrafa de bebida para seu mentor e, Kirito, o buquê de flores Zephilias, arrancando algumas lágrimas de Liena. Kirot também prossegue a história, contando que ele e Eugeo assumiram a quinta e sexta cadeiras da academia, sendo promovidos a discípulos de Elite (enquanto nos é mostrado um canteiro de Zephilias que foram recém-plantadas… sim, Kirito realmente se apegou a essas flores, é algo muito mais profundo e subjetivo do que simplesmente o experimento inicial ou um presente de formatura para sua mentora).

Acho que a Asuna sentiria ciumes


[10 DE ABRIL, ANO 380 DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE]

Agora dez dias depois, somos deslocados para, provavelmente, a última cena do episódio. No dormitório dos Discípulos de Elite, uma garota ruiva, aparentemente mais nova, relata a Eugeo que havia terminado a limpeza de hoje (com isso já concluímos que ela é a pajem de Eugeo enquanto ele é um discípulo de elite). Ele a parabeniza e a libera para voltar ao dormitório, ao mesmo temmpo em que revela, então, seu nome para o público: Tieze.

Ao lado dela, também vemos uma outra garota (ainda mais nova, aparentemente), a qual Eugeo chama de Ronie e se desculpa por ter pedido para “ele” (obviamente Kirito) chegar nates do relato. A garota se mostra “conformada” ao mesmo tempo em que está, levemente, nervosa, replicando que seu dever como pajem acaba apenas quando seu relato estiver acabado. Eugeo, notando o “incômodo” da menina, fala que poderia ajudá-la a trocar de mentor, caso queira, visto que, se ela continuar “servindo” a “ele”, teria um longo ano pela frente. Interpretando, claramente Eugeo se refere à Kirito e ao estilo mais desleixado dele em relação aos demais fluctlights. Desde que estamos ambientados com Kirito na Academia da Espada, percebemos o quão mais “largado” ele é em relação aos demais habitantes, justamente por estes serem Fluctlights Artificiais, éticamente certos, enquanto Kirito se trata de um humano.
Nesse exato momento, enquanto Ronie recusa (de uma maneira amável, diga-se de passagem), Kirito aparece pela janela.

Harém do Kirito e Eugeo hehe

Desse modo, ela finalmente faz seu relato e obtém uma parabenização de seu mentor. Kirito, inclusive, tem seus diálogos soando muito naturais nessa parte, do tipo “O que vocês estão falando pelas minhas costas?”. Eugeo (até o final da temporada eu vou insistir em como a amizade entre ele e Kirito se encaixa perfeitamente, ambos são muito opostos e, ao mesmo tempo, se complementam de um jeito fenomenal…) repreende Kirito por chegar atrasado, uma vez que suas pajens são muito mais ocupadas do que ele e seria falta de respeito chegar atrasado.


Ademais, ele também observa que Kirito havia entrado pela janela. Nesse contexto, ele explica que “Entrar pela janela é mais rápido quando você está vindo pela Terceira Rua Leste”, pedindo, também, para Ronie e Tiese lembrem-se disso caso seja útil algum dia (novamente, um diálogo bem despreocupado de nosso herói). Eugeo, de repente, liga os “pontos” e percebe que, se Kirito havia ido na Terceira Rua Leste, o conteúdo da sacola deveria ser (e é) a mesma refeição que ambos estavam comendo no episódio anterior (que, provavelmente, deve fazer parte da rotina habitual deles ao longo do ano em que eles estiveram na academia). De fato, Kirito entrega um para Eugeo, pega outro e dá o restante da sacola para as pajens, pedindo para que elas distribuam para seus companheiros de quarto. Ambas aceitam e, disfarçando, deixam a sala, comemorando logo após, por terem conseguido Tortas de Mel (sim, somos revelados até mesmo a qual comida era) daquele café que queriam ir há tempos (são pajens, então estão muito ocupadas e geralmente não tem tempo de fazê-lo… Kirito e Eugeo, no episódio anterior, só conseguiram ir lá durante o dia de folga). Kirito, apesar de desleixado em comparação com os demais,mostra ser bem gentil e humano, apesar de tudo.


Por fim, Eugeo pergunta a Kirito se ele, por acaso, teria esquecido o motivo pelo qual eles estariam naquela cidade (Centoria, a Cidade Central), obtendo a resposta de que não. Kirito ainda observa que eles finalmente haviam chegado ali e, finalizando o episódio, somos introduzidos à ending, enquanto ambos observam a torre central da cidade, onde acreditam que Alice poderia estar.

Será que cada andar terá algum líder que ambos vão enfrentar, para chegar no topo?


NOTA FINAL: O episódio, tal como os demais, foi excelente. Embora a luta entre Volo e Kirito, logo no começo, não tenha sido a melhor e mais empolgante, até porque foi interrompida e serviu como plano de fundo para a aplicação do poder da imaginação nesse mundo e a influência dele sobre os atributos, ela cumpriu muito bem seu papel. Além disso, preciso aplaudir a forma como foi adaptada. Embora não seja um leitor da Light Novel, reconheço que, para que seja adaptada uma cena dessas, provavelmente seja necessário um trabalho primoroso. O recurso audiovisual é absurdamente produtivo aqui, de modo que ele ilustra de uma forma perfeita as expressões e imaginações, bem como a presença dos personagens, sem necessitar de tantos diálogos. Devo voltar a chamar atenção, também, para a questão da imersão que SAO promove ao repetir a estratégia de convidar o espectador a acompanhar, em tempo real, as deduções de Kirito (e até de Liena), fator presente durante a luta do início do episódio. Se a luta não foi tão empolgante, ao menos foi fenomenal como forma de ilustração e desenvolvimento do conceito aplicado. Em seguida, a mudança de personalidade de Liena, influenciada por Kirito, carrega uma mensagem incrível e explica bem, mesmo que tenha sido cortado em episódios anteriores, a questão dos estilos hereditários. A revelação de Liena, inclusive, veio em momento oportuno e foi chocante, além de se amarrar muito bem ao fato de ela conhecer o estilo de batalha usado por Volo. A cena seguinte, a melhor do episódio ao meu ver, sensibiliza Kirito com uma maestria incrível. Ela não só explora seu psicológico, tornando-o ainda mais humano, como também utiliza muito bem os recursos audiovisuais para aumentar o drama presente na cena. E, como se não bastasse, ela introduz um novo mistério (a partir da voz) e expõe, novamente, a influência do “poder imaginativo” naquele mundo, dessa vez com relação às artes mágicas. Por fim, a batalha entre Liena e Volo, o encerramento com a mensagem e a identificação de Kirito pelas flores Zephilias e o prosseguimento da história também foram muito bem conduzidos. Nada a reclamar desse episódio, como um todo, ainda mais depois de descobrir que a Luta entre Liena e Volo foi original e não havia sido mostrada na LN. Minha nota final será 9,5, apenas porque, por mais bem feito e sem problemas que tenha sido o episódio, a empolgação e o impacto que a história transmitiu não ter se equiparado aos outros episódios (sobretudo os episódios 4, 5 e 6). Isso é até compreensível, visto que a história, ainda, está ganhando seus contornos e nos ambientando nos conceitos. Meus aplausos (praticamente garantidos semanalmente) à Alicization e ao trabalho que a A-1 vem fazendo com esse novo arco.

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  • AVALIAÇÃO DO AUTOR

Tito Fonseca

Fã de Sword Art Online, contribuo para esse blog com minhas análises sobre esse anime que tanto me marcou.

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