Sword Art Online Alicization #7 Parte 3
  • AVALIAÇÃO DO AUTOR

Mudando de assunto, ela demonstra uma certa decepção consigo mesma, por não conseguir vencer “ele” em nenhum dos dois anos enquanto esteve na academia (se referindo a Volo Levantein, o Espadachim Cadeira um, o qual já havia sido mencionado por Eugeo e, consequentemente, ambientado ao espectador nesse mesmo episódio). Aqui, temos uma boa profundidade psicológica em Liena, que revela seu lado mais profundo ao contar que, quando batalha com Volo, não é capaz de se sentir confiante e certa como sempre demonstra. Embora se esforce, ela diz ser incapaz de se convencer que é mais forte do que o Cadeira número um. No entanto, ela muda subitamente de foco e diz que não é exatamente por isso que Kirito não é capaz de derrotá-la. Assim, ela volta a dizer que o “Estilo Aincrad” (sim, re-exploraram isso… legal) que Kirito utilizava era capaz de muito mais do que ele havia mostrado até então, e que queria saber tudo sobre ele como espadachim antes da formatura, a qual seria depois de amanhã (dia 09 de março).

Nessa perspectiva, ela joga a espada de Madeira de volta para Kirito. Ao pegá-la, ele reflete vagamente (não é jogado tudo de uma vez, até porque o objetivo é fazer suspense para o público) sobre aquela espada não ser capaz de algo. Provavelmente, dado o direcionamento do diálogo, a espada não conseguiria traduzir todo o potencial de Kirito e de seu estilo, assim como, talvez, não permitira a ele soltar todas as Sword Skills. Nesse momento, ele muda sua expressão para como se acabasse de lembrar de algo (excelente uso do jogo facial e do recurso audiovisual) e responde à Liena que seria capaz de mostrar seu potencial apenas no dia seguinte. De fato, se olharmos, o dia seguinte é dia 8 de Março, o dia de descanso dos Pajens. Desse modo, como ela lembra a Kirito, não seria permitido treinar com a espada (Guarde essa informação). Ele, porém, se esquiva da possibilidade, dando uma desculpa de que a técnica seria um “presente de formatura” (cena de alívio cômico) e que, logo, não traria problema. Ela aceita e, ali, provavelmente se encerra o treinamento do dia.

Na cena seguinte, vemos Kirito entrando, de fininho, no que parece ser o dormitório da Academia. Ele anda na ponta dos pés e chega a observar uma cabine com escrivaninha vazia. Provavelmente alguém deveria ficar ali monitorando as pessoas que entrassem, já que, após vê-la vazia, Kirito suspira aliviado. Todavia, a felicidade dele dura pouco, haja vista o encontro com a pessoa que provavelmente estaria ali antes, uma mulher de aparente idade mais avançada. Kirito se identifica e a mulher responde que ele havia chegado 38 minutos após o toque de recolher. Assim, fica tudo bem claro ao espectador após encaixarem-se as peças (se ele, claro, tiver prestado o mínimo de atenção): a Academia, como demonstrado pela proibição dos treinos no dia de descanso e pela existência do toque de recolher, além das formalidades de tratamento, segue uma rigorosidade imensa no seu funcionamento.

Kirito justifica sua demora com base na extensão de tratamento proposta por sua mentora (inclusive, descobrimos aqui que o nome completo de Liena é Sortiliena Serlut). A mulher, embora reconheça que Kirito agiu corretamente ao obedecer a mentora, menciona que ele vê essa possibilidade como desculpa para frequentemente se atrasar. Isso revela outro provável elemento que está nas entrelinhas do diálogo, e não completamente explícito (o que não deixa de ser acessível ao público e, assim, perfeitamente justificável): Kirito, sendo o único humano no Underworld, não é tão disciplinado e “certinho” como os Artificial Fluctlights. Dessa forma, é normal que ele se meta em confusões ao longo do tempo. Finalizando a cena, ele diz que o objetivo é apenas melhorar a técnica com a espada e que se atrasar seria apenas um efeito colateral. A mulher, suspirando, anuncia que o Jantar será servido em 17 minutos (perceba como eles são rígidos com o horário… está na cara outro exemplo de como são certinhos e disciplinados).

Já durante o jantar, Kirito se explica para Eugeo e admira o banquete, enquanto come. No entanto, atrás deles, dois outros alunos da academia demonstram insatisfação (de uma forma irônica na conversa deles e, com certeza, proposital para que Kirito e Eugeo ouvissem) com o fato de terem limpado o refeitório enquanto nossos dois heróis simplesmente comessem ali, sem necessariamente se comprometerem tanto às obrigações. Humbert e Raios, como são chamados os dois alunos, provocam indiretamente Kirito e Eugeo, dizendo que invejam a “vida boa” que eles levam e atribuindo a eles dificuldades. Eles utilizam o vocativo “pajem” de forma pejorativa, inclusive, o que soa bem familiar à forma como nos referimos aos “Pirralhos” (isso também nos revela que eles são mais experientes na academia que Kirito e Eugeo). Ainda sobre a provocação, eles se referem aos mentores como “excêntricos que escolhem a dedo os pajens para que sejam seus plebeus”, claramente categorizando os pajens como escravos e reles, sendo eles obrigados a fazerem tudo que os mentores pedem.

Kirito, sendo humano (eu sei que isso é algo comum aos animes, mas não deixa de ser um vestígio de humanidade), demonstra se irritar bastante com as provocações (uso da expressão), sendo contido por Eugeo, sempre o mais calmo dentre eles. Eugeo, além disso, aproveita para perguntar a Kirito como vai seu jardim, obtendo a resposta de que ele só melhora a cada dia e que, provavelmente, ficará pronto até a formatura. Essa resposta deixa Raios e Humbert com uma certa raiva (não caíram na provocação) e encerra a cena.

A parte seguinte trata de nossos heróis se dirigindo ao Jardim que foi mencionado segundos atrás (novamente, hiato curto entre conceito e explicação). Ambos observam um canteiro de flores azuis ainda não desabrochadas (as mesmas que aparecem no final da Opening) e Kirito diz que, tendo estragado tudo três vezes até aqui, deseja que elas desabrochem logo. Com o diálogo, também percebemos ser esse um presente de Kirito para Sortiliena em sua formatura (Eugeo diz isso), algo que é bem cativante e simples e, também, se constitui como um vestígio de humanidade em Kirito. Eugeo, ao lado, diz que não sabia que Kirito era atraído por esse tipo de coisa (mesmo depois de dois anos juntos) e nosso protagonista, naturalmente, diz que ele também não tinha notado isso.

Remontando ao diálogo que tivemos no episódio 02, Eugeo diz que, talvez, isso possa ser um vestígio da “volta das memórias” de Kirito (já que, ao contrário do que Kirito é, Eugeo o vê como um Filho de Vesta, aquele carregado para fora de sua terra e que não lembra de seu propósito). Aqui, temos outra cena interessantíssima e tocante do episódio: Eugeo questiona Kirito sobre o que ele faria caso recuperasse as memórias, já que ele havia ingressado no treinamento para ser um Cavaleiro da Integridade para que fizesse companhia a Eugeo. Nosso Artificial Fluctlight demonstra uma expressão de preocupação, já que Kirito iria para casa. Contudo (e até porque não tem origem no Underworld), Kirito dissipa as preocupações que Eugeo teria ao dizer que seu propósito, com certeza, era ser um espadachim desde o começo (e não plantar flores) e, logo, ele não iria para casa. Essa cena é muito bonita, justamente porque mostra ao público um grande vestígio de amizade e laços consolidados entre os dois, companheiros nessa jornada. Eugeo, em especial, se apega bastante a Kirito, deixando transparecer, de novo, sua grande humanidade: um personagem que fixa e preza pelas relações interpessoais, mesmo sendo apenas uma IA.
Não bastasse continuar com sua humanidade, ele ainda inicia uma auto-reflexão aqui e exibe um bom nível de profundidade psicológica. Eugeo se mostra levemente depressivo com relação à sua fraqueza, na medida em que só foi capaz de superar suas dificuldades e seu propósito ao encontrar Kirito. Ele menciona que “utilizava esse propósito como desculpa para nunca sair da vila em busca de Alice” e que foi capaz apenas por Kirito mostrar o caminho. Além de tudo isso, ele ainda se abre para seu companheiro e diz estar aliviado com a fala de kirito sobre não voltar para casa.

Agora é oficial… que personagem é esse? Que nível maravilhoso de profundidade. Já acompanhamos o choque de realidade que ele enfrentou nos episódios anteriores, bem como a construção de sua personalidade, seu desenvolvimento, sua superação, mas ele, mesmo após dois anos, ainda retém vestígios dessa grande depressão e se culpa por não ter conseguido sair sozinho de sua estagnação. Dramático, é verdade, mas o nível de humanidade desse personagem é ainda maior que o do Kirito. De longe, nunca imaginei que iria me surpreender tanto com uma IA.
Kirito, no entanto, também lembra o quão valoroso amigo ele é aqui, confortando Eugeo ao lembrar que, não fosse a ajuda dele, ele não seria capaz de chegar à cidade central. As memórias dele eram duvidosas e ele não tinha dinheiro. Em síntese, eles estão lá por estarem juntos. E isso é, sem dúvidas, uma forma de construção de amizade muito bonita e bem trabalhada. Ele ainda conclui muito bem o motivacional, dizendo que eles “podem esperar para se virarem sozinhos quando forem Cavaleiros da Integridade” e estendendo a mão (simbolismo excelente). Segundo minha interpretação, fica clara também outra coisa: Kirito e Eugeo são um exemplo de amizade que se completa muito bem. Kirito é o elemento confiante do dueto, aquele que dá as cartas, que é mais impulsivo e, ao mesmo tempo, mais determinado. Já Eugeo representa o equilíbrio, é aquele mais contido, mais restrito e, ao mesmo tempo, menos confiante, mas que detém a informação e é capaz de apaziguar o outro. Em resumo, dois amigos que se completam muito bem, um exemplo de amizade compatível e verdadeira.

Voltando à conversa entre eles, Eugeo nos dá, via diálogo, outra informação importante: para que tornem-se Cavaleiros da Integridade, eles precisam estar entre os 12 primeiros do exame de promoção (esse elemento ainda não oi apresentado, mas é óbvio que será no próximo episódio). Kirito, em resposta, fala sobre seu nível de Técnicas com Artes Sagradas estar baixo (como vimos no painel anteriormente, ele possuía apenas 9 pontos) e pede ajuda para Eugeo (algo que é compreensível, já que, quando Kirito chegou ao Underworld, Eugeo possuía uma noção básica sobre isso). Ele oferece ajuda no dia seguinte, de descanso (sempre bom lembrar que, nele, é proibido lutar com a espada, mas não com técnicas sagradas), mas Kirito replica, contando que não poderia justamente por “ela ficar pronta amanhã”. Ambos se mostram entusiasmados e, pelo contexto em que estamos de Academia da Espada, já é fácil imagina que eles se referem à uma Espada. Das sombras, Raios e Humbert observam nossos heróis, tramando algo. Cabe lembrar que, remontando ao treino a de Kirito com Sortiliena no mesmo dia, a questão da espada justifica a reação de Kirito em ser capaz de mostrá-la suas técnicas apenas no outro dia (veja como SAO nos ambienta antes de explicar as coisas, ele dá muitas pistas para o espectador)… provavelmente ele seria capaz de extrair todo seu potencial apenas com a nova espada.

Continua na quarta parte 4 ————————————————————

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